Beatriz e Yuri contam como o Mercado & Eventos mudou a rotina e a visão sobre a profissão (Arquivo/M&E)

Para quem está começando no jornalismo, a rotina de uma redação pode parecer diferente do que se imagina durante a faculdade. Entre pautas, entrevistas, eventos, viagens e prazos, o trabalho exige organização para conciliar a formação acadêmica com as demandas profissionais. No Mercado & Eventos, os estagiários Beatriz Waehneldt, no Rio de Janeiro, e Yuri Ricci, em São Paulo, vivem essa experiência em cidades diferentes, mas dentro da mesma redação.

A trajetória de Beatriz até o jornalismo começou em Relações Internacionais na PUC-Rio, área que percebeu que seguiria como especialização ao invés de profissão. A mudança para o jornalismo veio acompanhada do interesse pela comunicação como ferramenta para dar espaço a organizações e projetos sociais. “Eu queria fazer o bem no meu dia a dia, no início a ideia era trabalhar para que ONGs, projetos sociais a se colocarem no mundo”, relata.

Durante a graduação, Beatriz passou por áreas como redes sociais, marketing e administração. A escrita e o contato com pessoas, porém, continuaram entre os pontos que a aproximavam do jornalismo. Antes de chegar ao M&E, ela havia saído do estágio anterior para participar de um semestre como bolsista Erasmus na Dinamarca.

A oportunidade de se juntar à redação surgiu por meio de uma plataforma de estágios. “Eu fiquei sem emprego durante uns seis meses depois da Dinamarca, estava procurando, mas já estava meio desesperançosa, pensando em aplicar para outras áreas. Rezei bastante e foi por uma plataforma que eu havia me cadastrado há anos atrás que o Mercado & Eventos me resgatou”, brinca.

A identificação com o veículo veio desde o processo seletivo para estagiário

Beatriz conta que descobriu que o estágio reunia áreas que já faziam parte de seus interesses, como viagens, mercado, comunicação estratégica e escrita. A estagiária no tempo livre mantinha um blog (@biaventureira), que começou por causa da escrita e das férias em que foi Disney Cast Member. Ela foi contratada em novembro de 2025.

Yuri chegou ao M&E em um momento diferente. Depois de sair de um emprego, procurava uma nova oportunidade quando surgiu a vaga. Durante o processo seletivo, recebeu outra proposta, mas decidiu recusá-la antes mesmo de saber o resultado da entrevista no Mercado & Eventos. “Eu sabia que ia dar certo no jornal e sou muito feliz graças a essa decisão que tomei ali, na emoção”, afirma.

O estagiário paulistano conta que sempre gostou de conversar e encontrou na profissão diferentes possibilidades para trabalhar com informação e entretenimento. “Eu sempre fui uma pessoa que gostou muito de falar e de todos os assuntos, eu vi que o jornalismo tinha um leque de opções para conseguir trabalhar com o que eu amava”, explica.

Antes de começar, Yuri tinha como referência imagens de jornalistas retratadas no cinema. A rotina de uma redação, no entanto, se mostrou diferente. “Eu não sabia exatamente como era trabalhar em uma redação porque, antes de eu começar a estudar e a trabalhar de fato, a referência que eu tinha era por filmes, tipo o filme do Superman, em que ele trabalha lá no Clarim e as coisas acontecem muito rápido”, lembra.

No M&E, o estagiário encontrou uma dinâmica em que muitas pautas são preparadas com antecedência, especialmente por envolverem eventos do setor. Ainda assim, a correria aparece quando uma oportunidade surge de última hora. Foi justamente essa combinação que fez Yuri perceber que havia escolhido a área em que queria atuar.

Sua primeira pauta foi um evento da Booking sobre tendências de viagens para 2026. O contato inicial com profissionais do trade também chamou sua atenção. Desde o primeiro evento ele encontrou pessoas dispostas a ajudar e que posteriormente voltaria a encontrar em outras coberturas.

O momento em que mais sentiu estar exercendo a profissão veio durante a WTM. “Foi o dia em que eu falei: ‘Tudo o que eu estudei eu estou colocando em prática agora’”, recorda. A cobertura envolveu entrevistas, produção de imagens, textos e acompanhamento da movimentação do evento.

Beatriz teve uma percepção semelhante ao se deparar com autoridades e fontes que passaram a procurá-la para falar sobre determinados assuntos. “Foi nesse momento que pensei: ‘nossa, espera aí, agora eu sou jornalista, agora eu sou uma pessoa que está com o microfone na mão, que tem essa responsabilidade de passar informação adiante’”, relembra.

Estágio em jornalismo também é aprender a lidar com a rotina

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Beatriz em cobertura na WtmLA (Arquivo)

A diferença entre Rio de Janeiro e São Paulo aparece principalmente no volume de eventos. Beatriz avalia que sua rotina tem mais períodos de trabalho remoto, enquanto Yuri acompanha uma agenda maior de eventos presenciais em São Paulo. Ainda assim, os dois apontam a necessidade de deslocamento pela cidade como um ponto em comum. “As duas cidades são muita correria, precisamos estar na cidade toda, atravessando ela de uma ponta a outra, onde tiver evento, onde tiver pauta. Isso não muda de São Paulo para o Rio”, observa o estagiário.

Para Beatriz, estar no Rio permite também acompanhar pautas em diferentes pontos da cidade. “Eu acho que o pessoal de São Paulo tinha que vir para o Rio algum dia cobrir alguma pauta para ver como é gostoso fazer cobertura nos cartões-postais do Rio”, comenta.

Conciliar o estágio com a faculdade é outro desafio comum. Beatriz precisou desenvolver métodos para administrar faculdade, pesquisa acadêmica e trabalho. Segundo ela, a experiência contribuiu para aumentar sua confiança ao entrar em ambientes com muitas pessoas, lidar com informações simultâneas e entrevistar fontes.

Yuri estuda pela manhã e organiza as demandas acadêmicas antes de iniciar o período de estagiário. “Eu tenho que dar o meu melhor nos dois e separar uma coisa da outra”, diz. Para ele, o estágio também trouxe aprendizados que ultrapassam as técnicas de reportagem. “Aprendi e estou aprendendo muito mais do que eu esperava, tanto de técnicas de jornalismo como de convivência. Lidamos com muitas pessoas e empresas”, afirma. Hoje, ele aproveita as experiências que adquire como estagiário para montar um portfólio ainda mais completo em suas redes profissionais (não deixe de conferir o @poddarjogo).

O contato com viagens também passou a fazer parte desse aprendizado para ambos os estagiários. Yuri tinha pouca experiência viajando antes de entrar no M&E e o estágio o colocou diante de situações que precisou aprender a resolver. Uma delas aconteceu durante seu primeiro cruzeiro, quando precisou entender o funcionamento da caução em dólar e recorrer ao cartão de crédito do pai para solucionar a situação. “Pensei comigo: ‘Meu Deus, não vou ter esse dinheiro para pagar depois se eles atrasarem, como vou fazer?’ No fim, o problema foi resolvido”, relembra rindo.

Entre as matérias que mais marcaram Yuri estão uma reportagem sobre a Copa do Mundo de 2026, que esteve entre as mais acessadas do jornal, e uma produção sobre a reforma tributária. Para o estagiário, o segundo trabalho representou um exercício de apuração sobre um tema com muitas informações e mudanças.

Beatriz, por sua vez, destaca as pautas presenciais e as viagens. A primeira viagem pelo M&E, durante a cobertura do Summit Internacional da HotelDO, em Orlando, e a viagem à Joinville para cobrir a AbavSC estão entre as experiências que mais marcaram sua trajetória. Ela também cita a possibilidade de conhecer novos lugares e pessoas como uma das principais razões para gostar das coberturas de viagem.

Turismo deixou de ser apenas lazer

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Yuri em cobertura pelo M&E em Bento Gonçalves (Arquivo)

O trabalho em um veículo especializado também modificou a forma como os dois enxergam o turismo. Beatriz afirma que passou a perceber o setor como uma área que envolve entretenimento, economia, políticas públicas, aviação, destinos e diferentes profissionais. “Turismo é um setor apaixonante”, sorri.

Yuri também passou a olhar para as viagens por outra perspectiva. “Não penso mais em só em ir até um lugar, curtir as férias e voltar. Agora sei como viagens corporativas, a lazer, de lua de mel, dentre outras, podem ter um impacto em um setor que movimenta muitas pessoas de diversos destinos”, reflete o estagiário.

As experiências também influenciaram os planos dos dois. Beatriz pretende continuar no turismo e quer desenvolver uma atuação marcada pelo contato humano: “ainda penso em continuar pesquisando comunicação digital, segurança e crimes online, mas agora que o bichinho do turismo me picou, não quero mais sair desse setor.” Yuri quer seguir aprimorando a escrita, ampliar o conhecimento sobre o setor e fazer perguntas cada vez mais precisas.

Para quem está começando, os dois deixam conselhos baseados na própria experiência. Beatriz recomenda aproveitar as oportunidades e buscar o máximo de aprendizado possível. “Esse estágio especialmente está sendo uma segunda graduação para mim”, celebra.

Yuri destaca aos estagiários a importância da leitura, da escuta e da forma como o jornalista se relaciona com as pessoas. “Leia muito, ouça muito e nunca deixe de ser educado e gentil com as pessoas”, aconselha.