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Ao longo da carreira, Danton Mello já deu vida a personagens dos mais diferentes perfis. Em “A Nobreza do Amor”, ele interpreta Diógenes, banqueiro e homem mais rico da cidade, mas garante que a condição financeira nunca é o que mais chama sua atenção na construção de um papel. Para o ator, o que realmente importa é a história que cada personagem tem para contar.
“É bom fazer todos os papéis. Não importa a classe social, não importa o dinheiro que tem. Bom é contar a história”, afirma.
Na novela das seis, Diógenes é o homem mais bajulado de Barro Preto. É pai de Virgínia (Theresa Fonseca), a quem adora e mima, da pequena Aurelinda (Antonella Benvenuti), e é casado com Marta (Emanuelle Araújo).
“Ele é um homem apaixonado e amoroso com a família, mas deu de tudo para a Virgínia e perdeu a mão”, defende.
Você interpreta Diógenes em “A Nobreza do Amor”. Como define esse personagem?
Diógenes é o homem mais rico da cidade, mas o que mais me chamou a atenção não foi a posição social dele. É um homem profundamente apaixonado pela família, muito amoroso com a esposa e com as filhas. Ao mesmo tempo, essa dedicação acaba se transformando em excesso de proteção.
Ele dá tudo o que pode para Virgínia e, em determinado momento, percebe que perdeu a mão na forma de educá-la. É um personagem cheio de nuances, porque reúne carinho, responsabilidade e também falhas que têm consequências importantes na história.
A relação entre Diógenes e a filha é um dos pontos centrais da trama. O que essa dinâmica representa?
É um retrato de pais que, na tentativa de oferecer o melhor, acabam sendo permissivos demais. Diógenes e a esposa mimam a filha, colocam poucos limites e isso faz com que ela tome decisões cada vez mais graves.
A novela levanta uma discussão interessante sobre educação, responsabilidade e consequências. Como é uma obra aberta, a gente vai sentindo as reações do público de como esses pais reagem diante das escolhas da filha.
Mesmo sendo um homem poderoso, Diógenes não é construído apenas a partir da riqueza. Como você enxerga isso?
Nunca penso no personagem pelo dinheiro que ele tem. Para mim, o mais importante é a história que ele conta. Já interpretei pessoas de diferentes classes sociais e acredito que o desafio do ator está em compreender a essência humana daquele personagem. No caso do Diógenes, o dinheiro faz parte do contexto, mas o que realmente move suas ações são os sentimentos e a relação com a família.
O seu núcleo traz uma convivência com diferentes gerações. Como tem sido essa troca em cena?
Está sendo muito rica. Tenho enorme carinho pela Teresa e pela Duda, que são extremamente talentosas, dedicadas e profissionais.
É muito bonito ver essa nova geração chegando com tanta seriedade. Também gosto muito de trabalhar com crianças. A Antonella, que interpreta minha filha menor, é encantadora. Ela me faz lembrar do meu próprio começo na televisão, quando também era criança, e isso desperta um cuidado ainda maior durante as gravações.
Como assim?
Sempre que estou contracenando com uma criança, lembro do início da minha trajetória. Eu sei como essa fase é importante e procuro criar um ambiente acolhedor, dando atenção e incentivo. Tenho um carinho muito grande por esse tipo de trabalho justamente porque vivi essa experiência e conheço a importância que ela pode ter para quem está começando.
