Fabricante de aeronaves elétricas e híbrido-elétricas registrou US$ 14,7 milhões em receita no segundo trimestre e elevou a projeção para 2026
A BETA Technologies anunciou na última segunda-feira (31), que encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita de US$ 14,7 milhões, alta de 146% sobre os US$ 6 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O trimestre também foi marcado por avanços nos programas de certificação, início de operações comerciais com aeronaves elétricas, expansão da infraestrutura de recarga e crescimento da carteira para 1.001 aeronaves.
Além do crescimento da receita, a BETA ampliou os investimentos em desenvolvimento tecnológico. Entre abril e junho, a empresa destinou US$ 122,4 milhões a pesquisa e desenvolvimento e US$ 41,1 milhões a investimentos de capital.
No fim de junho, a fabricante registrava aproximadamente US$ 1,48 bilhão em caixa e equivalentes. Com a evolução dos programas e o desempenho no segundo trimestre, a BETA elevou a projeção de receita para 2026 para uma faixa entre US$ 42 milhões e US$ 50 milhões.
Operações com aeronaves elétricas
A BETA iniciou as primeiras operações do eVTOL Integration Pilot Program (eIPP), iniciativa do Departamento de Transportes dos Estados Unidos e da agência de aviação civil do país, a FAA.
Nas operações iniciais, a aeronave CX300, de decolagem e pouso convencionais, foi utilizada no transporte de órgãos produzidos pela United Therapeutics. Os voos utilizaram pontos de recarga instalados pela própria BETA em aeroportos.
O fabricante também falou sobre o emprego de suas aeronaves em missões reais e demonstrações em diferentes mercados. Entre as atividades estão o transporte de órgãos nos estados norte-americanos da Virginia e Maryland, operações de carga na Escócia, demonstrações no Japão, voos entre ilhas no Havaí e participação, a convite do Exército dos Estados Unidos, no exercício Aurora 2026.
Novo modelo híbrido-elétrico autônomo
Durante o Farnborough International Airshow, a BETA apresentou o MV250, sua primeira aeronave autônoma híbrido-elétrica de decolagem e pouso vertical (VTOL) destinada a múltiplas missões.
O modelo utiliza tecnologias derivadas da plataforma da fabricante e um sistema de propulsão híbrido-elétrico desenvolvido em colaboração com a GE Aerospace. As aplicações inicialmente previstas estão concentradas nos segmentos de defesa e logística.
Outro marco do trimestre foi a realização do primeiro voo híbrido-elétrico acima de 30.000 pés. O ensaio foi conduzido em colaboração com GE Aerospace, NASA e Boeing no âmbito do Electrified Powertrain Flight Demonstration (EPFD), programa da NASA voltado ao desenvolvimento e à demonstração de sistemas de propulsão eletrificados para a aviação.
Certificação dos programas
A BETA manteve o desenvolvimento dos programas baseados nas plataformas H500A, de configuração híbrida autônoma, CX300, de decolagem e pouso convencionais elétricos (eCTOL), e A250, de decolagem e pouso vertical elétricos (eVTOL).
No programa CX300, a fabricante concluiu a fase de definição de requisitos e recebeu da FAA a aceitação do conjunto de requisitos de conformidade aplicáveis à aeronave. A etapa integra o processo de certificação do modelo nos Estados Unidos.
Carteira
A carteira comercial da BETA alcançou 1.001 aeronaves ao final do segundo trimestre. O crescimento inclui o acordo firmado com a companhia aérea regional britânica Loganair para a aquisição de cinco CX300, com opção para outras cinco unidades, após demonstrações de transporte de carga realizadas na Escócia.
O volume da carteira reúne compromissos comerciais relacionados aos diferentes programas da fabricante.
Rede de recarga
A infraestrutura própria de recarga da BETA chegou a 138 pontos durante o período. A fabricante também anunciou, em conjunto com a Archer Aviation e a Macquarie Capital, a criação do America’s Consortium for Electric Skyways (ACES).
A iniciativa prevê a implantação de até 250 novos pontos de recarga em aeroportos e vertiportos nos Estados Unidos. A expansão da rede é parte da estratégia para viabilizar operações regulares com aeronaves elétricas e híbrido-elétricas.
Operação e estratégia no Brasil
No mercado brasileiro, a BETA Technologies é representada exclusivamente pela Líder Aviação. A parceria foi anunciada em 2025 e prevê que a empresa brasileira também se torne centro de serviços autorizado da fabricante.
O acordo inclui a aquisição de três aeronaves pela Líder Aviação, além de opções de compra de outras cinquenta unidades para sua própria frota. A parceria também contempla a preparação técnica e operacional para a futura utilização das aeronaves elétricas no Brasil.
“Os avanços da BETA mostram que a aviação elétrica está deixando de ser apenas uma perspectiva de futuro e avançando, de forma concreta, em certificação, infraestrutura e operações reais”, disse Bruna Assumpção, diretora superintendente da Líder Aviação.
