O audiovisual produzido no Sertão do Pajeú ganha espaço na programação do Cinema São Luiz, no Recife, neste sábado (19), a partir das 16h, com a mostra “Olhares Afogadenses”.
A iniciativa apresenta cinco curtas-metragens realizados em Afogados da Ingazeira entre 2023 e 2025, todos viabilizados por meio da Lei Paulo Gustavo do município. A sessão tem entrada gratuita, com distribuição de ingressos uma hora antes do início, e será seguida por um bate-papo com os realizadores.
Idealizada pelo produtor e jornalista Leonardo Lemos, a mostra surgiu em abril deste ano para exibir, no Cine São José – tradicional cinema de rua de Afogados da Ingazeira –, obras produzidas por cineastas locais.
A proposta era aproximar o público das narrativas criadas na própria cidade e fortalecer a circulação do cinema realizado no interior pernambucano.
A chegada ao São Luiz representa a primeira apresentação da mostra na capital. Para Leonardo Lemos, a exibição simboliza um avanço na visibilidade da produção audiovisual sertaneja.
“Ocupar o Cinema São Luiz era um sonho, e que bom que o templo do cinema pernambucano está aberto ao audiovisual do interior, isso é fundamental para nosso desenvolvimento enquanto realizadores”, afirma.
A programação foi organizada sob o título “”Um Audiovisual para a Salvação”, reunindo os curtas “Aquilo que a Memória Amou” (18 minutos), de Silmara Marques; “A Ponte” (10 minutos), de Richard Soares; “Casinha de Mureta” (17 minutos), de Leonardo Lemos; “Cicatriz” (10 minutos), de Luciio Vinicius; e “Salam” (9 minutos), de Bruna Tavares. A classificação indicativa é livre.
Segundo o idealizador, o nome do programa dialoga com a identidade visual da mostra, inspirada na fachada do Cine São José. “Queria que o público entendesse como é vitorioso cinemas históricos que não viraram igrejas; e ao mesmo tempo, o quanto o audiovisual pode ser esse lugar de cura e salvação da alma”, explica.
Depois da estreia no Recife, “Olhares Afogadenses” seguirá em itinerância por outras cidades pernambucanas. A próxima parada será durante o Festival Pernambuco Meu País, em Caruaru, no dia 29 de agosto, com sessão na ETE Nelson Barbalho.
Também estão previstas exibições em Floresta, Serra Talhada, Triunfo e Petrolina até o fim do ano.
Leonardo Lemos destaca que a ampliação dos espaços de exibição é decisiva para consolidar a produção cinematográfica do Pajeú.
Segundo ele, Afogados da Ingazeira vem se firmando como um importante polo criativo, impulsionado por obras que conquistaram reconhecimento em festivais, como o curta “Lilith”, de Nayane Nayse, e o longa “O Bem Virá”, de Uilma Queiroz.
“Lutar por espaços de exibição de nossos filmes é fundamental, porque tal qual Pernambuco é a Meca do cinema, Afogados também é uma referência, apesar do pouco fomento público. De lá saíram filmes como o curta ‘Lilith’, de Nayane Nayse, e o longa ‘O Bem Virá’, de Uilma Queiroz, obras premiadas que, de alguma maneira, nos inspiraram e, inclusive, nos profissionalizaram. Não à toa nossos filmes, como ‘Salam’ ou ‘Casinha’ também acumulam prêmios. Isso é reflexo de nossa vocação mas, também, nossa originalidade para o cinema”, conclui.
