O mercado de viagens apresentou um cenário de estabilidade, resiliência e crescimento moderado no primeiro semestre de 2026, mas a demanda mostra sinais de sofisticação: produtos premium, luxo e personalizados ganharam força, enquanto condições de pagamento e busca por custo-benefício seguem decisivas na hora da compra.
Segundo o mais recente Boletim Braztoa, pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo com suas associadas, a percepção das operadoras indica que, apesar de um ambiente marcado por desafios econômicos, custos elevados e instabilidades geopolíticas, a demanda por viagens se manteve ativa.
Em relação ao volume de embarques de julho de 2026, a maior parte das operadoras registrou desempenho igual ou superior ao observado em 2025. Cerca de 71% das empresas apontaram estabilidade ou crescimento, sendo 42,8% com leve crescimento, de até 25% em relação ao ano anterior; 14,2% com crescimento de até 50%; e outros 14,2% registrando aumento de até o dobro do volume de 2025. Outros 25% relataram volume praticamente igual ou ligeiramente inferior ao ano passado.
Na avaliação geral das vendas do primeiro semestre, 50% das operadoras classificaram o desempenho como bom, enquanto 32,1% consideraram o período regular e 10,7% o avaliaram como excelente. Apenas 7,1% classificaram o semestre como ruim.
“Os resultados mostram um mercado que continua se movimentando, mesmo diante de um cenário bastante desafiador. Não estamos falando de um crescimento homogêneo ou acelerado, mas de um comportamento de estabilidade e crescimento moderado, que demonstra a força da demanda por viagens e a capacidade de adaptação das empresas”, afirmou Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa.
Pesquisa da Braztoa mostra estabilidade no mercado e avanço de produtos personalizados, luxo e viagens sob medida
Viagens nacionais
As viagens nacionais apresentaram um desempenho majoritariamente positivo no primeiro semestre. 76% das operadoras avaliaram suas vendas como dentro ou acima do esperado, sendo 44% dentro das expectativas e 32% acima ou muito acima.
As férias de janeiro e fevereiro foram o período de melhor desempenho para o mercado doméstico: 88% das empresas registraram resultados dentro ou acima do esperado. Nos feriados do primeiro semestre e nas férias de julho, o comportamento foi bastante semelhante: em ambos os períodos, 48% das operadoras ficaram dentro do esperado e 28% acima ou muito acima das expectativas.
Os números indicam, assim, um mercado doméstico relativamente estável ao longo do semestre, embora cerca de um quarto das empresas tenha registrado resultados abaixo das expectativas em alguns dos períodos analisados.
Viagens Internacionais
O cenário foi semelhante para as viagens internacionais. No primeiro semestre, 71,3% das operadoras registraram desempenho dentro ou acima do esperado, enquanto 28,5% ficaram abaixo ou muito abaixo das expectativas.
Mais uma vez, janeiro e fevereiro se destacaram, com 85,6% das empresas apresentando resultados dentro ou acima do esperado. Nos feriados do primeiro semestre, esse percentual foi de 78,5%.
Já nas férias de julho, 82% das operadoras registraram desempenho dentro ou acima/muito acima das expectativas. O período também trouxe um destaque: 7,1% das empresas apontaram resultados muito acima do esperado, sinalizando um desempenho especialmente positivo para uma parcela do mercado internacional.
Fatores que influenciaram o desempenho Entre os fatores que mais contribuíram positivamente para os negócios das operadoras no primeiro semestre, parcelamento, crédito e condições de pagamento aparecem em primeiro lugar, citados por 60,7% das empresas.
Na sequência, a busca por maior custo-benefício nas viagens foi apontada por 46,4% das operadoras. Empatados em terceiro lugar, com 39,3%, aparecem o crescimento da demanda por produtos premium e luxo e as novas rotas aéreas e ampliação da conectividade.
“Os dados mostram um consumidor que continua querendo viajar, mas que está cada vez mais atento à relação entre preço, condições de pagamento e valor da experiência. Ao mesmo tempo, observamos uma demanda relevante por produtos premium e de maior valor agregado. Isso reforça a necessidade de o setor trabalhar com diferentes perfis e propostas de viagem”, explicou Marina.
A inteligência artificial e as novas tecnologias, citadas por 32,1% das operadoras, também aparecem entre os fatores de impacto positivo, embora ainda atrás dos aspectos diretamente relacionados às condições econômicas e à oferta de viagens.
Já entre os fatores que impactaram negativamente o desempenho das empresas, os conflitos no Oriente Médio foram disparadamente os mais citados, apontados por 85,7% das operadoras.
Em seguida aparecem o preço das passagens aéreas, citado por 67,9%, e a economia brasileira, com 64,3%. A instabilidade política em destinos ou mercados emissores foi apontada por 57,1% das empresas, enquanto as oscilações cambiais foram citadas por 39,3%.
O conjunto dos resultados evidencia um mercado que segue ativo, mas que opera sob forte influência de fatores externos. Para as operadoras, a capacidade de oferecer alternativas, trabalhar diferentes faixas de produtos, facilitar as condições de compra e acompanhar mudanças no cenário internacional permanece fundamental para a manutenção da demanda.
Produtos premium e personalizados ganham força nas vendas
O levantamento também mostra sobre o comportamento das vendas de acordo com as categorias de produtos comercializados pelas operadoras. Produtos Premium e Luxo apresentaram o melhor desempenho entre as categorias analisadas, com 64% das operadoras indicando crescimento nas vendas e apenas 4% registrando queda.
Os Produtos Personalizados/Sob Medida também se destacaram: 52% das operadoras apontaram crescimento nas vendas dessa categoria.Já os Produtos Promocionais e Ofertas Especiais apresentaram um comportamento mais equilibrado, com 48% das empresas registrando crescimento e para 44% se manteve similar, e apenas 7,14% apontando queda.
Nos produtos considerados de “entrada” e de perfil econômico, o cenário foi de maior estabilidade: 52% das operadoras apontaram manutenção da demanda, enquanto 32% registraram crescimento e 16% indicaram queda. Com relação aos produtos e destinos voltados a experiências de neve e ski, 50% das operadoras apontaram crescimento na demanda, enquanto 37,5% avaliaram que o desempenho se manteve estável em relação ao período anterior.
No segmento de cruzeiros, os resultados também foram positivos: 52,6% das operadoras registraram crescimento, enquanto 47,4% apontaram estabilidade. Nenhuma operadora indicou queda na demanda, reforçando o bom desempenho do segmento no período analisado.
Os resultados ajudam a revelar uma demanda que combina diferentes movimentos. De um lado, condições de pagamento, crédito e busca por custo-benefício aparecem entre os principais fatores que impulsionaram as vendas. De outro, o crescimento de produtos premium, luxo e personalizados indica que existe também um público disposto a investir mais em experiências diferenciadas e viagens desenhadas de acordo com seus interesses.
“Trata-se de um mercado que está cada vez menos linear. O viajante busca preço e boas condições de pagamento, mas isso não significa necessariamente que esteja buscando apenas o produto mais barato. Ao mesmo tempo em que há uma preocupação maior com custo-benefício, vemos crescer a procura por experiências premium, personalizadas e com maior valor agregado. Para as operadoras, isso reforça a importância de trabalhar diferentes propostas e entender cada vez melhor os perfis e as motivações dos viajantes”, finalizou Marina Figueiredo.
