O escritor Thélyson Orélien, de 38 anos, interrompeu a turnê promocional que fazia na França e retornou ao Canadá neste fim de semana, após ser acusado de utilizar inteligência artificial na produção de seu livro C’était ça ou mourir. A informação foi confirmada à AFP por uma fonte próxima a seu círculo profissional.
De dupla nacionalidade canadense e haitiana, Orélien estava na França desde o início de setembro e pretendia passar por Paris e outras regiões do país para divulgar o romance, que se tornou um fenômeno da temporada literária francesa.
O livro, que conta a trajetória de um migrante entre o Haiti e o Canadá, foi retirado da lista de candidatos ao prestigioso prêmio Goncourt após as acusações de uso de inteligência artificial.
Acusações também envolvem plágio
Pouco depois das acusações relacionadas à inteligência artificial, lançadas na semana passada, Orélien também foi alvo de denúncias de plágio de textos publicados há mais de uma década no Canadá.
A editora canadense do escritor já havia suspendido sua turnê promocional na semana passada. Orélien vive no Canadá desde 2010, quando deixou o Haiti.
Até o momento, o romancista e poeta não respondeu diretamente às acusações. Em declaração à AFP, porém, afirmou que pretende se manifestar “quando tudo estiver tranquilo”.
“Porque agora, de qualquer forma, existe essa vontade não apenas de atacar o livro, mas sobretudo a minha voz […], de me calar”.
O caso abalou o mundo literário francês e levantou questionamentos em outros países sobre os efeitos do avanço da inteligência artificial no setor editorial.
