Após ser tratado como “fenômeno literário do ano” na França, o romance “C’était ça ou mourir” (Era isso ou morrer), do canadense de origem haitiana Thélyson Orélien, está sob suspeita.
Na segunda-feira (21), a conta Balance ton Claude (uma referência ao modelo de IA da empresa americana Anthropic) acusou a obra de ter sido escrita inteiramente por inteligência artificial. Dedicado a desmascarar obras literárias escritas com geradores de texto de IA, o perfil anônimo se baseou no veredito da Pangramed, uma ferramenta de detecção automática de inteligência artificial, que teria analisado diversas passagens do texto.
Lançada em setembro, “C’était ça ou mourir” recebeu críticas elogiosas na imprensa francesa, vendeu 35 mil exemplares até o momento e figura nas listas de todas as premiações literárias mais importantes do país, incluindo o prestigioso Goncourt.
Segundo o jornal Libération o livro acompanha a trajetória de um personagem que deixa o Haiti após «o incêndio de seu bairro em Porto Príncipe» com o objetivo de chegar ao Canadá.
Em entrevista ao Libération, o autor negou às acusações. “Não vejo por que teria recorrido a uma máquina”, disse ele, acrescentando que teria sofrido diversos ataques racistas. Sua editora no Canadá, Editions du Boréal, afirmou ter total confiança em seu autor.
A Agence France-Presse passou trechos da obra por seu próprio detector, que chegou a conclusão que teriam sido “muito provavelmente escritos por um humano”. De acordo com a AFP, outras sete ferramentas do tipo divergirem sobre a autoria do texto.
Criada em 2023, a ferramenta Pangram é considerada um dos mais confiáveis detectores de IA por especialistas (o que não significa, porém, que seja infalível).
A empresa responsável pela tecnologia, que arrecadou 9 milhões de dólares nos últimos meses, afirma ter apenas um falso positivo a cada 24 mil documentos analisados.
