Antes que Argentina e Espanha se enfrentassem na partida final da Copa do Mundo 2026, o ator Samuel L. Jackson foi às redes sociais pedir para que pessoas negras não torcerem para o time de Messi. Sua justificativa foi de que o país americano é historicamente racista.
A mensagem foi publicada pelo ator, de 77 anos, nos stories de seu perfil no Instagram no último domingo (19). Além de um breve texto, ele usou uma imagem de si mesmo no papel de Stephen, em “Django Livre”, manipulada para que o personagem apareça com uma blusa da seleção argentina. No longa-metragem de Quentin Tarantino, de 2012, esse vilão é um homem escravizado se sentia superior aos demais negros e buscava a aprovação de pessoas brancas.
“Caras pessoas negras… Por favor não torçam para a Argentina ganhar a Copa do Mundo da Fifa. A Argentina foi e tem sido um dos mais racistas países do mundo, se não o maior deles. Se você é uma pessoa negra e torce para a Argentina, é assim que você parece para mim”, diz a mensagem que o ator compartilhou em sua publicação.
Ao longo da Copa do Mundo, torcedores da Argentina protagonizaram episódios de racismo dentro dos estádios durante os jogos de sua seleção. Entre os casos mais emblemáticos estão episódios contra o influencer e YouTuber IShowSpeed. Ao acompanhar as partidas in loco, ele foi hostilizado e teve objetos lançados contra ele por parte de torcedores da La Albiceleste da arquibancada. Quando IShowSpeed acompanhava o jogo entre Argentina e Egito, um torcedor foi flagrado pelas câmeras da transmissão ao vivo da Fifa imitando um macaco na direção do influencer.
Após episódios durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, a Fifa, em nota, informou que uma investigação foi aberta.
A postagem de Samuel L. Jackson gerou uma série de protestos em seu perfil. Como a publicação foi feita nos stories, os seguidores recorreram a publicações no feed para comentarem sobre o posicionamento do ator. Além de mensagens sobre estarem desapontados com as falas de Jackson, muitas pessoas destacaram o racismo na história dos Estados Unidos, país de origem do ator, e de casos recentes.
“Chamar a Argentina de “o país mais racista do mundo” sendo dos EUA é o auge da ironia. Os EUA tiveram escravidão, segregação legalmente imposta até a década de 1960 e ainda enfrentam problemas com racismo e crimes de ódio hoje em dia. Critique incidentes específicos, se quiser, mas fazer generalizações absurdas não ajuda em nada. Talvez valha a pena dedicar um tempo para ler a história do seu próprio país primeiro. Aí sim podemos falar sobre a da Argentina”, escreveu um internauta.
“Generalizar sobre um país inteiro com mais de 45 milhões de habitantes devido às ações de alguns poucos é injusto e impreciso. O racismo existe em muitas sociedades, inclusive nos Estados Unidos, e deve ser condenado em toda parte. Se vamos ter essa conversa, que seja sem estereótipos ou dois pesos e duas medidas”, disse outro.
Outra pessoa destacou as intervenções dos Estados Unidos em países ao redor do mundo. Na fase final da Copa, o governo de Donald Trump voltou a atacar o Irã, incluindo com alvos civis durante os bombardeios.
“O mundo tem sofrido enormemente com guerras e conflitos que ceifaram inúmeras vidas inocentes e causaram sofrimento a muitos países. As intervenções militares e as políticas dos Estados Unidos, juntamente com as de outras nações poderosas, contribuíram para a instabilidade, a destruição e o sofrimento humano. A história nos recorda a importância da verdade, da responsabilização e da busca pela paz em detrimento do conflito. Os Estados Unidos realizaram intervenções militares em mais de 80 países — um total de cerca de 400 a 470 intervenções militares”, escreveu o internauta.
