Boeing prevê crescimento de quase 6% ao ano na aviação africana até 2045, com 1.200 novos aviões e frota de 1.625 aeronaves
Um novo relatório divulgado pela Boeing na última quinta-feira (3), projeta que a frota de aviões comerciais da África deve crescer de 755 para 1.625 aeronaves até 2045, acompanhando uma expansão média de quase 6% ao ano no tráfego de passageiros.
O estudo estima que aproximadamente 1.200 novos aviões serão entregues às companhias aéreas africanas nas próximas duas décadas. Desse total, cerca de 870 serão aeronaves de corredor único, destinadas principalmente à expansão das operações domésticas e regionais.
O fabricante aponta o crescimento da população jovem e urbana, a expansão da classe média e os investimentos em infraestrutura como fatores associados ao aumento da demanda por transporte aéreo no continente.
O tráfego de passageiros dentro da África deverá crescer em ritmo superior à média regional, impulsionado principalmente pela ampliação das conexões entre os países. A perspectiva inclui maior integração das redes domésticas e internacionais e aumento das viagens entre diferentes mercados africanos.
A demanda por aeronaves de fuselagem larga também deverá mais que dobrar no período. Segundo a projeção, o segmento será utilizado tanto para a renovação da frota quanto para a expansão de ligações de longa distância.
Europa em foco
Nas operações internacionais de passageiros, a Europa deverá permanecer como o principal mercado conectado à África, devido à manutenção dos vínculos econômicos, culturais e familiares entre os dois continentes, além do crescimento dos investimentos no setor de turismo.
O cenário também prevê aumento da conectividade dentro do próprio continente africano, com novas ligações e maior utilização de aeronaves de corredor único em rotas domésticas e regionais.
Frota cargueira
O transporte aéreo de carga deverá acompanhar a expansão da atividade econômica e logística. A frota africana de aviões cargueiros deve aumentar de sessenta para 150 unidades.
O crescimento está relacionado, segundo a Boeing, ao desenvolvimento da infraestrutura logística, do comércio eletrônico e dos mercados de exportação de produtos de maior valor agregado.
A expansão representa uma demanda adicional por aeronaves dedicadas ao transporte de carga, além de serviços de manutenção e outras atividades de suporte à operação das frotas comerciais.
Manutenção e serviços
O crescimento da frota deverá ampliar também o mercado de serviços aeronáuticos na África. A Boeing estima em US$ 140 bilhões o mercado de manutenção, reparo, revisão geral e modificações (MRO), além de soluções digitais, ao longo das próximas duas décadas.
A expansão da aviação comercial deverá exigir investimentos não apenas em aeronaves, mas também em infraestrutura, tecnologia, capacitação profissional e disponibilidade de serviços especializados.
Falta de profissionais
A expansão das companhias aéreas africanas também deverá aumentar a necessidade de mão de obra especializada. O continente precisará de aproximadamente 75.000 novos profissionais de aviação nos próximos vinte anos.
A necessidade de profissionais está diretamente associada ao crescimento da frota e à abertura de novas rotas. A formação e a qualificação de mão de obra deverão, portanto, integrar os investimentos necessários para sustentar a expansão da aviação comercial africana.
