O BTS ganhou destaque em uma análise publicada pelo jornal The New York Times após anunciar que não submeterá o álbum Arirang à disputa pelo Grammy Awards de 2027. O jornal classificou o grupo sul-coreano como “possivelmente o maior fenômeno musical do mundo desde Michael Jackson” ao discutir o impacto do septeto na indústria e a decisão de se retirar da premiação.
A manifestação acontece após a Recording Academy anunciar a criação da categoria Best Asian Pop Music Performance, que passará a reconhecer trabalhos de pop asiático, incluindo K-pop, J-pop e C-pop.
A medida foi recebida com críticas por parte de fãs e observadores da indústria, que questionam se a divisão por origem e idioma pode acabar afastando artistas asiáticos das principais categorias do Grammy.
Por que o BTS ficou fora do Grammy?
Os sete integrantes anunciaram simultaneamente, em suas redes sociais, que não enviariam músicas para avaliação na próxima edição da premiação. No comunicado, o grupo afirmou: “Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma.”
Embora o BTS não tenha citado diretamente a nova categoria como motivo da decisão, o anúncio ocorreu pouco depois da mudança nas categorias do Grammy e foi amplamente interpretado como uma reação à criação do prêmio de pop asiático.
A Recording Academy, por sua vez, afirma que a novidade tem como objetivo reconhecer a expansão e a diversidade da música produzida na Ásia, e não impedir que esses artistas concorram nas categorias gerais.
O grupo já possui um histórico de participação na premiação. O BTS se tornou o primeiro grupo de K-pop indicado ao Grammy, em 2019, e acumulou indicações em diferentes categorias, mas nunca venceu o prêmio.
Comparação com Michael Jackson
É justamente nesse contexto que o New York Times amplia a discussão para além do Grammy. O artigo compara a trajetória do BTS com a de Michael Jackson e argumenta que ambos enfrentaram obstáculos relacionados à forma como a indústria definia quem poderia ocupar o centro do mercado pop.
O jornal relembra que Off the Wall, lançado por Jackson em 1979, ficou fora das principais categorias do Grammy em 1980. A publicação também cita a resistência que artistas negros encontraram para conquistar espaço em veículos e plataformas que tinham grande influência sobre o mercado americano.
Para o jornal, o BTS possui atualmente uma influência capaz de colocar em xeque essas estruturas.
Afinal, o que é considerado pop?
Mais do que discutir uma categoria específica, o texto questiona os critérios utilizados pela indústria para definir o que pode ser considerado música pop. O New York Times argumenta que o gênero não possui características musicais rígidas e que estilos diferentes podem assumir o rótulo de pop quando conquistam o grande público.
O artigo também aborda o histórico de separação racial e mercadológica da indústria fonográfica americana. Segundo a análise, artistas negros foram frequentemente afastados dos espaços classificados como mainstream, mesmo quando produziam músicas semelhantes às de artistas brancos que eram aceitos no mercado pop.
A questão central seria entender se classificações baseadas em origem, idioma ou identidade cultural podem limitar o acesso de determinados artistas ao mercado mais amplo.
Taylor Swift entra na discussão
A comparação com Michael Jackson também provocou repercussão entre fãs de outros grandes nomes da música atual, especialmente de Taylor Swift. Parte dos admiradores da cantora questionou a ausência dela na análise do New York Times sobre os maiores fenômenos da música contemporânea.
A discussão nas redes sociais contrapôs diferentes formas de medir impacto na indústria: de um lado, os números comerciais, vendas, turnês e alcance de Taylor; de outro, a influência internacional do BTS e o papel do grupo na expansão do k-pop para além do mercado asiático.
A publicação, entretanto, não apresentou a comparação como um ranking formal entre artistas. O objetivo do artigo foi utilizar a trajetória de Michael Jackson como referência histórica para discutir o tamanho do impacto do BTS e sua capacidade de desafiar estruturas estabelecidas na indústria musical.
