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Biógrafa de Freddie Mercury fala de filha que líder do Queen teria mantido em segredo

Biógrafa de Freddie Mercury fala de filha que líder do Queen teria mantido em segredo


Energético, excêntrico, operístico, inimitável: Freddie Mercury, o cantor, pianista e compositor principal do grupo britânico Queen, entrou para a história como um símbolo daquilo que o rock tem de mais vital e permanente.


Algo que sobreviveu até mesmo à partida, em 1991, aos 45 anos, vítima da Aids, do homem por trás do mito — o tanzaniano Farrokh Bulsara. Se vivo estivesse, o astro estaria completando 80 anos no próximo dia 5.


O que ele estaria fazendo da vida? Como estaria se sentindo, idoso? Essas são perguntas para a jornalista inglesa Lesley-Ann Jones, principal biógrafa do músico, com uma série de livros publicados sobre ele: “Freddie Mercury: the definitive biography” (1997, reescrita em 2011, e lançada no Brasil em 2013), “Love of my life” (2021) e “Com amor, Freddie: a vida e o amor secreto de Freddie Mercury” (de 2025, editada este ano por aqui, pela Rocco, e que traz a escritora à Bienal Internacional do Livro de São Paulo).


“Não acho que Freddie se importaria muito (com a idade), ele era uma figura imponente demais para isso”, diz Lesley-Ann, em entrevista por Zoom.


“Imagino que, se sua voz tivesse se mantido, ele ainda estaria gravando. Mas não estaria mais em turnês, ele detestava turnês. No entanto, Freddie era um homem do mundo, que se interessava muito por culturas, história, geografia e arte. Então, acho que ele teria usado sua fortuna (em viagens). Acho que ele teria viajado por todos os lugares que o Queen não havia visitado. E certamente teria adorado ser avô”.





Caso tivesse chegado aos 80, o cantor, diz a autora, teria de fato sido avô: esta é a grande revelação do novo livro da inglesa, sobre o qual ela fala no próximo dia 10, às 19h30, na Arena Cultural da Bienal, em “Freddie Mercury: o que ainda não sabíamos”, palestra com mediação do apresentador de TV Serginho Groisman. No livro, Lesley-Ann dá voz a B., mulher nascida em 1977, fruto do que teria sido uma breve relação de Freddie com uma amiga casada. À filha, ele teria confiado 17 cadernos, com memórias, reflexões e confissões, manuscritas até perto da morte.


Em janeiro, pouco depois da publicação do livro, consta que B., mãe de dois filhos, teria morrido de câncer. Tanto mistério (além de todo o improvável) envolvendo uma filha secreta de Freddie Mercury dividiu fãs e amigos do astro, mesmo diante das revelações que surgiram, contadas por B. no livro, a partir dos diários do pai. Brian May, guitarrista do Queen, se declarou “neutro”. Eterna noiva do cantor (que herdou metade de sua fortuna), Mary Austin disse não acreditar que ele quisesse esconder dela uma filha.


Firme em suas convicções, Lesley-Ann Jones conta que tudo começou ao receber um longo e-mail.


— B. me contatou sem dizer quem era. Nas primeiras semanas, eu nem sabia se estava me comunicando com um homem, com uma mulher. Ela se identificou apenas com a inicial B. e não alegou ter qualquer ligação com Freddie Mercury — conta. — O que ela disse foi: “Já faz 15 anos que quero te escrever. Li todos os livros que você já escreveu, você chegou mais perto do verdadeiro Freddie Mercury do que qualquer outra pessoa jamais havia chegado. Mas ainda há algumas coisas que você precisa saber.”


Acostumada à loucura dos fãs de Freddie Mercury que costumavam escrever para ela, Lesley-Ann não deu muita atenção, de início. Imprimiu tudo e começou a ler só algum tempo depois. Surpreendeu-se com a quantidade de detalhes — e julgou tratar-se de alguém que realmente conhecia Freddie, mais até do que ela própria. Pensou que pudesse ser Mary Austin ou então Rory Taylor, a filha médica do baterista do Queen, Roger Taylor. Uma vez, à noite, teve um insight.


— Eu disse: “Acho que você só pode ser filho do Freddie para ter esse nível de informação.” E ela respondeu: “Bem, você adivinhou!” E aí a conversa fluiu. O único objetivo dela, como dito no primeiro e-mail, era: “Não quero dinheiro, não quero nada. Só quero que você use essa informação como achar melhor.” Então, o caminho óbvio para mim era escrever um livro.


Para não ser processada


O acordo era o de que Lesley-Ann não poderia reproduzir nada dos caderninhos e não deixaria que a identidade de B. fosse revelada.

O conteúdo dos cadernos era propriedade dela, mas, perante a lei, ele pertencia a Freddie e, portanto, era de propriedade conjunta do resto da banda, porque ele falava muito sobre letras e inspirações para músicas — explica a escritora. — Então, decidimos que o melhor seria que B. me contasse a história, e eu a escrevesse usando a voz dela. Dessa forma, seria um discurso indireto, e assim ela não poderia ser processada, nem eu.


Não foi surpresa para a inglesa que o astro fosse pai.

As pessoas diziam: “Bem, Freddie era gay.” Bem, ele não era gay. Sempre soubemos que ele era bissexual, pansexual, ele mesmo não se rotulava. Freddie teve muitos encontros com homens e mulheres — conta. — Fiquei surpresa foi com o fato de ele ter sido um pai tão presente, mas só até B. ter me contado sobre como foi concebida, de como tinha sido sua infância e do acordo para a sua criação. O que muitos fãs têm dificuldade em entender, e é por isso que tantos me odeiam, é a ideia de que ele pudesse ter tido uma filha e que a banda e tampouco Mary soubessem disso.


O arranjo ideal foi o de uma família estendida (com dois pais — o cantor e o marido da mãe).

Freddie ficava na estrada por dois anos seguidos, passava meses a fio no estúdio. E a criança precisava viver em um ambiente familiar estável — argumenta Lesley-Ann. — O sigilo, nesse arranjo, era de extrema importância, por causa do escândalo que poderia causar. Como eles (o casal) eram muito ricos, Freddie não precisaria ficar em hotéis ou em voos comerciais. Eles tinham casas em muitos países, aviões particulares e uma babá que trabalhava para a família do padrasto havia muitos anos. Essa vida funcionou, B. era uma criança muito amada, embora não pela mãe, que a via como uma mancha no casamento.


A escritora acredita que o motivo do contato de B. foi saber “que não lhe restava muito tempo de vida”.

Então, ela queria restabelecer a verdade de Freddie, já que todos os outros haviam tentado distorcê-la — diz a autora, que chegou a implorar para que B. lhe desse algumas fotos para o livro. — Eu disse: “Você sabe que precisa ilustrar isso, senão, as pessoas não vão acreditar.” Ela disse não se importar: “As pessoas vão dizer que essas imagens foram criadas com IA.” Agora, as fotos que ela escolheu estarão em álbum que será publicado ano que vem. Elas foram autenticadas em um tribunal francês.


E a identidade de B.?

Eu sei o nome dos dois filhos dela, poderia revelá-los agora, mas não vou fazer isso. Da mesma forma que sei onde os restos mortais de Freddie estão enterrados nos arredores de Londres, mas não vou levar ninguém lá. Me pergunto se o mundo algum dia descobrirá (a identidade de B.). Mas isso é meio irrelevante agora, porque ela se foi — alega.

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