BUENOS AIRES – A Surfland Brasil chega à reta final antes da abertura de seu resort em Garopaba, em Santa Catarina, com os olhos voltados também para o mercado internacional. Em entrevista ao Mercado & Eventos durante a FIT América Latina 2026, Cristiano Santiago Vieira, sócio da Surfland Brasil, afirmou que a Argentina já representa 11% do público anual do empreendimento e destacou o potencial do país para a nova fase do negócio.
A inauguração do resort está prevista para 5 de dezembro de 2026, quando o complexo passará a contar também com a estrutura hoteleira que se soma ao parque de ondas já em operação. O empreendimento terá 278 apartamentos e funcionará integrado ao parque da Surfland, ampliando a capacidade de receber visitantes e proprietários.
A data de abertura, segundo Vieira, foi o principal assunto da agenda da empresa na feira. Antes de chegar a Buenos Aires, o executivo participou, em Garopaba, de um evento de pré-abertura do resort, realizado na véspera da FIT.
“Ontem nós fizemos um evento de pré-abertura do Resort. A gente inaugura no dia 5 de dezembro. Faltam 70 dias, de acordo com a nossa contagem regressiva”, contou.
Argentina representa 11% do público
Embora o público brasileiro, especialmente o gaúcho, ainda seja predominante entre os clientes da Surfland, Vieira afirma que o mercado argentino não pode ser ignorado pela empresa.
A proximidade geográfica com Santa Catarina, o histórico de consumo turístico da região e o interesse dos argentinos pelo litoral catarinense fazem do país um mercado estratégico para a expansão da Surfland.
“Hoje, o público argentino representa 11% do nosso público anual. Então é um público bem interessante para nós”, afirmou.
Portanto, a participação na FIT tem uma função que vai além da divulgação institucional. Com a abertura do resort, a empresa pretende ampliar o relacionamento com operadores argentinos e transformar esse contato em distribuição e vendas de hospedagem.
Segundo Vieira, a presença na feira tem produzido resultados perceptíveis desde a primeira participação.
FIT gera procura já nos primeiros dias
A Surfland participa da FIT pelo segundo ano consecutivo e, de acordo com Vieira, os resultados vêm crescendo. A empresa acompanha de perto os efeitos da participação e utiliza como um dos primeiros indicadores o volume de contatos recebidos depois da feira.
“A gente percebe porque começam a surgir demandas por telefone, procura e consultas. Como cuido pessoalmente disso, faço questão de acompanhar de perto essas métricas e esses indicadores”, explicou.
O executivo afirmou que, em edições anteriores, os contatos começaram a aparecer já na semana seguinte, com pessoas procurando informações e empresas interessadas em conhecer melhor o empreendimento.
Para ele, esse primeiro movimento é importante porque demonstra o interesse gerado pela presença na feira, embora ainda exista uma segunda etapa até a conversão comercial.
A estratégia também explica a decisão de voltar à FIT. Segundo Vieira, a feira reúne um público considerado prioritário para a Surfland dentro do mercado argentino, especialmente em um momento em que o empreendimento se prepara para iniciar uma nova operação.
Surfland abre novo capítulo do empreendimento
A abertura do resort representa uma mudança importante na operação da Surfland Brasil. O parque de ondas já está em funcionamento, enquanto a estrutura hoteleira entra agora na fase final de preparação.
Segundo Vieira, a empresa ainda não abriu oficialmente as reservas para o público externo, mas já recebe consultas de operadores interessados em comercializar o novo produto.
A expectativa, porém, é acompanhada de cautela. O executivo avalia que o resort deverá passar por um período de consolidação antes de atingir sua maturidade operacional: “Por mais que eu me empolgue, ainda sou conservador e digo que o resort terá três anos de consolidação. As pessoas precisam conhecer, visitar e entender. Nós também precisamos nos aperfeiçoar, porque é uma operação nova”.
Mesmo antes da abertura das reservas, Vieira afirma que o interesse do mercado já aparece na agenda comercial. No primeiro dia da FIT, ele chegou à feira com três reuniões marcadas após contatos feitos por parceiros que queriam conhecer a novidade.
De surf a experiências para toda a família
Apesar de o surf ser o principal elemento de identidade da Surfland, a proposta comercial do complexo é mais ampla. O empreendimento busca atender diferentes perfis de visitantes, dos iniciantes aos surfistas profissionais e também famílias que não necessariamente têm o esporte como principal motivação.
Segundo Vieira, mais de 18 mil pessoas tiveram o primeiro contato com o surf na Surfland no último ano. A experiência, de acordo com ele, reúne visitantes de diferentes idades, dos cinco aos 80 anos.
A estrutura do parque permite que o surf seja praticado por diferentes níveis, enquanto Garopaba amplia o leque de atividades disponíveis no destino. A cidade reúne praias, natureza, gastronomia e atividades ligadas ao ecoturismo.
“Você acaba trazendo família também. A gente virou um produto que acaba atraindo todos os tipos de perfil de público que existem no mercado internacional de turismo”, afirmou.
Entre os atrativos citados pelo executivo estão a observação de baleias no inverno, a proximidade com a Praia do Rosa, as praias de Garopaba, a gastronomia de influência açoriana e a própria experiência do surf.
Mais destinos no radar internacional
A estratégia internacional da Surfland não se limita à Argentina. Vieira também destacou uma experiência realizada no Chile e no Peru, com um roadshow que, segundo ele, apresentou resultados positivos.
Com a abertura do resort, a expectativa é que esses mercados passem a ter também acesso ao produto de hospedagem, ampliando as possibilidades de comercialização.
Surfland quer fortalecer a região como destino
Outro eixo da estratégia é trabalhar a Surfland não de forma isolada, mas como parte de uma oferta turística regional. Vieira destacou a proximidade de outros atrativos de Santa Catarina, como águas termais, Serra Catarinense, turismo de compras e o Beto Carrero World, além de destinos naturais próximos a Garopaba.
A ideia é ampliar o tempo de permanência do visitante e transformar Garopaba em uma base para explorar diferentes experiências em deslocamentos de até cerca de duas horas.
A proposta está alinhada ao trabalho de regionalização do turismo desenvolvido pela Secretaria de Turismo de Santa Catarina, com quem a Surfland participa de feiras e ações promocionais.
Um produto além do surf
Com a abertura do resort, a Surfland entra em uma nova etapa de desenvolvimento. Depois de seis anos desde o início das vendas e com o parque já consolidado, a empresa passa a trabalhar com a possibilidade de ampliar a distribuição internacional e, segundo Vieira, até levar a marca para outros destinos no futuro.
A partir de dezembro, o empreendimento passa a reunir parque, piscina de ondas, hospedagem e uma oferta turística que pretende aproveitar não apenas o interesse pelo surf, mas também a natureza e os demais atrativos de Santa Catarina.
Para Vieira, a combinação é justamente o que permite apresentar a Surfland a diferentes públicos internacionais. “De água termal a serra, de turismo de compras ao surf”, concluiu.
*O M&E viaja com Air Canada e proteção GTA
