Marco Nanini a trata como “musa”. De passagem pelo Recife para a montagem “Fim de Partida” – em cartaz no Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu, em Boa Viagem – em conversa com a Folha de Pernambuco, o ator recifense falou sobre o elenco da peça, inclusive sobre Helena Ignez, com quem contracena na adaptação da obra do irlandês Beckett.
“Estava no início de carreira, trabalhei com ela em 1968. Eu era estudante de teatro e fazia figuração. Ela era uma jovem belíssima. Ela é uma musa, né?”, ressalta Nanini.
E é sobre a atriz, diretora e cineasta baiana que a Nova Ocupação do Itaú Cultural vai discorrer até outubro, em exposição que percorre, em primeira pessoa, a liberdade criativa, a potência e a intensidade inerentes a Helena Ignez, 87.
Em ordem cronológica-biográfica, tal qual ocorre nas demais ocupações do equipamento, a mostra tem narrativa guiada pela voz da própria atriz, em caminho imersivo como condução do público.
Revolucionária
Entre os destaques, “A Mulher de Todos”. O filme, produzido no final da década de 1960, ocupa lugar central na exposição – que tem a concepção, realização e curadoria do Itaú Cultural, e consultoria da atriz Djin Sganzerla. Já o projeto expográfico é de Renata Mota e equipe do espaço.
Integram a Ocupação frames e trechos do longa, em cópia restaurada, com registros de Ângela Carne e Osso – uma ninfomaníaca que brinca com os homens, fazendo-os de gato e sapato, e tida, na época, como uma interpretação revolucionária do cinema brasileiro, em plena Ditadura Militar.
“Helena atravessa a história do cinema e do teatro modernos no Brasil, passando pelos períodos centrais do Cinema Novo, da belair e da experimentação radical”, pontua André Furtado, gerente de Criação e Plataformas.
Ele complementa, afirmando que Helena Ignez “é uma pessoa em constante reinvenção, que segue nessa trilha, firme e altamente criativa aos 87 anos”.
Uma premissa que leva a linha curatorial da mostra a inspirar-se em uma atriz antimusa, deixando prevalecer o mote da Ocupação a partir de sua produção e potência criativa.
Dessa forma, materiais históricos, registros inéditos, vídeos, fotos, documentos e trabalhos recentes de Ignez, perfazem a narrativa da exposição – que passa pelo cinema, teatro, pela direção, além da formação, encontros e experiências políticas, espirituais e humanas da atriz.
PROGRAMAÇÃO PARALELA
Junto à Ocupação no Itaú Cultural, até outubro é possível assistir a filmes dirigidos e/ou estrelados por Helena Ignez, por meio do endereço eletrônico do Itaú Cultural Play.
Com acesso gratuito, o conteúdo pode, inclusive, ser assistido na TV ou em dispositivos móveis, como celulares.
Helena Ignez em “A Grande Freira” (1961) | Crédito: DivulgaçãoHá, ainda, no decorrer da exposição, exibições presenciais de curtas e longas-metragens nos meses de setembro, no Cine Glauber Rocha, em Salvador, e de outubro, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo.
E a montagem “Savannah Bay”, de André Guerreiro Lopes, com Ignez no elenco, vai ser apresentada no equipamento em São Paulo, em outubro.
A “Ocupação Helena Ignez” está disponível, também, em publicação digital e em site com conteúdos exclusivos neste link.
SERVIÇO
Ocupação Helena Ignez
Quando: até outubro de 2026
Onde: Itaú Cultural – Av. Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo
Acesso gratuito
Informações: @itaucultural
