Estudo aponta Recife como aeroporto brasileiro com melhor mobilidade terrestre; Confins aparece com maior dificuldade de acesso
O aeroporto internacional do Recife ocupa a primeira posição entre os aeroportos brasileiros avaliados pela empresa de tecnologia para transporte terrestre Mozio em um estudo divulgado nesta quarta-feira (12), sobre mobilidade terrestre após o desembarque.
No extremo oposto, o aeroporto internacional de Belo Horizonte, em Confins, aparece com o pior desempenho entre os terminais analisados.
A análise considerou tempo de deslocamento até a região central, variedade de transportes, custo médio da viagem e integração com a rede urbana, considerando opções como metrô, trem, BRT, ônibus municipais e intermunicipais, táxis, aplicativos de transporte e transfers.
O levantamento avaliou os principais aeroportos localizados nas capitais brasileiras a partir de quatro fatores: distância e tempo médio de deslocamento até o centro, quantidade de modais disponíveis, custo médio do trajeto e facilidade de integração com o transporte urbano.
Segundo a Mozio, o objetivo foi avaliar a mobilidade terrestre como parte da jornada do passageiro, considerando fatores que influenciam tempo, custo e previsibilidade do deslocamento entre o aeroporto e o destino final.
Os mais bem avaliados
Recife
O aeroporto internacional do Recife ficou em primeiro lugar. O terminal está localizado a cerca de onze quilômetros do Centro e possui conexão direta e coberta com o sistema de metrô, além de BRT, ônibus municipais, táxis, aplicativos e transfers.
Segundo o estudo, a integração ferroviária direta é o principal diferencial do aeroporto pernambucano. A tarifa indicada para o metrô fica entre R$ 5 e R$ 6, enquanto viagens por aplicativos são estimadas entre R$ 35 e R$ 50.
Entre os pontos negativos apontados estão os intervalos maiores do metrô fora dos horários de pico e a sinalização limitada em inglês para turistas estrangeiros.
Porto Alegre
O aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, ocupa a segunda posição, com distância aproximada de 10 km da região central.
O terminal possui ligação com a estação Aeroporto da Trensurb por meio do Aeromóvel. O sistema, entretanto, permanece fora de operação desde as enchentes de 2024.
Em abril, a recuperação do Aeromóvel foi incluída no Novo PAC, com investimento previsto de R$ 38,7 milhões. Conforme os dados apresentados pela Mozio, as obras têm duração estimada entre oito e doze meses após a assinatura da ordem de serviço, mas não havia data confirmada para a retomada da operação no momento da análise.
Sem o Aeromóvel, os passageiros precisam utilizar ônibus, táxis ou aplicativos para chegar à estação ferroviária ou seguir diretamente para outras áreas da cidade.
Fortaleza
O aeroporto internacional de Fortaleza aparece em terceiro lugar. O terminal está a aproximadamente 8 km do Centro e dispõe de ônibus municipais, táxis, aplicativos e transfers.
O estudo aponta a curta distância, a tarifa de ônibus de aproximadamente R$ 4,50 e os preços estimados de R$ 25 a R$ 40 para viagens por aplicativos como fatores que contribuem para o desempenho do aeroporto.
A ausência de conexão ferroviária e a possibilidade de congestionamentos nos horários de pico são apontadas como limitações.
Rio Branco
O aeroporto internacional de Rio Branco ocupa a quarta posição, também com aproximadamente 8 km de distância do Centro.
O terminal conta com ônibus municipais, táxis e aplicativos. A tarifa de ônibus indicada é de aproximadamente R$ 5, enquanto viagens por aplicativos custam, em média, entre R$ 30 e R$ 45.
A proximidade do Centro reduz o tempo de deslocamento, mas a quantidade menor de alternativas de transporte limita a integração com a rede urbana.
Santos Dumont
O aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, recebeu uma menção honrosa no levantamento, embora não tenha sido incluído no ranking por atender principalmente voos domésticos.
Localizado a aproximadamente 2 km do Centro do Rio de Janeiro, o terminal possui acesso ao sistema de VLT nas proximidades da área de desembarque. A conexão permite alcançar diferentes regiões da cidade por transporte público.
Os menos bem avaliados
Confins
No grupo de aeroportos com pior desempenho, o aeroporto internacional de Belo Horizonte (CNF) aparece na primeira posição. O terminal está a aproximadamente 40 km do Centro de Belo Horizonte, a maior distância registrada no levantamento.
As principais opções de transporte são ônibus executivos, táxis, aplicativos e transfers. A tarifa do ônibus executivo é estimada entre R$ 18 e R$ 35, enquanto viagens por aplicativos podem custar de R$ 90 a R$ 140.
A ausência de conexão ferroviária, combinada à distância e aos custos mais elevados do transporte individual, são os principais fatores apontados pela análise.
Natal
O aeroporto internacional de Natal, localizado em São Gonçalo do Amarante, aparece na segunda posição entre os aeroportos com maiores desafios de mobilidade.
A distância até o Centro é de aproximadamente 30 km e pode chegar a 40 km em relação às áreas de praia. O aeroporto dispõe de ônibus intermunicipais, táxis, aplicativos e transfers.
Apesar da tarifa de ônibus estimada entre R$ 5 e R$ 10, o estudo aponta que o deslocamento pode superar uma hora e meia. Para aplicativos, a estimativa varia de R$ 80 a R$ 120.
Palmas
O aeroporto de Palmas ocupa a terceira posição no grupo de menor desempenho. O terminal está a aproximadamente 20 km do Centro e possui ônibus municipais, táxis, aplicativos e transfers.
A análise aponta baixa frequência e número reduzido de linhas de ônibus. Com isso, passageiros podem depender de transporte individual, com custos estimados entre R$ 50 e R$ 80 para viagens por aplicativos.
Galeão
O aeroporto internacional do Rio de Janeiro aparece na quarta posição entre os terminais com maiores desafios de transporte terrestre.
Localizado a aproximadamente 20 km do Centro e cerca de 25 km da Zona Sul, o Galeão dispõe de BRT integrado ao metrô, ônibus executivos, táxis, aplicativos e transfers.
A tarifa estimada para BRT e metrô fica entre R$ 8 e R$ 10. Para aplicativos, o estudo aponta valores entre R$ 60 e R$ 110.
A necessidade de integração entre BRT e metrô, o trânsito nas vias de acesso e a distância das áreas turísticas da Zona Sul são apontados como fatores que reduzem a conveniência do deslocamento.
Metodologia
O levantamento brasileiro foi elaborado a partir dos quatro critérios definidos pela empresa: tempo médio de deslocamento, variedade de modais, custo médio e integração com a rede de transporte urbano.
A análise indica diferenças relevantes entre os aeroportos brasileiros no acesso ao transporte urbano. Terminais próximos aos centros e com conexão direta a sistemas ferroviários tendem a reduzir o número de etapas necessárias para completar o deslocamento.
Em aeroportos mais afastados, a disponibilidade limitada de transporte público e a dependência de automóveis, táxis ou aplicativos podem elevar tanto o tempo quanto o custo da viagem.
