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Marcos Almeida transforma o instante em canção no novo single “Mística”

Marcos Almeida transforma o instante em canção no novo single “Mística”


O tempo desacelera em “Mística”. O novo single de Marcos Almeida, lançado nesta terça (4), aposta na construção paciente de uma experiência sonora que parte do quase silêncio e alcança um clímax de forte carga emocional.


Segunda amostra do álbum “Todo Santo Dia”, a faixa combina minimalismo, espiritualidade e afeto em uma composição que convida o ouvinte a permanecer no instante, em vez de atravessá-lo.


A estrutura sonora acompanha esse movimento. A abertura é mínima: cantos de pássaros, violão de timbre contido e uma interpretação que se aproxima do ouvinte quase em confidência.


A partir daí, a voz conduz uma sequência de perguntas sobre tempo, presença, memória e afeto. No ápice, a resposta ecoa como um manifesto espiritual: “É ali que Deus mora”. Em seguida, a própria música amplia esse horizonte ao completar: “E agora também/ Agora”.




Além da estreia nas plataformas digitais, “Mística” conta com videoclipe formado por registros da turnê “De Casa em Casa”, projeto em que Marcos troca os grandes palcos pelas salas de estar de admiradores.

Desde o fim de 2025, “Mística” já faz parte dessas apresentações intimistas, embora permanecesse inédita para o público em geral.


“Desde Novembro de 2025 eu tenho cantado Mística na turnê. Ninguém pode filmar ou gravar. Mas registramos cada uma das 32 casas até aqui e isso vai virar um clipe!”, revela o artista.


A série de apresentações retorna em setembro, com passagem pelo interior paulista, Minas Gerais, Goiás e Brasília… e para os fãs no Recife, notícias alvissareiras: Marcos Almeida chega à capital pernambucana no dia 3 de dezembro (uma quinta-feira).


Assinada pelo produtor Buzu e finalizada por Jordan Macedo, a gravação de “Mística” percorreu um longo caminho até alcançar o resultado desejado.


Foram mais de dez versões, diferentes configurações de arranjo, trocas de instrumentos e incontáveis horas de experimentação para encontrar uma sonoridade capaz de transmitir força sem abandonar a simplicidade.


“O Marcos tinha uma visão e a gente foi buscar essa visão, e enquanto não chegamos nela, não paramos de buscar”, resume Buzu.


Marcos explica que a primeira gravação feita ainda durante o processo criativo serviu como bússola para todo o trabalho:


“Certas canções já chegam com um arranjo muito claro na cabeça do compositor. Neste caso, a primeira gravação que eu mostrei pros meninos deixou uma primeira impressão muito forte, e nós tentamos retornar a ela.”



Os sons de pássaros presentes na abertura da faixa foram escolhidos após uma busca minuciosa pela espécie exata que evocava a lembrança desejada pelo compositor.


“Aqueles passarinhos que estão ali eu lutei pra ter, por uma questão afetiva, de lembrar daquele momento”, comenta Marcos.


O produtor recorda a pesquisa quase obsessiva que marcou essa etapa: “Eu lembro de uma sessão específica em que fiquei com o Marcos, durante umas duas horas, num site de passarinhos. A gente teve que pesquisar a região para saber qual era a espécie específica.”


Para Jordan Macedo, justamente a economia de elementos torna a produção mais exigente. “Quanto menos elementos a música tem, maior o protagonismo deles e a necessidade de estarem equilibrados e polidos do início ao fim.”


O engenheiro de mixagem também destaca a decisão de colocar a voz de Marcos em primeiro plano. “Eu trouxe um tom mais grave, uma voz gigantesca, ‘na cara’, porque o Marcos, apesar de modesto, é um grande cantor brasileiro e eu fiz questão de aumentar a voz dele.”


Antes mesmo do lançamento, “Mística” já havia conquistado certa aprovação: a composição recebeu o maior número de votos em uma audição virtual realizada com ouvintes mais próximos do cantor no Spotify, muitos deles anfitriões das apresentações da turnê “De Casa em Casa”.



A inspiração literária veio de “A mística do instante”, obra do poeta, cardeal e teólogo português José Tolentino de Mendonça, que reflete sobre a experiência do sagrado a partir dos sentidos.


Marcos reconhece a importância decisiva dessa leitura no nascimento da composição. “Ele praticamente colocou a bola, assim, na marca do pênalti, e falou: ‘Chuta aí, velho!’. Então eu devo muito a ele e à leitura da obra dele que fizemos no clube do livro.”


O compositor também compartilha a leitura feita pelo professor e poeta Márcio Capelli, responsável pela edição brasileira dos livros de Tolentino. “Quando mostrei essa música para o Capelli ele disse: você driblou o tempo, meu amigo, conseguiu esticar o agora, pra gente permanecer nele mais um pouco e contemplar o mistério.”


Depois de “Vai Ser Criança”, “Mística” amplia a travessia proposta por “Todo Santo Dia”. O álbum será formado por sete faixas, lançadas semanalmente, cada uma associada a um dia da semana.


A ideia é transformar a rotina em território de encantamento. “É um disco que acompanha o cotidiano. Você sai do trabalho, entra no ônibus, ou no carro, e no caminho de volta pra casa, encontra uma música que te devolve o encanto da vida comum”, resume Marcos Almeida.

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