Chegadas de visitantes estrangeiros caíram 1,8% em relação ao ano anterior, enquanto demanda por viagens aéreas recuou pelo segundo mês consecutivo (Reprodução/FIFA)

A realização da Copa do Mundo não foi suficiente para impulsionar o turismo internacional nos EUA em junho. Dados divulgados pelo National Travel and Tourism Office (NTTO) mostram que o país recebeu cerca de 2,8 milhões de visitantes de mercados de longa distância (overseas) no mês, uma queda de 1,8% em relação a junho de 2025, apesar de o torneio ter começado em 11 cidades norte-americanas no dia 11 de junho.

O resultado reforça um cenário de desaceleração também observado na aviação. Tradicionalmente um dos meses mais movimentados para viagens nos Estados Unidos, junho registrou 24,6 milhões de embarques internacionais, volume 1,6% menor do que no mesmo período do ano passado. Foi o segundo mês consecutivo de retração na demanda aérea.

Segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a demanda global por passageiros caiu 2,2% em maio, enquanto a América do Norte registrou recuo de 0,8%. Entre os fatores apontados para a perda de ritmo estão o aumento dos preços do combustível de aviação e das tarifas aéreas em meio às tensões geopolíticas envolvendo a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã.

Apesar da queda no volume total de visitantes, o efeito da Copa foi percebido em alguns mercados específicos. O Reino Unido liderou o ranking de emissores de turistas de longa distância para os Estados Unidos em junho, com 331,5 mil visitantes, crescimento de 16,9% em relação ao mesmo mês de 2025. A Colômbia (+21,4%), o Equador (+54,9%), a Austrália (+5,6%) e o Japão (+5,2%) também registraram expansão.

Na contramão da tendência global, a América do Sul foi a única grande região emissora a apresentar crescimento. As chegadas de visitantes sul-americanos aumentaram 4% em junho, totalizando cerca de 502 mil turistas, enquanto no acumulado de 2026 o avanço chega a 5,5%.

Brasil segue enviando turistas aos EUA

O Brasil manteve posição de destaque entre os principais mercados internacionais. Em junho, o país enviou 146,5 mil visitantes aos Estados Unidos, ocupando a quinta colocação entre os maiores emissores de turistas de longa distância, embora tenha registrado queda de 10,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.

No acumulado do ano, entretanto, o desempenho permanece positivo: 960 mil brasileiros viajaram aos EUA entre janeiro e junho, alta de 0,8%, o que coloca o Brasil como o terceiro maior mercado emissor, atrás apenas do Reino Unido e da Índia.

Os dados também mostram que o número total de chegadas de não cidadãos norte-americanos alcançou 4,4 milhões, ligeira alta de 0,2% frente a junho de 2025. Já o movimento de saída perdeu força: cerca de 8 milhões de cidadãos dos Estados Unidos embarcaram para destinos internacionais no mês, uma queda de 3,2% na comparação anual.

O conjunto dos indicadores sugere que a Copa do Mundo gerou impacto positivo em mercados específicos, mas insuficiente para alterar a tendência de desaceleração das viagens internacionais aos EUA. A combinação de custos mais elevados para viajar e um ambiente econômico mais desafiador limitou os efeitos do maior evento esportivo do planeta sobre o fluxo total de visitantes estrangeiros.

Com informações de Skift e TravelPulse.