“O fato é que o afeto é a receita” de Lenine faz é tempo. Como cancionista, tal qual ele mesmo se intitula e/ou como andarilho dos próprios versos que, em sua forma peculiar de fazê-los música, tornam-se mantras. Que o diga “Eita”, lançado em novembro último, álbum com onze faixas inéditas que proclamam em forró, soul, percussão e outras texturas a (re)descoberta artística e pessoal de um dos nomes incontestáveis da música brasileira.
Nos palcos desde maio, o cantor e compositor pernambucano chega em seu habitat para show da turnê neste sábado (8), no Teatro Guararapes – ocasião em que o “Eita” que habita em cada um de nós, nordestinos em especial, poderá ser bradado literalmente alto e em bom som, sob a regência de quem trouxe a expressão em tantos tons e significados.
“O show em Recife ganha outras dimensões, pessoais, passionais, de amigos queridos. E tudo isso acontece numa noite em que a gente está apresentando ‘Eita’, então é carregado de emoção”, enaltece Lenine, em conversa com a Folha de Pernambuco.
Questionado sobre como se enxerga em “Eita” e como o público pode/deve reconhecê-lo, ele foi enfático ao afirmar que não consegue se distanciar a ponto de se olhar de longe, fincando o quanto sua identidade artística segue intacta e, portanto, reconhecível em qualquer palco e a qualquer tempo.
“Meu trabalho continua sendo autoral, é fruto das minhas pesquisas e de meus caminhos e tudo tem a ver com o cancionista que eu sou. Eu sou um cancionista”, complementa.
Para cantar junto
Para o repertório da noite, Lenine vai percorrer as faixas do disco – também proposto como um trabalho audiovisual – pensado em diálogo entre pai e filho. É de Bruno Giorgi a produção do álbum e foi com ele que a compilação de canções foi costurada para o show.
“Tem mais da metade de outras canções, tem um pouco de cada obra que fiz, de cada disco, está muito bem representado, além das canções que tiveram mais exposição e as pessoas esperam que eu cante para cantarem juntos comigo.
Ele é o bastante para dividir com as pessoas todas essa questão temporal, de permanência, há tantos anos fazendo o que eu faço”, adianta Lenine, que sobe ao palco ao lado de Bruno, à frente também do baixo, Pantico Rocha (bateria), Gabriel Ventura (guitarra), Henrique Albino (sopros) e Negadeza (percussão).
Na estrada
O show no Recife encerra uma primeira fase da turnê de “Eita”. Daqui ele segue para terras argentinas e retorna em seguida para enveredar em outros palcos, em todos eles, como deseja. “Vou ficar pelo menos um ano e meio na estrada, estreando o ‘Eita’ em todos os lugares, eu quero ir a todos os lugares”, enaltece o autor de rimas e vocabulários próprios, afetivos, viscerais e nordestinos e, portanto, universais.
“As pessoas reconhecem o que eu faço pelo conjunto de coisas, como uma maneira de fazer, de usar o instrumento, o violão, uma maneira de cantar, a questão das rimas e palavras do meu vocabulário (… )
As pessoas vão no ‘Eita’ reconhecer não só as minhas autoralidades como cancionista que sou, mas também como produtor que sou. Então… não mudou muita coisa. O que muda é a minha tentativa de sempre percorrer caminhos novos, na possibilidade de me levar a lugares outros”, poetiza Lenine.
SERVIÇO
Turnê “Eita”, de Lenine
Quando: Sábado (8), às 21h
Onde: Teatro Guararapes (Pernambuco Centro de Convenções)
Ingressos a partir de R$ 90 no site Cecon Tickets
Informações: (81) 4042-8400
