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Cantor e compositor mineiro José Jr. lança videoclipe de “Verde Gramado”

Cantor e compositor mineiro José Jr. lança videoclipe de “Verde Gramado”


Depois de lançar o álbum Linhas Invisíveis, o cantor e compositor mineiro José Jr apresenta o videoclipe de “Verde Gramado”, música que divide com o rapper capixaba César MC.


O filme, dirigido e roteirizado por Sarah Martins, com idealização e produção de Rodrigo de Paula, da Sarça, parte de uma questão recorrente na canção: como lidar com a impressão de que a vida não escolhida poderia ser melhor do que aquela que se vive?


A ideia para a música surgiu enquanto José Jr lia O Filho de Mil Homens, do português Valter Hugo Mãe. A leitura despertou uma reflexão antiga do artista sobre a tendência de imaginar outras possibilidades de vida como mais atraentes do que as próprias escolhas.


A relação com as imagens também faz parte de seu processo criativo. “Eu sempre fui muito apaixonado pelo audiovisual. Sempre amei filmes, novelas, videoclipes e tudo que comunica visualmente. Acho que isso aparece até na forma como componho, porque minhas músicas também nascem muito de imagens”, afirma.




No videoclipe, essa inquietação ganha forma na trajetória de um viajante que percorre diferentes espaços em busca de algo capaz de preencher sua sensação de incompletude.


A narrativa se apoia em elementos simbólicos, como um quebra-cabeça que não encontra encaixe, uma pipa verde, um barqueiro e uma bola de futebol feita de grama.


No caminho, o protagonista chega a uma comunidade nas montanhas que parece ter descoberto justamente aquilo que ele procura: contentamento com a própria existência.


Para Sarah Martins, a proposta foi construir uma narrativa em que a estética estivesse ligada ao significado.


“Eu gosto da beleza, mas me interessa ainda mais quando ela está a serviço de uma ideia. Em ‘Verde Gramado’, desde o roteiro até as escolhas de direção, tentei fazer com que cada elemento ajudasse a contar a transformação desse personagem.”


A presença de César MC também foi incorporada à dramaturgia do vídeo. Na leitura da diretora, o rapper funciona como uma espécie de companhia ao protagonista durante sua jornada.


“Eu gosto de enxergá-lo como aquele amigo que encontramos no meio do caminho e que nos dá uma carona para mais perto do nosso destino. Seus versos aprofundam os questionamentos sobre passado, presente, futuro e sobre as escolhas que fazemos diante da vida que recebemos”, diz.


O resultado surpreendeu o próprio José Jr. “A sensação é de que eu entreguei uma sementinha nas mãos deles e pude assistir a essa semente germinar, crescer e se transformar em algo muito maior”, afirma o músico.


A parceria entre Sarah e Rodrigo, que acumulam experiências em música, publicidade, moda e entretenimento, busca aproximar cinema e música a partir de uma linguagem autoral.


Os dois também integram a dupla de direção Os Rosa e já foram reconhecidos no Music Video Festival pelo clipe “Cansei”, de JC Aguiar.


Rodrigo de Paula vê no projeto uma síntese do trabalho desenvolvido pela Sarça.


“Acho que a idealização do clipe nasce justamente desse encontro e do desejo de promover beleza através da música e do audiovisual. ‘Verde Gramado’ representa muito do que eu acredito, relações que se transformam em projetos e projetos que se transformam em obras.”


Para Sarah, o videoclipe representa ainda uma etapa importante de sua trajetória profissional e de sua atuação como mulher negra e jovem na direção audiovisual. “Não quero estar nesse lugar apenas para ser vista, quero estar para criar, liderar, tomar decisões e construir novas referências.”



O disco

“Verde Gramado” faz parte das 14 faixas de “Linhas Invisíveis”, segundo álbum de José Jr. Produzido por Gabriel Bulara, com colaboração de Gabriel Eubanck e Fellipe Fernandes e arranjos de Henrique Albino, o disco aproxima elementos de MPB, folk, indie, pop, rap e música negra brasileira.


Ao longo do repertório, o compositor aborda espiritualidade, memória, identidade, medo, esperança e as contradições da experiência cotidiana. O álbum se estrutura a partir do interesse pelas relações entre o que é perceptível e aquilo que permanece escondido — afetos, ancestralidade, crenças e conflitos internos.

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