Aos 76 anos de vida e pouco mais de 50 de música, palcos e excelência vocal, Simone Bittencourt não hesita em se (re)afirmar como mulher que segue saciando suas vontades artísticas, sem querer repetir fórmulas e na constância de ser uma curiosa, sendo isso o que move um dos nomes mais prestigiados da música brasileira.
“É isso. Eu ainda tenho vontade. E enquanto eu tiver vontade, vou continuar procurando”, responde ela à Folha de Pernambuco, ao ser questionada sobre a literalidade de “Que Mulher é Essa?” – turnê que tem circulado País afora e chega nesta sexta-feira (25) ao Recife, precisamente ao Teatro Guararapes.
Com assinatura de Ana Frango Elétrico na direção musical e figurino de Ronaldo Fraga, no show Simone percorre de Roberto e Erasmo a Belchior, saudando ainda Gal e Rita Lee, a própria Ana e Ava Rocha, além de Dona Onete e, claro, a sempre indispensável (em sua interpretação) “Yolanda”, entre outras, Simone integra a geração ‘sui generis’ de uma musicalidade que, por vezes, adota contemporaneidades mas não necessariamente preza pela habilidade de (en)cantar.
Confira os principais momentos do nosso bate-papo com a artista:
“Que Mulher é Essa”?
“Eu acho que sou uma mulher que continua curiosa. Isso é o que me move. Eu olho para o palco hoje com a mesma vontade de descobrir alguma coisa (…) Mas eu também chego com toda a história que vivi. Não estou começando de novo, estou começando de outro lugar”.
Cantar tantas mulheres…
A gente vai entendendo muitas coisas ao longo da vida. Eu fui me tornando a mulher que sou também através das minhas escolhas, das experiências, dos erros, dos acertos.
E cantar tantas mulheres, tantos sentimentos e tantas histórias também me fez olhar para mim mesma de outras maneiras. Hoje eu tenho uma liberdade que talvez não tivesse antes.
Ana Frango Elétrico
Eu gosto de ouvir o que está acontecendo, de saber o que os artistas mais jovens estão pensando, fazendo, experimentando.
A Ana trouxe uma escuta muito particular para esse trabalho. Ela me provoca, eu provoco ela, e isso é muito bom. Não tenho interesse em ficar parada no lugar que já conheço.
Pernambuco
Eu tenho uma relação muito bonita com Pernambuco e com esses artistas. São encontros que foram acontecendo pela música e que ficaram. Eu gosto muito dessa troca com os pernambucanos, porque existe uma riqueza enorme de compositores e de intérpretes ali.
Meu álbum “Da Gente” tem várias canções feitas com compositores pernambucanos. Se eles estiverem na plateia, vou ficar muito feliz. E espero que cantem também, porque eu vou querer ouvir.
Repertório
O repertório foi sendo construído a partir desse desejo de olhar para a mulher por muitos ângulos. Tem mulheres muito diferentes ali, compositoras, intérpretes, personagens, gerações diferentes.
E tem também músicas que me permitem experimentar outras sonoridades. A ideia não era fazer um retrato fechado, mas abrir essa pergunta e deixar que cada música trouxesse uma resposta diferente.
Sedenta
É isso. Eu ainda tenho vontade. E enquanto eu tiver vontade, vou continuar procurando. Não quero repetir uma fórmula só porque ela funcionou antes.
Quero me permitir experimentar, ouvir coisas novas, trabalhar com pessoas diferentes. Acho que é isso que mantém a gente em movimento.
Referência
Eu fico muito feliz quando percebo que uma música minha ou uma escolha que fiz ao longo da carreira encontrou lugar na vida de outra mulher. Mas eu nunca quis falar por ninguém.
Eu falo a partir da minha experiência, da mulher que eu sou, e cada uma recebe isso de uma maneira. Se alguma coisa que eu vivi ou cantei ajudou outra mulher a se enxergar com mais liberdade, isso já tem um significado enorme para mim.
SERVIÇO
Simone em “Que Mulher é Essa?”
Quando: nesta sexta-feira (25), às 21h
Onde: Teatro Guararapes (Pernambuco Centro de Convenções), em Olinda
A partir de R$ 95 no Cecon Tickets e bilheteria do teatro
Informações: (81) 4042-8400
