Entre os versos felizes de Dorival Caymmi, o tal de “Quem não gosta de samba bom sujeito não é“, se não for unanimidade, tem muitos nomes da malandragem do gênero que aprova.
Luiz Carlos, ‘o cara’’ do Raça Negra, por exemplo, veio com um “Concordo” de pronto, em conversa exclusiva com a Folha de Pernambuco, complementando que
“Samba é uma música que abraça as pessoas (…). Quem gosta de samba entende que não é só um gênero musical. É uma maneira de contar a vida.”
E é mesmo por aí!
Que o diga o Samba Recife 2026, festival que reúne bambas locais e nacionais em mais uma edição marcada para este sábado (26) e domingo (27), na Área Externa do Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda.
Serão quatro palcos e mais de 30 atrações de diversas gerações: Belo, Fabinho, Péricles, Pixote, Suel, Thiaguinho, Tiee e Tony Salles, Art Popular, Délcio Luiz, Leandro Sapucahy, Molejo, Alexandre Pires, Ferrugem, Sorriso Maroto, Thiago Soares, Turma do Pagode, Yan e Zeca Pagodinho.
Com dois Palcos Externos, Palco Samba 90 e Palco Pernambuco, o Samba Recife, realizado pela Festa Cheia, é Patrimônio Cultural Imaterial do Recife e de Pernambuco.
“A equipe da Festa Cheia encara esse desafio com muita seriedade, planejamento e responsabilidade (…). O objetivo é garantir que tudo aconteça da melhor forma, com segurança, organização e respeito ao público”, destaca Bela Acioli, produtora do Samba Recife.
Veteranos
Entre os veteranos do line-up, o grupo Raça Negra é sinônimo de samba e pagode romântico, somando mais de quatro décadas de estrada, e com “Caroline”, faixa do CD “Raça Negra – Vol. 1”, de 1991, como start de uma história longeva e aclamada Brasil afora.
“A gente começou lá atrás sem imaginar até onde poderia chegar. Hoje, ver famílias inteiras cantando nossas músicas, pais passando para os filhos e gente que nasceu muito depois do começo do Raça Negra sabendo cantar tudo, é um presente”, ressalta o fundador do grupo.
Uma das atrações do Palco Externo, no domingo, junto a nomes como Zeca Pagodinho, Alexandre Pires e Ferrugem, entre outros, Luiz Carlos reforça que a longevidade do Raça Negra vai além de “estar na estrada por tantos anos”.
Para ele, importa muito mais “Continuar tendo motivo para subir ao palco e encontrar o público com o mesmo carinho. E o Samba Recife é exatamente esse tipo de encontro que faz a gente entender que a nossa música atravessou gerações”, pontua o cantor e compositor de clássicos atemporais que seguem fazendo coro, a exemplo de “Cheia de Manias”, “É Tarde Demais” e “Pra Que Mentir”.
Gerações
Queridinho da geração 40+, Luiz Carlos assegura que o Raça Negra não encontra dificuldades em chegar na turma dos “40-”. De acordo com ele, “A música muda porque o mundo muda. O jeito de produzir, os arranjos, a tecnologia, tudo evoluiu. Mas sentimento não tem época.”
E não tem mesmo. Atemporais, portanto, os hits do grupo mantêm a mesma cadência, a que popularizou o samba e o pagode romântico com identidade própria.
“O Raça Negra sempre procurou acompanhar o seu tempo. A gente não precisou deixar de ser quem é para conversar com as novas gerações. Pelo contrário, continuamos fazendo aquilo em que acreditamos e deixamos que cada geração encontre a sua própria relação com essas músicas”, conclui.
SERVIÇO
Samba Recife
Quando: neste sábado (26), a partir das 17h; e domingo (27), a partir das 15h
Onde: Área Externa do Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda
A partir de R$ 150 no Bilheteria Digital
Informações: @sambarecifeoficial
