A Argentina mantém posição de destaque entre os mercados emissores de turistas para o Brasil e vem apresentando crescimento expressivo no fluxo de visitantes. Para Bruno Reis, presidente da Embratur, o resultado é consequência de uma estratégia que combina promoção, conectividade aérea, relacionamento com o trade e inteligência de mercado.
Por este motivo, a presença na FIT Buenos Aires é considerada uma das mais estratégicas para a agência. Em entrevista ao M&E, o executivo também aponta os desafios para manter a competitividade brasileira diante da disputa com outros destinos e detalha as perspectivas para o turismo internacional nos próximos anos.
Confira os planos da Embratur para fortalecer a imagem do Brasil no mercado argentino
M&E – A Argentina segue como o principal mercado emissor internacional para o Brasil e os números recentes mostram um crescimento expressivo. A que a Embratur atribui esse aumento contínuo do fluxo de turistas argentinos para os destinos brasileiros?
Bruno Reis – O crescimento do fluxo de viajantes da Argentina para o Brasil é resultado da execução de cinco frentes estratégicas de atuação da Embratur nos últimos anos. A primeira delas é a execução de ações cooperadas com companhias aéreas, agências de viagens online (OTAs) e operadores emissivos, que ampliam a divulgação dos destinos brasileiros e contribuem para acelerar a decisão de compra. Em paralelo, a Embratur promove encontros comerciais, oficinas e rodadas de negócios tanto no mercado argentino quanto por meio da realização de famtours, que aproximam operadores e agentes de viagens dos produtos, destinos e serviços turísticos brasileiros, convertendo interesse em vendas efetivas.
A segunda frente está relacionada às campanhas segmentadas desenvolvidas para diferentes perfis e motivações de viagem, englobando segmentos de lazer e negócios para o mercado. Dessa forma, é possível distribuir melhor o fluxo durante o ano, bem como incrementar o tíquete médio.
Outro fator determinante é a ampliação da conectividade aérea entre os dois países, com a criação e expansão de voos diretos entre cidades argentinas e brasileiras. O turista tem acesso facilitado aos destinos, com tempo de deslocamento e conexões reduzidos, bem como ampliação de destinos e segmentos ofertados.
Ainda, o plano de marketing internacional do Brasil conectou dados de oferta e demanda distribuídos para cada estado da Federação, possibilitando que os atores locais focassem em mercados de conversão. Assim, foi possível diversificar e potencializar a promoção na Argentina, contribuindo para a redução dos efeitos da sazonalidade e uma melhor distribuição do fluxo pelo território nacional.
M&E – Apesar dos resultados positivos, quais são hoje os principais desafios para ampliar ainda mais a participação do mercado argentino e manter o Brasil como destino preferencial desses viajantes?
Bruno Reis – A atuação contínua de destinos concorrentes sobre o mesmo consumidor, no caso, os argentinos, é um dos principais obstáculos para a ampliação do fluxo turístico para o Brasil. Não existe vácuo na promoção internacional do turismo e qualquer ausência é preenchida por outro destino que se promove de forma ostensiva. Por isso, a Embratur está sempre inovando tanto na promoção de produtos quanto na comunicação.
Outro ponto a ser destacado é a necessidade de articulação contínua com companhias aéreas, meios de hospedagem e outros atores da cadeia turística na busca de ofertas de produtos competitivos e da manutenção de preços atrativos para o mercado, já que entendemos que a conjuntura econômica e cambial também é um forte desafio que impacta diretamente o poder de compra e a tomada de decisão do público argentino.
Essa atuação coordenada permite ampliar as opções de oferta, preservando, assim, a competitividade do Brasil frente a outros destinos.
A superação desses desafios exige o fortalecimento e a comunicação contínua dos principais atributos do Brasil como destino, em especial sua proximidade geográfica, a diversidade de experiências autênticas e a ampla conectividade aérea. A promoção consistente e integrada é responsável por posicionar o País como uma das opções de melhor relação custo-benefício, reforçando a nossa competitividade e a liderança como principal destino internacional dos argentinos.
M&E – Além da presença em feiras como a FIT Buenos Aires, quais ações de promoção, conectividade aérea e relacionamento com o trade têm sido prioritárias para a Embratur na estratégia de fortalecimento do mercado argentino?
Bruno Reis – A expansão da malha aérea é uma das principais frentes de atuação da Embratur para fortalecer a conectividade e manter a competitividade do Brasil junto aos mercados sul-americanos. Entre janeiro de 2025 e dezembro de 2026, estimamos a abertura, retomada ou ampliação de até 40 rotas, incluindo 16 novas ligações operadas por seis companhias aéreas, a reativação de oito itinerários e a entrada de novas empresas em 16 ligações. Esse movimento deverá elevar a oferta para aproximadamente 19,2 mil voos e 3,7 milhões de assentos ao longo do período.
A participação em feiras internacionais, como a FIT, constitui uma das ferramentas utilizadas pela Embratur para fortalecer a promoção do Brasil, ampliar o relacionamento com o trade, gerar negócios e manter o destino presente nos principais mercados emissores. No entanto, a feira não atua de forma isolada: seus resultados são potencializados pela integração com outras frentes, como campanhas de comunicação, ações cooperadas com companhias aéreas e operadores, encontros comerciais, famtours, inteligência de mercado e iniciativas de conectividade.
No contexto de campanha cooperada, durante a feira estamos lançando a campanha Latinos 2026, que abrangerá os mercados da América Latina, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai, divulgando a estrutura e o acolhimento que só os destinos brasileiros podem oferecer.
M&E – O turismo internacional para o Brasil vive um momento histórico após recordes também no último ano. Qual é a visão da Embratur para os próximos cinco anos e quais segmentos têm maior potencial para impulsionar esse novo ciclo de crescimento do País no cenário global?
Bruno Reis – O Brasil registrou a entrada de 9,3 milhões de visitantes internacionais em 2025, um crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior, com US$ 10,4 bilhões em receitas turísticas internacionais. Para 2026, as estimativas apontam para uma elevação de 9,5% nos gastos dos visitantes. Dados preliminares também indicam que as emissões de passagens para o primeiro trimestre estão 16% acima do mesmo período do ano passado, com a América do Sul concentrando cerca de 40% dos bilhetes emitidos para o Brasil.
A Embratur trabalha para transformar esse momento positivo em um ciclo sustentável de crescimento nos próximos cinco anos, com foco no aumento do número de visitantes e na ampliação do tempo de permanência, da receita gerada por turista e na melhor distribuição dos fluxos pelo território nacional.
Para alcançar esse objetivo, a estratégia combina a expansão da malha aérea internacional, a promoção turística orientada por dados e inteligência de mercado e a diversificação da imagem do Brasil no exterior, valorizando a riqueza de seus biomas, culturas e roteiros regionais.
