Companhia terá quatro A330neo previstos na frota após destinação de aeronaves à Avianca e à Etihad (Reprodução/New York Air)

A Gol vai iniciar sua operação com aeronaves próprias de longo curso com uma frota de Airbus A330neo menor do que a inicialmente prevista. O plano, que contemplava até sete aviões do modelo, foi reduzido após decisões do Grupo Abra, controlador da companhia brasileira e da Avianca, e uma operação de subleasing com a Etihad Airways. A previsão agora é de que quatro unidades sejam incorporadas à frota da Gol.

A mudança acontece enquanto a empresa se prepara para colocar em operação o A330-900neo, aeronave de corredor duplo e capacidade superior a 300 passageiros que será utilizada pela primeira vez por uma companhia aérea brasileira. O movimento amplia as possibilidades da Gol no mercado internacional, mas ocorre em paralelo a uma revisão da oferta de assentos da empresa.

Como ficou a distribuição dos aviões

O planejamento inicial previa sete A330neo para a Gol. O primeiro ajuste ocorreu quando o Grupo Abra decidiu destinar duas dessas aeronaves à Avianca, reduzindo para cinco o número de unidades que permaneceriam vinculadas à companhia brasileira.

Em julho, a Gol acertou a cessão de mais um desses cinco aviões para a Etihad Airways, por meio de subleasing. Com isso, a previsão de aeronaves destinadas à operação direta da empresa caiu para quatro.

A mudança ocorre antes mesmo do início da operação comercial com os aviões próprios e altera o planejamento da frota de fuselagem larga da companhia. Historicamente concentrada em aeronaves de corredor único, a Gol passa a estruturar a entrada de um modelo de maior porte em sua operação internacional.

Primeiro avião chega ao Brasil para preparação operacional

O primeiro A330-900neo relacionado ao projeto pousou no Brasil na última quarta-feira (9), vindo de Teruel, na Espanha. A aeronave, no entanto, não será incorporada definitivamente à frota da Gol.

O avião está entre as duas unidades destinadas à Avianca e será utilizado inicialmente pela companhia brasileira em atividades de testes, treinamento e certificação. Após a conclusão dessa etapa, deverá seguir para a operação definitiva da empresa colombiana.

O procedimento permite preparar tripulações e equipes para o novo equipamento, além de avançar nas etapas necessárias à entrada do modelo em serviço. A utilização temporária da aeronave pela Gol ocorre antes da chegada dos aviões que deverão permanecer em sua frota.

As demais unidades destinadas à companhia brasileira também estão armazenadas em Teruel e ainda não têm data confirmada para chegar ao país.

Os A330neo foram anteriormente operados pela Azul e devolvidos à arrendadora Avalon durante o processo de reestruturação da companhia. A Gol deverá incorporá-los após os procedimentos necessários para a entrada em operação.

O que a redução representa para o internacional da Gol

O A330neo tem papel relevante na estratégia de expansão internacional da Gol por permitir a operação de rotas de longo curso com uma aeronave de corredor duplo e capacidade superior a 300 passageiros. A chegada do modelo representa uma mudança em relação ao perfil predominante da frota da companhia.

Com quatro aviões previstos, a empresa terá uma estrutura menor do que a desenhada no início do ano para essa etapa de internacionalização. A redução também limita o potencial de capacidade que poderia ser disponibilizado em uma operação com sete aeronaves.

O impacto para o mercado, porém, não se resume à quantidade de aviões. A entrada de uma nova família de aeronaves envolve preparação operacional, certificações, treinamento e definição de rotas, além de uma estrutura de oferta compatível com o equipamento.

A estreia dos A330neo próprios ocorre em um momento no qual a Gol também ajusta sua capacidade. Dados de mercado apontam para uma redução de aproximadamente 5% no ASK em outubro, indicador que mede a oferta de assentos por quilômetro. Algumas rotas com origem ou destino em Salvador concentram os cortes mais fortes.

A revisão da oferta e a redução do plano de frota são movimentos que acontecem no mesmo período, mas não significam necessariamente que um seja consequência direta do outro. O que se observa é uma companhia ajustando a capacidade da malha enquanto prepara uma nova etapa de sua operação internacional.

Para o trade turístico, a principal mudança está no tamanho do projeto de longo curso com aeronaves próprias. A Gol deverá avançar com o A330neo, mas com quatro unidades previstas, e não as sete inicialmente consideradas. A definição das rotas, da capacidade efetivamente disponibilizada e do cronograma de entrada em serviço será determinante para avaliar o alcance dessa nova fase da companhia.