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O ‘molho’ pernambucano e baiano de Almério e Mariene de Castro no Teatro do Parque

O ‘molho’ pernambucano e baiano de Almério e Mariene de Castro no Teatro do Parque


De quando em vez a música brasileira apodera-se de encontros que dispensam parecer. A imensidão sonora, de vozes e de territórios, fazem com que nasçam prontos e o que resta do lado de cá é tão somente reverenciá-los.

Fez-se assim, por exemplo, quando no decorrer de um sarau quase despretensioso, Almério encontrou Mariene de Castro que encontrou Almério – na casa do produtor Zé Maurício Machline. Entre outras facetas, é ele o idealizador do Prêmio da Música Brasileira e corresponsável por “Acaso Casa” – disco lançado em 2019 (Biscoito Fino), indicado ao Grammy Latino (2020) e que se transformou em show. Por aqui a dupla se apresenta neste sábado (22) e domingo (23), no Teatro do Parque.




“Quando vi Almério eu fiquei muito emocionada. E daqui a pouquinho a gente tava cantando uma, duas, três, dez músicas. Eu falei: ‘isso aqui dá um show’”, conta a cantora e compositora Mariene de Castro. E não seria ousado estender (quase) as mesmas palavras da artista baiana a Almério.


“Eu já tinha ido a um show dela, em Garanhuns, e fiquei maravilhado (…) Quando cantei (na casa de Machline), vem Mariene se aproximando, chorando, e a gente começa a cantar um pro outro, a se emocionar. Esse foi nosso primeiro encontro”, relembra o artista pernambucano, assim como ela, em conversa com a Folha de Pernambuco, ocasião em que ele pede para registrar um ‘recado’ para Zé Maurício Machline.


“Zé Maurício despertou esse show, sabe? E arrebentou essa represa para esse rio vasto cheio de vontades e de criatividade e das nossas inquietações (…) um grande abraço para o Zé Maurício Machline”.


Tambores, axés

A turnê de “Acaso Casa” foi interrompida pela pandemia. Acolhendo a terra de ambos, foi em Salvador que foi dado um novo ‘start’ do projeto, com Recife na sequência.

“É como se a gente estivesse saindo daqui (da Bahia) com a bênção dos meus ancestrais, né? Do meu povo, da minha gente, da minha família, dos meus filhos, amigos, das pessoas que me viram nascer”, enaltece Mariene.


Sua fala foi complementada por Almério: “Iniciar por Salvador e Recife tem uma simbologia muito forte, porque o ‘Acaso Casa’ vem dessa casinha do interior de Pernambuco e Bahia. Essa casinha de fogão a lenha, rede na varanda, sabe? Chão batido de cimento, brisa. São nossos interiores se encontrando num repertório que é uma obra de só um Nordeste profundo”, enfatiza um dos ‘cabas da peste’ do cancioneiro nacional, aclamado por nomes como Maria Bethânia e Zélia Duncan e, claro, Mariene de Castro, entre outros nomes de luxo da música brasileira.


Projeto “Acaso Casa” foi lançado em disco em 2019 | Crédito: @cauediniz/Divulgação


A propósito, Almério é natural de Altinho, Agreste pernambucano. Mariene, do coração da Chapada Diamantina, no distrito de Igatu, em Andaraí – territórios que perfazem a inteireza de um país que usufrui de bom grado do molho sonoro das terras em que “nossos tambores se encontram, nossas pedras e axés se encontram em muitos pontos e lugares”, discorre Mariene.


Repertório

Com solos e duetos, o show “Acaso Casa” leva aos palcos a representatividade de clássicos como “Lamento Sertanejo”, “Pagode Russo” e “Confidências”, assim como irretocáveis do quilate de “Quero Você” e “Ponto de Nanã”, entre outras.


Com figurinos assinados por Thomas Azulay e direção artística construída a partir da sensibilidade dos próprios intérpretes, “Acaso Casa” tem tom intimista e “repleto de humanidades”, como frisou Almério.

Aliás, enquanto estas linhas eram escritas, a faixa 13 do disco, um solo de blues para “Respeita Januário”, uma das atemporais de Humberto Teixeira para Luiz Gonzaga, estava na escuta desta que subscreve o texto – finalizado, aliás, com “Boiadeiro” (faixa 5), de Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, também imortalizada pelo Rei do Baião, a quem Almério e Mariene evidenciam no projeto com respeito e, sobretudo, com identidade absolutamente nordestina.


SERVIÇO

“Acaso Casa”, com Almério e Mariene de Castro


Quando: Sábado (22), às 20h e domingo (23), às 18h

Onde: Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81, Boa Vista

Ingressos a partir de R$ 75 via Sympla

Informações: (81) 99488-6833

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