Luiz Moura, conselheiro de turismo da FecomércioSP e cofundador da VOLL (Divulgação)

O viajante corporativo está na dianteira da adoção de inteligência artificial (IA) na indústria de viagens. Levantamento da Skift aponta que profissionais em viagens de negócios utilizam ferramentas de IA para planejar seus deslocamentos com o dobro da frequência dos viajantes a lazer. A pesquisa também indica que a adesão aumenta conforme a renda, colocando os consumidores de maior valor entre os primeiros a incorporar a tecnologia.

Para Luiz Moura, conselheiro de turismo da FecomércioSP e cofundador e diretor de negócios da VOLL, o resultado confirma uma tendência identificada também pela GBTA: a América Latina apresenta elevado nível de adoção de reservas de viagens assistidas por inteligência artificial.

Decisões sob pressão aceleram a adoção

Segundo Moura, o ritmo de incorporação da IA pelo viajante corporativo está relacionado às situações enfrentadas durante as viagens. Cancelamentos de voos, mudanças de agenda e compromissos que não podem ser adiados exigem respostas rápidas.

Nesse cenário, ferramentas capazes de interpretar demandas e executar uma sequência de tarefas ganham espaço. A evolução dos agentes de IA também contribui para essa mudança, com sistemas cada vez mais capazes de realizar tarefas de forma autônoma.

Automação dá lugar a decisões delegadas

Para o executivo, a transformação vai além da automação de tarefas simples. A nova geração de agentes consegue receber um objetivo, tomar decisões em sequência e chegar a um resultado com menor necessidade de supervisão.

Esse avanço ajuda a explicar por que o viajante corporativo, que frequentemente precisa solucionar problemas com rapidez, estaria adotando essas ferramentas antes de uma parcela significativa do mercado.

Governança continua essencial

Apesar do avanço, Moura destaca que a adoção da IA precisa ser acompanhada de supervisão e governança. Os estudos sobre agentes de inteligência artificial ainda apresentam margens de incerteza, e taxas de sucesso não significam que as decisões possam ser totalmente delegadas à tecnologia.

A tendência, segundo o executivo, é desenvolver mecanismos de controle capazes de acompanhar a evolução da tecnologia sem impedir sua utilização em situações nas quais ela pode gerar ganhos de eficiência.

Busca por viagens fica mais direta

A pesquisa da Skift também aponta uma mudança no comportamento de quem pesquisa e escolhe viagens. O modelo tradicional, baseado na comparação de dezenas de resultados, começa a dar espaço a uma dinâmica de pergunta e resposta, na qual um assistente de IA apresenta recomendações mais direcionadas.

A transformação também pode alcançar a gestão corporativa de viagens, reduzindo a necessidade de navegar por múltiplas telas e tornando processos de decisão e compra mais rápidos e objetivos.