A atriz pernambucana Juliana Zancanaro esteve em sua terra, Recife, dia desses, como visitante. Ela mora em Brasília (DF). E especificamente na Caixa Cultural, Bairro do Recife, é claro que ela passou pelo seu habitat artístico, o palco, e prometeu que voltaria com um espetáculo.
E assim o fez. Desta quinta (13) até domingo (16) o monólogo “Diatribe de Amor” – peça escrita por Gabriel Garcia Márquez (1927-2014), a única do autor colombiano para o teatro – será apresentado no equipamento cultural e com todos os ingressos esgotados, inclusive para a sessão extra.
Apesar de um monólogo, dois atores estão em cena. Um deles, no entanto, revela-se um marido inerte. Na contramão da letargia está Zancanaro, que faz as vezes de Graciela Jaraiz de la Vera, uma mulher em preparativos para suas bodas de prata.
Na narrativa ela conversa com o público e compartilha passagens em meio a ressentimentos e reflexões acerca dos 25 anos de seu relacionamento. Ao mesmo tempo em que se ouve e já sabe que aquela será a derradeira festa de seu casamento.
A montagem no Recife leva ao palco o ator ‘da terra’ Mabson Alexandre. Em cada cidade em que é apresentada, aliás, a personagem Graciela tem um ‘marido diferente’ – uma curiosidade do espetáculo que é dirigido por André Aires.
“Diatribe significa uma briga quase unilateral (…) Uma metáfora clara das relações em que, por vezes, as pessoas não se conversam”, comenta a atriz, em conversa com a Rádio Folha.
A propósito, o espetáculo é aberto com uma das frases célebres de Gabriel Garcia Márquez, ao escrever a peça: “Nada se parece tanto com o inferno como o matrimônio feliz”. Juliana Zancanaro explica que isso é dito no sentido de que um matrimônio é feliz para quem está de fora, mas para os envolvidos, são duas pessoas que mal se falam, sequer trocam entre si.
Para casais
Sobre o mote da peça gerar reflexões à plateia, há finais que podem ser felizes, inclusive, para casais que desejem assistí-la.
“Já tive depoimentos de pessoas que viram e conversaram uma madrugada inteira, logo em seguida”, garante Juliana.
Ela complementa sobre o quão atemporal é a temática assinada pelo escritor colombiano, embora produzida nos anos de 1970.
“A primeira vez que li achei que seria sobre uma relação antiga, um formato antigo, mas isso acontece demais nos dias atuais… inclusive ficar se arrastando em um lugar que não te serve mais, é uma ação comum e pode ser em qualquer relação.
Conversas difíceis podem tornar a vida mais fácil”, pontua ela que, em Brasília desde muito, já não carrega um sotaque excessivamente pernambucano, apesar de ter garantido: “O oxente eu nunca perco”.
SERVIÇO
“Diatribe do Amor”, de Gabriel García Marquez
Por Juliana Zancanaro, como Graciela Jaraiz de la Vera
Quando: de quinta-feira, 13 a sábado, 15 de agosto, às 19h30
Onde: Caixa Cultural Recife – Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Ingressos para sessão de domingo (16), disponíveis a partir desta quinta, meio-dia, no site da Caixa CulturalInformações: @zancanaroju // @taofilmes // @caixaculturalrecife
