Galeria reabre sem joias da Coroa e museu reforça medidas de segurança (Reprodução/Flickr/Kay Gaensler Photography – Creative Commons)

O Museu do Louvre voltou a receber visitantes na Galeria de Apolo, em Paris, nove meses após o roubo de joias da Coroa Francesa que expôs fragilidades no sistema de segurança da instituição. A reabertura do espaço ocorreu sem o retorno da coleção de joias, que passará a ser exibida em outro setor do museu, em uma área sem janelas e com nível de proteção reforçado.

Segundo a direção do Louvre, os visitantes podem novamente percorrer a galeria e observar sua arquitetura e decoração do século XVII, mas os objetos de maior valor histórico e financeiro foram transferidos para um novo espaço expositivo. A decisão faz parte das medidas adotadas após o assalto ocorrido em outubro de 2025. O diretor do Museu do Louvre, Christophe Leribault, informa que as joias e outros objetos de valor serão mantidos em um local mais seguro dentro do complexo.

A Galeria de Apolo é um dos ambientes históricos mais importantes do museu. Construída durante o reinado de Luís XIV, quando o monarca ainda era jovem, ela foi projetada pelo arquiteto Louis Le Vau e decorada pelo pintor Charles Le Brun com referências ao Sol, símbolo associado ao rei francês. O espaço também recebeu intervenções posteriores de artistas como Eugène Delacroix.

Historiadores apontam que a galeria serviu de inspiração para a criação da Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes, tornando-se um dos principais exemplos da arquitetura palaciana francesa preservados dentro do Louvre.

A ministra da Cultura da França, Catherine Pégard, afirma que a reabertura representa um novo momento para a instituição após o roubo. “Um trauma para o mundo inteiro.” Ela também anuncia que o governo francês reforçará os investimentos em segurança nos museus do país.

Museu do Louvre muda exposição das joias após roubo

Louvre reabre Galeria de Apolo após roubo de 102 milhões de dólares
Considerado o museu mais visitado do mundo, o Louvre recebe milhões de turistas todos os anos e abriga obras como a Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia e a Vênus de Milo, além de coleções que abrangem diferentes períodos da história da arte e da civilização (Reprodução/Flickr/Wally Gobetz)

O assalto ocorreu em outubro de 2025, durante o horário de funcionamento do museu. Segundo as autoridades francesas, dois homens estacionaram um elevador utilizado por empresas de mudanças em frente ao edifício, em plena luz do dia. Utilizando o equipamento, os suspeitos chegaram ao segundo andar do museu, quebraram uma das janelas da Galeria de Apolo e utilizaram esmerilhadeiras para abrir as vitrines onde estavam expostas as joias da Coroa Francesa.

Toda a ação durou menos de sete minutos. Após recolherem as peças, os criminosos deixaram o local em motocicletas conduzidas por dois comparsas. O roubo envolveu oito joias históricas pertencentes ao acervo do museu, avaliadas em aproximadamente € 88 milhões, valor equivalente a cerca de US$ 102 milhões, segundo as autoridades francesas. As investigações levaram à acusação formal de quatro pessoas suspeitas de participação direta no crime.

Os investigados permanecem presos preventivamente enquanto o processo segue em andamento. Até o momento, a maior parte das joias roubadas continua desaparecida. A única peça recuperada foi a coroa da imperatriz Eugénia, esposa de Napoleão III. O objeto foi encontrado danificado nas proximidades do museu e passa atualmente por um processo de restauração.

Christophe Leribault acredita que o episódio aumentará o interesse do público pela peça quando ela voltar a ser exibida. “Essa coroa será mais famosa do que era antes, assim como a Mona Lisa se tornou depois de seu roubo em 1911.” Segundo o diretor, quando retornar ao acervo permanente, a coroa ficará exposta em um ambiente maior e com novos sistemas de segurança.

Críticas à segurança provocaram mudanças na gestão

O roubo desencadeou uma série de questionamentos sobre a gestão da segurança do Museu do Louvre. Em fevereiro deste ano, Laurence des Cars deixou o comando da instituição após enfrentar críticas relacionadas ao assalto e também a paralisações promovidas por funcionários que reivindicavam melhorias salariais e nas condições de trabalho. Além das críticas internas, órgãos de fiscalização franceses apontaram desequilíbrios na destinação de recursos do museu.

Segundo o Tribunal de Contas da França, o Louvre vinha direcionando investimentos elevados para aquisição de novas obras de arte e para projetos de relançamento após a pandemia, enquanto destinava menos recursos à manutenção da infraestrutura e aos sistemas de segurança. Os auditores também observaram que apenas cerca de um quarto do acervo permanente do museu permanece em exposição ao público, enquanto milhares de obras permanecem armazenadas em reservas técnicas.

Após o roubo, a direção do Louvre iniciou uma revisão dos protocolos de proteção das coleções e anunciou mudanças na forma de exibição dos objetos considerados mais sensíveis. As novas medidas incluem o reposicionamento das joias históricas em áreas sem acesso por janelas, reforço dos sistemas de vigilância e revisão dos procedimentos de resposta a situações de emergência.

*Com informações de Reuters e Jewller Magazine.