Para Emilio Dantas, interpretar o Dr. Pedro em “Emergência 53”, original Globoplay, significou entrar no conhecido território das séries médicas por uma porta ainda pouco explorada. Na produção, o ator dá vida a um cirurgião-geral que exerce a profissão longe da segurança de um hospital, considerado genial por seus pares.
A cada chamado da Unidade 53, Pedro precisa colocar seu conhecimento à prova em situações imprevisíveis, enquanto carrega uma vida pessoal tão turbulenta quanto a rotina profissional.
“O maior desafio de viver o Pedro é justamente esse ineditismo de uma série médica voltada para o atendimento fora do hospital”, explica.
É essa mudança de cenário que, para Emilio, altera também a maneira de contar a história. Sem corredores, salas de cirurgia e uma estrutura hospitalar que se repita, cada episódio apresenta uma nova equação para os personagens, que precisam tomar decisões rápidas diante de circunstâncias que não controlam.
A dinâmica também abre espaço para mostrar o que existe por trás dos uniformes: profissionais com desejos, conflitos e razões particulares para continuar naquele trabalho.
“A cada episódio você tem de fazer uma nova matemática, porque não tem aquele ambiente seguro do hospital”, aponta.
No caso de Pedro, o conflito ultrapassa os limites da ambulância e das ocorrências. Diagnosticado com transtorno bipolar, o médico nega a própria condição e oscila entre períodos de euforia e depressão, criando uma contradição entre a genialidade reconhecida pelos colegas e a dificuldade de lidar consigo mesmo.
Depois de uma reviravolta que interrompe sua trajetória na medicina privada, ele encontra na Unidade 53 a chance de reconstruir a carreira e voltar a exercer sua vocação.
“Ao longo da temporada, a gente tenta tratar essa disparidade entre o gênio que ele é e a dificuldade que ele tem de aceitar a própria condição”, ressalta.
Ao construir Pedro, Emilio também encontrou um universo profissional marcado por uma entrega que pode ser tão intensa quanto desgastante. O atendimento de emergência reúne paixão e orgulho, mas cobra fisicamente de quem se dedica integralmente à função.
Há ainda uma particularidade: depois de entregar um paciente ao hospital, a equipe segue viagem sem saber qual será o desfecho daquela história. É uma espécie de despedida definitiva que, segundo o ator, transforma a relação desses profissionais com o trabalho e com a própria vida.
“Eles entregam o paciente e não sabem o que vai ser daquilo. É quase um além-morte”, aponta.
Outras opções
Longe do visual asséptico tradicional dos dramas hospitalares, “Emergência 53” aposta em uma linguagem mais dinâmica, com mais movimento e variedade de enquadramentos. Para Emilio, a diferença também passa pela própria identidade visual da produção.
“Está mais colorido, mais jogo de câmeras. Não é aquele branco com o vermelho do sangue no hospital”, valoriza.
A proposta chamou a atenção do ator desde o roteiro, que considera preciso e bem construído. Mas foi a própria natureza do atendimento de emergência que reforçou seu interesse pelo projeto: um universo intenso, movido por urgência, paixão e dedicação, mas capaz de cobrar caro de quem faz dele a própria vida.
“É um lugar de paixão, de orgulho, mas é também um lugar que destrói a pessoa fisicamente quando ela se doa muito para aquilo”, afirma.
“Emergência 53” – Episódios disponíveis na plataforma Globoplay.
