Lufthansa Technik inicia testes da nova geração do AeroShark em um Airbus A319 de uma subsidiária da companhia aérea alemã
A Lufthansa Technik anunciou nesta quinta-feira (30), que iniciou os testes em voo da nova geração da tecnologia AeroShark utilizando um Airbus A319 (D-ABGK) da Lufthansa City Airlines, subsidiária regional da companhia aérea, tornando a aeronave o primeiro laboratório operacional do mundo para avaliação do novo revestimento aerodinâmico.
A campanha de testes seguirá até fevereiro de 2027 e avaliará cerca de setenta amostras transparentes do material, instaladas em diferentes áreas da fuselagem e das naceles dos motores, reproduzindo a microestrutura da pele de tubarão, com o objetivo de aprimorar a eficiência aerodinâmica e ampliar futuras aplicações da tecnologia em aeronaves comerciais.
O A319 opera voos regulares entre Munique e Hamburgo durante a campanha de ensaios. Aproximadamente setenta películas transparentes de 20 × 20 centímetros foram aplicadas nas laterais da fuselagem e nas partes interna e externa das carenagens dos motores.
Desenvolvido em parceria entre a Lufthansa Technik e a Surventis — anteriormente BASF Coatings —, o programa busca coletar dados em condições reais de operação para validar diferentes composições do material.
Para os passageiros, a modificação permanece praticamente imperceptível, já que as películas são transparentes. Um painel informativo instalado na entrada da aeronave identifica o avião como participante do programa de testes.
Objetivo
Atualmente, o AeroShark é certificado para aplicação na fuselagem e nas naceles de motores de aeronaves de longo curso. A nova fase de desenvolvimento pretende viabilizar o uso do revestimento também nas asas e nos estabilizadores horizontal e vertical, superfícies submetidas a cargas aerodinâmicas significativamente maiores.
Durante os próximos meses, as equipes técnicas avaliarão aspectos como resistência do material, facilidade de aplicação, processos de limpeza e remoção sem resíduos. As inspeções serão realizadas regularmente durante as paradas programadas da aeronave em Hamburgo.
Como funciona
O AeroShark utiliza uma película funcional composta por microestruturas conhecidas como riblets, inspiradas na pele dos tubarões. Essas ranhuras microscópicas, com aproximadamente cinquenta micrômetros de altura, são alinhadas ao fluxo de ar para reduzir o atrito aerodinâmico durante o voo.
A diminuição da resistência ao avanço resulta em menor consumo de combustível e redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂). Segundo a Lufthansa Technik, a tecnologia proporciona atualmente uma economia aproximada de 1% no consumo de combustível em cada voo das aeronaves equipadas.
Até o momento, o AeroShark permanece como a única tecnologia baseada em riblets aprovada para utilização na aviação comercial.
Frota com a tecnologia
Em julho, o Lufthansa Group contabiliza 22 aeronaves equipadas com o AeroShark, sendo doze Boeing 777-300 da Swiss International Air Lines, cinco 777F da Lufthansa Cargo, quatro 777-200 da Austrian Airlines e um 747-400 da Lufthansa.
Segundo os dados divulgados pela empresa, essa frota reduz diariamente cerca de dezenove toneladas de combustível e aproximadamente sessenta toneladas de emissões de CO₂.
