Leandro Pimenta revela como fazer da X.one uma extensão internacional das agências brasileiras no mundo (Divulgação)

A experiência de mais de uma década à frente da tg.mob levou Leandro Pimenta a identificar uma dificuldade recorrente entre as agências brasileiras: a complexidade de colocar de pé, fora do país, projetos que envolvem diferentes fornecedores, mercados e particularidades locais.

Foi a partir dessa percepção que nasceu a X.one, DMC criada para atuar ao lado das agências brasileiras em operações internacionais. A proposta é assumir parte da complexidade dos projetos no exterior e permitir que as agências mantenham o foco no relacionamento com seus clientes.

À frente da tg.mob e agora também da X.one, Pimenta aposta em uma operação internacional que combine conhecimento local e compreensão das necessidades do mercado brasileiro. Em entrevista ao Mercado & Eventos, ele explica como a experiência acumulada com as agências levou à criação da nova empresa, fala sobre os desafios das operações internacionais, o papel da X.one no desenvolvimento de novos negócios e a visão para os próximos cinco anos.

Mercado & Eventos: Você já está à frente da tg.mob. O que a experiência construída nos últimos anos mostrou sobre o mercado e que acabou dando origem à X.one?

Leandro Pimenta: Estar à frente da tg.mob me colocou muito próximo das agências e da operação de grandes eventos. E, nesse processo, comecei a perceber uma dor que aparecia com frequência: quando o projeto saía do Brasil, a complexidade aumentava muito.

Não era apenas uma questão de transporte ou de encontrar fornecedores. Estamos falando de legislações diferentes, culturas, moedas, fusos horários, formas de negociação e padrões de serviço que mudam completamente de um destino para outro. Foi olhando para essa necessidade que nasceu a X.one. Ela é uma empresa independente da tg.mob, com estrutura, equipe e operação próprias, criada para ser uma DMC global voltada ao mercado brasileiro.

Trouxe para a X.one profissionais com experiência nos Estados Unidos, Europa e América Latina, além de uma estrutura no Brasil que entende como as nossas agências trabalham e o nível de resposta que elas esperam. A ideia é simples: o projeto pode acontecer em qualquer lugar do mundo, mas a agência brasileira precisa sentir que tem alguém do lado dela, falando a mesma língua e entendendo sua forma de trabalhar.

Mercado & Eventos: Qual é hoje a principal dor de uma agência brasileira quando ela decide realizar um evento fora do país?

Leandro Pimenta: Acredito que a maior dor seja transformar um projeto que parece incrível no PowerPoint em uma operação que realmente funcione no destino. Quando uma agência vai realizar um evento ou incentivo fora do Brasil, ela precisa construir rapidamente uma cadeia de fornecedores em um mercado que nem sempre conhece profundamente. Transporte, hotéis, restaurantes, experiências, receptivo, produção e logística precisam conversar entre si. A X.one nasce justamente para assumir essa complexidade local. Queremos ser o braço da agência no destino.

Em vez de ela precisar administrar diversos fornecedores, idiomas, pagamentos e particularidades locais à distância, encontra na X.one um ponto de contato que entende o mercado brasileiro e coordena toda essa cadeia. Isso também deixa muito claro o nosso posicionamento: não queremos o cliente final da agência. Nosso cliente é a agência. Queremos ajudá-la a entregar melhor, com mais segurança e capacidade de escala.

Mercado & Eventos: O que uma agência ganha ao ter uma DMC ao seu lado, em vez de construir toda essa operação sozinha?

Leandro Pimenta: Ela ganha principalmente tempo, conhecimento local, capacidade de resposta e redução de risco operacional. Montar uma rede do zero em cada país exige pesquisa, negociação, homologação, relacionamento e, muitas vezes, tentativa e erro. Quando existe uma DMC estruturada, parte importante desse caminho já foi percorrida.

Mas existe outro ponto que considero fundamental: padrão de entrega. Não podemos imaginar que Chicago, Paris, Buenos Aires ou Cidade do México funcionem da mesma maneira. Cada mercado tem suas particularidades e precisamos respeitá-las. O que deve ser igual é o padrão X.one de atendimento, controle, comunicação e acompanhamento.

Por isso, estamos construindo processos de homologação de fornecedores e critérios operacionais que possam acompanhar a expansão da empresa. Global para mim não significa fazer tudo igual. Significa conseguir entregar uma experiência consistente, respeitando a realidade local.

Mercado & Eventos: Como a X.one pode ajudar as agências brasileiras a ampliar seus negócios internacionais?

Leandro Pimenta: Quero que a X.one seja, acima de tudo, uma facilitadora para as agências brasileiras. Muitas vezes, a oportunidade de realizar um evento ou incentivo internacional existe, mas a complexidade de operar em outro país pode acabar se tornando uma barreira. É justamente aí que queremos entrar.

Podemos apoiar a agência desde o início, ajudando na construção do projeto, pesquisa de destinos e experiências, viabilidade, orçamento, fornecedores e desenho da operação local. A ideia é facilitar o caminho para que ela tenha mais segurança para apresentar novas possibilidades aos seus clientes e, consequentemente, ampliar seus negócios internacionais.

Quero que a agência possa chegar para a X.one e dizer: “Tenho esse desafio. Como podemos fazer?”. E nosso papel será encontrar as melhores soluções, conectar os parceiros certos e dar toda a retaguarda necessária para que aquele projeto aconteça.

No final, nosso trabalho é simplificar o que é complexo. A agência continua à frente da relação com o cliente e a X.one oferece o conhecimento e a estrutura internacional necessários para transformar o projeto em uma entrega segura e bem executada.

Mercado & Eventos: O que significa personalização quando falamos de viagens de incentivo e experiências corporativas?

Leandro Pimenta: Para mim, personalização não é colocar o nome da pessoa em um brinde. É entender por que aquele grupo está viajando e criar uma experiência a partir disso. Uma viagem de incentivo precisa gerar memória. O participante pode esquecer qual era o modelo do ônibus ou o horário de determinado transfer, mas dificilmente esquece uma experiência que realmente o surpreendeu.

Por isso, queremos trabalhar muito a cultura e as possibilidades de cada destino. Gastronomia, experiências exclusivas, acesso a espaços diferentes, entretenimento, esporte, arte e experiências que normalmente aquele viajante não conseguiria acessar sozinho. É aí que entra o conceito de WOW que queremos trazer para a X.one. Não é luxo pelo luxo. É criar momentos que façam sentido para aquele público e para o objetivo da empresa.

Quando isso acontece, a viagem deixa de ser apenas uma premiação e passa a ser uma ferramenta de relacionamento, reconhecimento e conexão.

Mercado & Eventos: Qual é a ambição da X.one para os próximos cinco anos?

Leandro Pimenta: Eu sou ambicioso quando penso em negócios, mas também acredito que crescimento precisa vir acompanhado de estrutura, qualidade e consistência. Quero que, daqui a cinco anos, quando uma agência brasileira pensar em realizar um evento, uma convenção ou uma viagem de incentivo fora do Brasil, a X.one esteja naturalmente entre as empresas que ela considera para operar esse projeto.

Mas existe uma coisa muito clara para mim: a X.one não precisa brilhar. Quem precisa brilhar é a agência.

Nosso papel é estar nos bastidores e entregar com excelência para que a agência tenha segurança, tranquilidade e seja reconhecida pelo cliente final pelo sucesso daquele projeto.

E não queremos que excelência seja apenas uma promessa de marca. Por isso, teremos uma pesquisa de satisfação após cada entrega, criando indicadores que nos permitam acompanhar a percepção das agências, identificar pontos de melhoria e evoluir continuamente nosso padrão de serviço.

Minha visão para os próximos cinco anos é construir uma carteira recorrente de agências que enxerguem a X.one como uma extensão internacional de suas próprias equipes.

Se a operação for impecável, o cliente final reconhecer a agência e ela quiser levar a X.one para o próximo projeto, teremos cumprido nosso papel. Porque, no nosso modelo, quanto mais a agência brilha, mais sabemos que fizemos o nosso trabalho.