Avião de pesquisa da NASA acompanhou a sombra da Lua sobre a Islândia para ampliar a observação da coroa solar durante o eclipse total
A bordo de um jato capaz de voar duas vezes mais alto que os aviões comerciais, cientistas da NASA perseguiram a sombra da Lua sobre a Islândia durante o eclipse solar total desta quarta-feira (12). A missão com o WB-57 prolongou o tempo de observação e permitiu registrar fenômenos ainda pouco compreendidos na coroa, a atmosfera externa do Sol.
Durante a missão o WB-57 voou a cerca de 15.200 metros de altitude e 740 km/h para registrar fenômenos na o eclipse solar. Um conjunto científico instalado no nariz da aeronave reúne quatro câmeras capazes de produzir aproximadamente 20 imagens por segundo em diferentes comprimentos de onda da luz visível e infravermelha. Ao acompanhar o deslocamento da sombra lunar, o WB-57 pode observar a coroa durante quase três minutos. Em solo, a duração máxima da totalidade seria de dois minutos e 18 segundos.
A diferença de menos de um minuto é relevante para a pesquisa porque permite acompanhar estruturas e transformações rápidas que poderiam escapar em observações convencionais. Entre os objetivos estão o estudo das protuberâncias solares, dos fluxos de material na coroa e da relação entre essa região e o vento solar.
Voo acima da maior parte da atmosfera
A altitude operacional do WB-57 permite voar acima das nuvens e de grande parte do vapor d’água presente na atmosfera terrestre. Além de reduzir turbulências e interferências nas imagens, essa condição permite captar faixas do infravermelho absorvidas antes de alcançarem instrumentos instalados no solo.
Os dados poderão ajudar a investigar um dos principais problemas ainda sem resposta na física solar. Embora esteja mais distante do núcleo, a coroa atinge temperaturas próximas de um milhão de graus Celsius, muito superiores às registradas na superfície visível do Sol. Ondas magnéticas e pequenas liberações de energia, conhecidas como nanoflares, estão entre as hipóteses estudadas para explicar o aquecimento.
Durante o eclipse total de 2017, dois WB-57 foram empregados em uma operação semelhante sobre os Estados Unidos. Naquela campanha, os aviões captaram imagens de alta velocidade da coroa e fizeram observações térmicas de Mercúrio. A plataforma voltou a cumprir esse tipo de missão no eclipse de abril de 2024.
Instrumentos foram ajustados
A campanha de 2026 aproveitará a mesma configuração básica usada há dois anos, mas incorporará ajustes nas câmeras e no processamento dos dados. Os tempos de exposição foram revistos para evitar a saturação de estruturas mais brilhantes, problema identificado em parte das imagens anteriores.
Segundo a NASA, cada eclipse oferece condições diferentes porque a atividade e a configuração magnética do Sol mudam continuamente. A faixa de totalidade desta quarta-feira atravessou o norte da Rússia, a Groenlândia, a Islândia, o Atlântico, a Espanha e uma pequena área de Portugal. Outros pontos do Hemisfério Norte viram apenas o eclipse parcial.
