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Já há um tempo, Pedro Bial vem se afastando do jornalismo convencional, como o que fazia como correspondente ou mesmo com apresentador do “Fantástico” e se aproximando cada vez mais do cronismo. O ponto de virada foi certamente os anos no comando do “Big Brother Brasil”, quando elaborava discursos emocionais para revelar os eliminados.
Ainda mantinha alguns elementos jornalísticos em iniciativas como o programa de debate “Na Moral” e até mesmo no “Conversa com Bial”, quando ainda alimentava o projeto de encabeçar um talk-show – que ocupou o espaço deixado por Jô Soares, mas sem a pretensão de cumprir a mesma função.
Agora, na décima temporada do programa, Bial se desvencilhou dessa obrigação e promoveu as mudanças mais profundas até agora.
Fora da casinha
“Conversa com Bial” deixou de ser diária para se tornar semanal e saiu do estúdio para ir a lugares que tivessem a ver com os entrevistados.
No dois episódios exibidos até agora, subiu em um palco com Fernanda Torres e foi a um boteco na Tijuca com os três comediantes remanescentes do Porta dos Fundos, João Vicente de Castro, Gregório Duvivier e Fábio Porchat. E a ideia não foi fazer uma entrevista, mas bater um papo, contar as histórias buscando detalhes pitorescos. Exatamente como se faz em um a crônicas.
Tanto em um ambiente quanto em outro, há a presença de plateia, seja nas poltronas do teatro, seja nas mesas adjacentes do boteco. E como sempre acontece, os presentes estão mais para claque do que para público.
Embora soe um tanto falso, pelas risadas rasgadas para falas nem tão engraçadas assim, funciona para estimular e alimentar a vaidade tanto dos convidados quanto do apresentador – afinal, de uma forma ou de outra, são todos artistas. A própria reverência de Bial quando entrou no palco para bater papo com Fernanda Torres é um comportamento de celebridade, não de um jornalista.
Menos entrevista, mais papo
Com a frequência semanal, o programa ganhou em consistência, com tempo para preparar intervenções pontuais, com exibição de cenas ou trechos de entrevistas, que acabam enriquecendo o conteúdo.
E esse novo formato também parece deixar o próprio Bial mais disponível para ouvir os convidados e pontuar menos. O que acaba fazendo com que o programa seja uma peça de entretenimento, e não de informação.
O finado Millôr Fernandes dizia: “Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Bial não questiona seus entrevistados como em um programa jornalístico. E nem quer. Ele conseguiu fazer do “Conversa com Bial” um programa leve, interessante e divertido. Como é a função de um cronista.
SERVIÇO
“Conversa com Bial” – Globo, terça-feira, 23h.
