O retorno de Fitti ao palco do Teatro do Parque não é exatamente uma volta. É o reencontro entre um artista e a cidade que moldou sua identidade, agora mediado por um espetáculo que também amadureceu.
Nesta quinta (24), o cantor recifense apresenta uma nova versão de “Transespacial”, transformando o disco de estreia em uma experiência que acompanha as mudanças vividas por ele desde o seu lançamento.
Para Fitti, voltar à terra natal tem um significado especial. “Recife é a minha fonte. Eu sempre preciso estar aqui, vir em casa para poder recarregar”, resume o artista, lembrando que foi justamente no Teatro do Parque que realizou a pré-estreia de “Transespacial”. Agora, o retorno acontece com patrocínio da Natura Musical.
No palco, Fitti estará acompanhado de Juliano Holanda (guitarra), Vic Vilandez (baixo), Milla Bigio e Gilú (percussão), Lucas Araújo (bateria) e Vinicius Nogal (sanfona), além de contar com a participação especial da cantautora caruaruense Isabela Moraes.
O mesmo álbum, outro universo
Quem assistiu às primeiras apresentações de “Transespacial” encontrará um espetáculo diferente, avisa Fitti. O repertório permanece como eixo da narrativa, mas encenação, estética e interpretação acompanharam as transformações vividas pelo artista.
“A pessoa que assistiu ao meu show de pré-estreia não vai assistir ao mesmo show. É uma outra experiência”, afirma. Para Fitti, as músicas seguem em permanente mutação porque refletem seu amadurecimento. “A gente está sempre em transição. As músicas não são cantadas da mesma forma. Esse ser intergaláctico agora vem mais humanizado, mais gente.”
A identidade visual também mudou: reduziu parte da exuberância futurista para aproximar o artista do público, preservando a simbiose inovadora entre raízes nordestinas, synths e a acessibilidade da “MPB pop”.
Ney em versão “transnordestina”
Além das músicas de “Transespacial”, o público conhecerá releituras de “Fitti Canta Ney”, projeto em desenvolvimento, já com algumas apresentações. A ideia surgiu após o artista assistir ao filme “Homem com H”.
“Quando saí da sessão, falei: eu preciso muito fazer esse projeto”, recorda. A iniciativa recebeu a bênção de Ney Matogrosso, com direção artística de Marcus Preto e direção musical de Pupillo. Além das apresentações ao vivo, o projeto também prevê um álbum – um single, “Postal de Amor”, já foi lançado nas plataformas.
Fitti destaca que não pretende reproduzir o homenageado. “As pessoas saem do show dizendo: ‘você não faz igual a ele’. E a intenção nunca foi essa. Eu jamais faria. É ‘Fitti canta Ney’. É ‘Fitti homenageia Ney’.”
O resultado, segundo ele, é uma “versão transnordestina de Ney Matogrosso”, com novos arranjos e sotaque pernambucano preservado. “Se eu perder o sotaque, eu perco o meu RG.”
O reconhecimento como impulso
A apresentação também acontece após a conquista do prêmio de Artista Revelação no BTG Pactual da Música Brasileira, no mês passado.
“Vai ser uma comemoração em casa”, resume o cantor. Para ele, a premiação é um incentivo para seguir experimentando, mas o troféu também ganhou um significado íntimo.
“Quando falaram meu nome, o maior sentimento foi conseguir levar esse prêmio para ela. Consegui cumprir o que eu tinha prometido”, recorda, ao lembrar que compartilhou a conquista com a mãe antes de sua recente partida.
É com esse misto de celebração, transformação e afeto que Fitti retorna ao palco onde sua trajetória ganhou impulso, preservando a essência e revelando novas camadas artísticas.
SERVIÇO
Fitti – “Transespacial”
Quando: Sexta (24), às 19h30
Onde: Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife-PE
Ingressos: a partir de R$ 30, no Sympla | Lista Trans free: através de preenchimento de formulário online ()
Informações: (81) 99488-6833 /@fitti_____
