Amigo de mais de uma década e sempre junto de Preta Gil, o apresentador Gominho diz que não há “um momento em que não pense nela”. A casa onde mora, no Rio de Janeiro, ele conta, é decorada com muitas peças da casa da amiga, cuja morte, em decorrência de um câncer, completa um ano nesta segunda-feira, dia do amigo.
Os laços entre os dois eram tão fortes que Gominho se mudou para a casa dela quando ela recebeu o diagnóstico, em 2023. Ele, Jude Paulla, Soraya Rocha e Duh Monteiro, apelidados de Diamonds, estiveram o tempo todo com a artista.
Por essa proximidade e dedicação, o grupo é um dos destaques do filme documental “Preta — Eu não ando só”, no ar na Tela Quente desta segunda-feira (20), e da série documental “Meu nome é Preta”, que tem o primeiro de quatro episódios disponíveis também nesta segunda-feira.
Em conversa com o Globo, Gominho falou sobre esse ano, os últimos momentos com Preta e como o grupo segue unido.
Um ano da morte
“Penso nela todos os dias. Primeiro, porque as pessoas não me deixam esquecer. Segundo, porque eu não quero esquecer. E terceiro: tudo me lembra Preta. Nos últimos 15 anos da minha vida, ela foi minha mãe, meu pai, minha irmã. E eu fui pai, mãe e irmão dela. A decoração da minha casa veio toda da casa dela. Há uma foto enorme na sala, e eu converso o tempo inteiro com aquela foto. Converso com ela dentro de mim. Não tem um momento em que eu não pense nela. E acho maravilhoso! O luto vai de cada um. No começo era bem difícil, mas, depois desse um ano, é um prazer sempre poder falar dela onde estou. Sempre que se fala dela, se fala da alegria, do astral. Então, vou falar até dizer chega.”
Filme documental
“Quando ela disse que queria gravar o tratamento, nada não havia mais Preta do que isso. Ela nunca teve medo ou vergonha de se expor, sempre entendeu o poder dos movimentos da vida dela como uma grande bandeira. Preta era uma bandeira de muitas frentes.”
Momentos de aflição
“Eu esquecia um pouco de filmar, não vou mentir (risos). Mas a gente filmava muito, e ela também se filmava. Os momentos mais difíceis eram quando ela não conseguia comer. A gente ficava tentando fazê-la se alimentar, mas ela não conseguia. Isso deixava a gente muito aflito.”
Lembranças inesquecíveis
“A grande recompensa desse processo era eu estar lá, para o bem ou para o mal. Foi a grande recompensa na minha vida e creio que, para ela, também foi. A gente já vivia juntos há tanto tempo, uma amizade de 15 anos. Era uma irmandade. Preta era uma mulher de muita gente, mas, nesses últimos três anos, poucas pessoas estavam mesmo ali junto. Era um privilégio viver com ela.”
Dia a dia do tratamento
“Preta era resiliente e sabia transmutar aquele caos e tristeza em positividade, esperança e piadas. Era surprendente. Os amigos próximos também fizeram parte disso, eu, Jude Paulla, Soraya Rocha, Malu Barbosa, Marcello Azevedo… A gente ficava muito na contenção, mas eu sempre fui o amigo do astral. Nunca fui de dar o remédio, não sabia trocar a bolsa (de colostomia), mas era quem fazia o astral dela estar no alto quando ela queria. Quando queria ficar quietinha, a gente ficava quietinho”.
Amigos unidos
“Nós éramos a família dela e ela, a nossa família. O que nos aproximava era a convivência, o amor mútuo. Um amor incondicional. A gente sempre cuidou um do outro, sempre orientando, chorando juntos. Uma simbiose, uma irmandade, uma coisa de alma. Preta foi minha grande irmã de alma. A gente mantém esse grupo forte até hoje porque foi ela que uniu. Nada mais lindo do que ser unido por ela. A gente tinha o mesmo humor, gostava das mesmas músicas, então os diálogos eram muito fáceis. Sem sombra de dúvidas, nosso encontro foi espiritual no grupo Diamond. Um foi a família do outro por muitos anos, por 15 anos. O que junta a gente é o laço do amor, se amar e amar gente.”
