IA, segurança, sustentabilidade, integração de processos e liderança devem orientar a evolução das viagens corporativas em 2027
A inteligência artificial (IA), a segurança do viajante, a sustentabilidade, a integração de processos e o desenvolvimento de lideranças devem estar entre os principais vetores de transformação do mercado de viagens e eventos corporativos em 2027.
A avaliação é da Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), a partir dos debates realizados na GBTA Convention 2026, realizada entre 3 e 5 de agosto, em Chicago, nos Estados Unidos.
O evento reuniu discussões sobre tecnologia, gestão, segurança, sustentabilidade e experiência do viajante, em um cenário no qual os gestores de viagens passam a participar de decisões relacionadas à estratégia, aos riscos e à eficiência operacional das organizações.
Mercado brasileiro
Dados apresentados pela Global Business Travel Association (GBTA) durante a convenção indicam que o Brasil deverá movimentar US$ 35,8 bilhões em viagens corporativas em 2026, cerca de R$ 183 bilhões pela conversão utilizada no material. O país aparece com a maior projeção de crescimento entre as quinze maiores economias globais do setor.
Para a Alagev, o avanço do mercado amplia a necessidade de estruturas capazes de administrar viagens corporativas de forma integrada, considerando custos, segurança, sustentabilidade e experiência do viajante.
Inteligência artificial
Entre as aplicações discutidas para a inteligência artificial, estão automação de processos, atendimento ao viajante, prevenção a fraudes, análise de dados, pagamentos, organização de eventos e personalização da experiência durante as viagens.
A adoção da tecnologia também foi associada a questões de governança, segurança da informação e uso responsável da IA. O foco do mercado, segundo a avaliação da Alagev, passa da discussão sobre potencial tecnológico para a implementação de aplicações capazes de gerar ganhos operacionais.
Segurança e integridade do viajante
A integridade do colaborador foi apontada como um dos eixos centrais da gestão de viagens corporativas. A expansão dos riscos relacionados ao ambiente geopolítico, mudanças regulatórias, imigração e segurança exige que os programas de viagens estejam preparados para responder a situações de instabilidade.
Nesse contexto, o conceito de duty of care, relacionado à responsabilidade das empresas pela segurança e pelo bem-estar de seus colaboradores durante deslocamentos profissionais, ganha relevância.
A experiência do viajante também passa a integrar esse processo. Comunicação durante a jornada, suporte, simplificação de procedimentos e atenção ao bem-estar são tratados como componentes de programas de viagens voltados à segurança, produtividade e continuidade operacional.
Sustentabilidade e aviação
A sustentabilidade foi discutida além dos aspectos ambientais, com maior associação a eficiência operacional e competitividade. Descarbonização, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), indicadores ESG e emissões de carbono passaram a ser considerados elementos relacionados à gestão dos programas de viagens.
Para o setor aéreo, a incorporação do SAF e de métricas de emissões aos critérios de avaliação das viagens corporativas pode ampliar a participação de indicadores ambientais nas decisões de compra e gestão de deslocamentos.
A tendência identificada pela Alagev é de que indicadores de sustentabilidade sejam incorporados progressivamente aos mecanismos utilizados para medir o desempenho dos programas de viagens corporativas.
Integração de processos
A fragmentação dos processos permanece como um dos desafios operacionais para as empresas. Entre os problemas discutidos durante a convenção estão tarifas hoteleiras não adquiridas, dificuldades de conciliação de pagamentos e a utilização de diferentes plataformas para etapas de uma mesma operação.
A resposta apontada pela Alagev envolve a integração de sistemas e a simplificação dos fluxos de trabalho. Soluções conectadas podem reduzir retrabalho, custos operacionais e perda de informações ao longo da jornada do viajante.
A tendência também acompanha o avanço da automação, já que sistemas integrados fornecem uma base mais consistente para aplicações de inteligência artificial, análise de dados e gestão de pagamentos.
Liderança humana
Mentoria, influência, autoridade, desenvolvimento de equipes e resiliência foram apresentados como competências relevantes para profissionais que lideram organizações em ambientes com maior presença de tecnologia.
