A morte de Presley Gerber, aos 27 anos, tornou ainda mais contundente um desabafo feito pela irmã, Kaia Gerber, apenas um mês atrás. Em entrevista à edição de setembro da revista “Vogue”, a modelo e atriz falou abertamente sobre a longa batalha do irmão contra a dependência química e revelou como os problemas enfrentados por ele afetaram toda a dinâmica da família. Presley morreu no domingo (20), enquanto estava internado numa clínica de reabilitação. A causa ainda não foi divulgada.
Filhos da supermodelo Cindy Crawford e do empresário Rande Gerber, Kaia e Presley cresceram sob intensa exposição pública. À edição americana da “Vogue”, porém, ela contou que, dentro de casa, a dificuldade enfrentada pelo irmão teve consequências menos visíveis. Kaia afirmou que passou a se enxergar como “a filha fácil” e evitava pedir ajuda aos pais por considerar que já havia demandas demais sobre eles.
“Quando algo assim acontece numa família, meio que coloca todo mundo no mesmo nível. Acho que foi também por isso que comecei a me identificar como a filha fácil e nunca quis pedir ajuda. Parecia demais ter dois filhos precisando de ajuda”, afirmou.
Na mesma entrevista, Kaia elogiou a decisão de Presley de tornar pública seu problema de saúde. Segundo ela, a postura do irmão contrastava com a discrição adotada pelos pais durante grande parte da vida da família. Para a atriz, o silêncio em torno de uma situação como aquela poderia acabar produzindo justamente a sensação de “vergonha” em quem enfrentava o vício.
“Meus pais, durante a maior parte das nossas vidas, foram muito, muito reservados e não compartilhavam nada. E agora temos esse grande professor, meu irmão, que diz: ‘Vou ser muito humano diante de todo mundo’. Há um limite para o quanto se pode esconder. E tentar colocar uma tampa em alguma coisa só faz a pessoa sentir que você tem vergonha dela”, acrescentou.
A publicação descreveu Presley como uma espécie de “grande professor” para Kaia, que demonstrava orgulho da maneira aberta como ele passou a falar sobre dependência e saúde mental. Nos últimos anos, o modelo vinha compartilhando publicamente diferentes etapas de seu tratamento.
Em 2024, Presley revelou que havia enfrentado dependência de medicamentos prescritos e que sofreu uma overdose de fentanil que quase o matou e o deixou em coma. Depois, contou ter parado de consumir álcool e passou a publicar nas redes sociais atualizações sobre saúde mental e recuperação. Ele chegou a criar uma série de vídeos chamada “Mental health mondays”, em que pretendia estimular conversas abertas sobre o assunto.
Em março deste ano, Presley voltou a falar sobre o tratamento ao contar que havia procurado uma clínica no México. Disse, então, que estava enfrentando aquilo de que vinha “fugindo” e que começava a encontrar novamente o caminho para si mesmo. Kaia respondeu publicamente à postagem dizendo estar muito orgulhosa do irmão.
“Veremos. Rezando para que seja a última vez que eu precise voltar [ao tratamento]. Da próxima vez, gostaria que fosse por escolha minha”, escreveu Presley na ocasião.
O modelo morreu no domingo, aos 27 anos. Registros do Instituto Médico-Legal do Condado de Los Angeles apontam que ele estava em uma clínica de reabilitação no momento da morte. A autópsia ainda está pendente e, até esta segunda-feira (21), nenhuma causa havia sido informada.
Depois da confirmação, Kaia, Cindy Crawford e Rande Gerber divulgaram uma declaração conjunta pedindo “privacidade durante este momento muito difícil e doloroso”. Presley era o filho mais velho de Crawford e Rande e, assim como a mãe e a irmã, trabalhou como modelo. Ele começou a carreira ainda adolescente e participou de trabalhos para grifes como Calvin Klein e Dolce & Gabbana.
