Com evento aberto ao público, amanhã na sede da Academia Pernambucana de Letras, o jornalista e crítico musical Carlos Eduardo Amaral lança o livro “À guisa de arcadas de rabeca e ponteados de viola: ensaio sobre a música armorial”, que propõe uma análise estética e crítica a partir do repertório estabelecido pela Orquestra Armorial de Câmara de Pernambuco e pelo Quinteto Armorial, nos anos 1970.
Durante o lançamento, o autor distribuirá 200 exemplares com público presente, mediante preenchimento de formulário online no perfil @musicaarmorial, no Instagram. O livro foi produzido com incentivo do Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura).
A obra
Segundo o autor, “À guisa de arcadas de rabeca e ponteados de viola: ensaio sobre a música armorial” traz um estudo desde os antecedentes conceituais do movimento armorial contemplando ainda as obras de músicos contemporâneos, detacando a relevância do compositor fluminense César Guerra-Peixe, que, de acordo com Carlos eduardo Amaral, teve suas convicções musicais radicalmente modificadas após morar no Recife de 1949 a 1952.
Utilizando-se de símbolos imagéticos do universo armorial, o pesquisador apresenta um cenário que ressalta a presença de figuras de estilo, procedimentos composicionais, formas e gêneros na música armorial, dissertando também sobre o contexto que estabeleceu a instrumentação adotada pelos grupos armoriais.
Um dos pontos do livro é a descrição de fatos importantes para a formatação do movimento como ele foi popularizado, como a discordância pública entre o paraibano Ariano Suassuna e os cabeças de chave do grupo em relação à identidade do movimento armorial, que chegou a excluir instrumentos populares e propunha uma musicalidade notadamente barroca.
Ariano arregimentou músicos mais jovens e formatou o Quinteto Armorial, o que veio a ampliar as possibilidades musicais pretendidas por ele.
Para Amaral, ainda que eventualmente sejam promovidos eventos de revalorização do movimento armorial nas artes visuais e na literatura, há potencial para uma maior difusão e reflexão desse legado artístico.
“Embora muito associado à construção de imaginário despertada pelas idealizações de Ariano Suassuna, o movimento armorial agregou ou influenciou não poucos artistas, boa parte deles ainda em atividade”, comenta.
Bagagem
Carlos Eduardo Amaral é jornalista, pesquisador, crítico musical, escritor, compositor e arranjador. Colabora com a revista Continente desde julho de 2006 e atualmente coordena o projeto “Música na APL”, na Academia Pernambucana de Letras. Foi agraciado com a Medalha Biblioteca Nacional — Ordem do Mérito do Livro em 2022, pelas contribuições à cultura brasileira.
Assina mais de 30 obras para a orquestra sinfônica e formações de câmara e pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) publicou as biografias dos compositores Clóvis Pereira, Maestro Formiga, Maestro Duda, Getúlio Cavalcanti e Jota Michiles. Mais recentemente lançou “SaGrama: um álbum por escrito”, livro comemorativo aos 30 anos de trajetória do grupo.
SERVIÇO
Lançamento de “À guisa de arcadas de rabeca e ponteados de viola: ensaio sobre música armorial”
De Carlos Eduardo Amaral
Quando: 15 de agosto, às 15h
Onde: Academia Pernambucana de Letras – Av. Rui Barbosa, 1596 – Graças (acesso pela Av. Dr. Malaquias)
Preço: distribuição gratuita, mediante reserva pelo perfil do Instagram @musicaarmorial
Entrada gratuita, sujeita à lotação do auditório
