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Saci Wèrè transforma o apocalipse em canto de roda no álbum “Pra Ninar o Fim do Mundo”

Saci Wèrè transforma o apocalipse em canto de roda no álbum “Pra Ninar o Fim do Mundo”


Seis anos depois de apresentar “Cabeça Sem Tampa”, a Saci Wèrè retorna com um trabalho que encara as incertezas do presente sem abrir mão do humor, da celebração e da imaginação.

Disponível nas plataformas desde a última sexta (24), “Pra Ninar o Fim do Mundo” reúne oito faixas, cada uma com um videoclipe próprio, dirigidos por Gui Campos, Gabriel Pinheiro e Mihay, compondo uma experiência audiovisual que acompanha a narrativa do álbum.




A nova obra parte da percepção de que um ciclo histórico parece chegar ao esgotamento, mas troca o pessimismo pela invenção de futuros possíveis.


Em vez de anunciar catástrofes, o grupo aposta em canções que misturam espiritualidade popular, ritmos brasileiros e comentários ácidos sobre o tempo presente. O resultado passeia entre o ritual, a festa e a sátira, sem perder de vista a força do coletivo.


“Pra Ninar o Fim do Mundo nasceu da sensação de que a gente vive atualmente o colapso de um mundo. Em vez de responder a isso com desespero, escolhemos imaginar outro caminho. Ninar é acolher e cantar para atravessar a noite. Se esse mundo realmente estiver acabando, que seja pra nascer outro, e que seja ao som de música brasileira”, afirma o vocalista Chris Barea.


A abertura do disco acontece com “Ladainha”, inspirada nas rezas tradicionais ouvidas em Igatu, na Chapada Diamantina.


A faixa cria uma atmosfera onde memória, fé e imaginário se entrelaçam, conduzindo o ouvinte a um território em que o sagrado convive naturalmente com o cotidiano.


“Por um lado, ‘Ladainha’ fala de um lugar que existe. Por outro, de um lugar mítico, deslocado no tempo. É nossa pequena homenagem aos antigos”, explica Chris.


As oito composições percorrem diferentes maneiras de lidar com os impasses contemporâneos. Em “Hoje os Playboys Andam de Foguete”, a banda ironiza o fascínio de bilionários pela corrida espacial enquanto crises ambientais se agravam na Terra.


Martins participa de “Tempo Bom”, construída como uma prece banhada pela imagem de um mar sonhado desde o Planalto Central.


Já Flaira Ferro divide os vocais em “Manguinha”, delicada celebração das lembranças de infância e dos pequenos instantes de felicidade.


Talíz completa a lista de convidados em “Dilema”, mergulho nas inseguranças afetivas dos tempos atuais.


A combinação entre referências ancestrais e linguagem pop aparece também em “Os Seis Conselhos de Tilopa”, que leva ensinamentos atribuídos ao mestre budista para a pista de dança após nascer, curiosamente, de uma mensagem de spam.



Em “Para-normal”, um jogo de palavras desafia a lógica ao sugerir que, diante de uma sociedade em desequilíbrio, talvez a excentricidade seja um caminho para recuperar a sanidade. O encerramento fica por conta de “Rasteira de Jiboia”, que enfrenta os conflitos com malícia, ritmo e leveza.


A gestação de “Pra Ninar o Fim do Mundo” atravessou quatro anos de composição, gravação e finalização. Nesse período, a Saci Wèrè viveu a perda do diretor artístico Hugo Rodas, figura decisiva para a identidade cênica do grupo.


Em vez de interromper a caminhada, a despedida transformou-se em impulso para concluir o projeto. O espetáculo de lançamento preserva esse legado e ganha direção de Juliana Drummond, ex-aluna de Rodas.


Atualmente, a Saci Wèrè é formada por Alan Abacate (violão), Amanda Duarte (voz e percussões), Chris Barea (voz), Danilson Oliveira (baixo), Fernando Mazoni (bateria), Gui Campos (guitarra) e Hélio Devadatta (percussão).

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