O Circuito Faísca chega a Olinda nesta sexta-feira (14) para iniciar uma etapa do projeto criado em Belo Horizonte (MG). Pela primeira vez, a iniciativa apresenta, fora de Minas Gerais, parte da programação dedicada ao Festival de Publicações Experimentais, tendo como ponto de partida a exposição “Quem Leu Leu”, do artista mineiro Preto Matheus, n’A Casa do Cachorro Preto. O evento se estende até sábado (15), com entrada gratuita, e a exposição permanece no espaço até 13 de setembro.
A trajetória começou como uma feira mensal em Belo Horizonte, entre 2015 e 2017, com 23 edições, e depois incorporou o formato de festival. Segundo a curadora Helen Murta, a chegada a outros estados procura ativar conexões entre diferentes núcleos da produção independente.
“Existe um circuito nacional dessas publicações, então eu acho que com cada um ali, cada agente, uma grande rede desses ‘livros estranhos’ circula, leva dessas ideias para outros lugares, faz suas articulações”, conta Helen, ao lembrar que as articulações locais fortalecem a rede como um todo.
Um livro que vira espaço de experiência
A exposição reúne o trabalho de Preto Matheus, cuja pesquisa cruza design, arte urbana e tipografia inspirada na pixação.
“Quem Leu Leu” nasceu como livro de artista, formado por páginas soltas acondicionadas em uma caixa, e reúne 67 poemas visuais produzidos ao longo de nove anos.
Em Olinda, o material ganha escala expositiva: as páginas são ampliadas e organizadas como painéis, criando um percurso em que o visitante precisa observar e decifrar as composições.
A escolha dialoga com a proposta da Faísca de ampliar a circulação de obras que escapam aos formatos editoriais convencionais.
“O livro do artista vira exposição. […] A gente tem tentado trabalhar esses formatos escondidos de livro com as exposições […] para poder justamente propor essas diversas formas de apreciação que o livro de artista e essas publicações trazem”, explica Helen. Ela também chama atenção para o caráter de “letramento visual” do trabalho, que propõe outras maneiras de enxergar o livro e a arte urbana.
Na sexta, às 19h, Helen e Preto Matheus participam do debate “O Enigma Visual”, sobre o processo do artista, a escrita experimental e diferentes possibilidades para as publicações. Ari Falcão faz a discotecagem.
Feira, conversa e improvisação musical
No sábado (15), das 13h às 19h, a feira Se Fizer Sol reúne artistas e microeditoras convidadas pela Titivillus Editora. O público encontrará livros de artista, zines, fotolivros, livretos, cartazes e outros impressos independentes. Às 16h, o debate “Páginas da Outra Dimensão” reúne Jão (também curador do Circuito Faísca), Raoni Assis e João Lin (editor de Arte da Folha de Pernambuco).
Às 19h, a música entra em cena com o Arranhando o Ruído, performance de livre improvisação de Cesar G. Berton, João Lin e Sérgio Godoy, com guitarra, baixo, teclado, sintetizadores, instrumentos preparados e manipulações eletrônicas e analógicas. A discotecagem do segundo dia fica a cargo de Gabriel Mago.
A escolha de Olinda está ligada, segundo Helen, às articulações construídas com agentes da cena local, entre eles A Casa do Cachorro Preto, a Se Fizer Sol e o Arranhando o Ruído, junto a uma rede de produtores de publicações independentes em todo o Brasil. “Fazer em conjunto também tem muito a ver com esse campo”, afirma.
Depois de Pernambuco, o Circuito Faísca segue para Goiânia (GO), em setembro, em parceria com a Feira Excêntrica de Publicações.
SERVIÇO
Circuito Faísca – Festival de Publicações Experimentais
Quando: sexta (14), das 18h às 22h; e sábado (15), das 13h às 22h
Onde: Casa do Cachorro Preto – Rua Treze de Maio, 99, Carmo – Olinda-PE
Entrada gratuita
Informações/Instagram: @faiscafestival
