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Ayrton Montarroyos e Alaíde Costa: gerações de vozes se encontram no Teatro do Parque

Ayrton Montarroyos e Alaíde Costa: gerações de vozes se encontram no Teatro do Parque


De mãos para trás, de pé, plácido, tal qual o é/parece ser em dias comuns. Ayrton Montarroyos parecia ensaiar com Alaíde Costa – esta, sentada, de frente ao espelho que, a propósito, refletia também o cantor pernambucano – o clássico “Segredo”, de Herivelto Martins (1912-1992), cuja interpretação pela voz de Dalva de Oliveira (1917-1972) segue ‘sui generis’.

O registro, na rede social da artista carioca, foi feito do camarim do Teatro Riachuelo, em Natal (RN), antecipando o show no espaço, e que chega nesta sexta-feira (10) à noite ao Recife, no Teatro do Parque, em mais um Projeto Seis e Meia que, deveras, pode (e deve) ser uma das edições mais celebradas por quem aprecia o que há de virtuoso na atualidade da música brasileira.

A abertura do show ficará por conta do Conjunto Maravilha.


Na contramão do tempo, e da lógica cronológica que os separa – ele, nascido em 1995, ela, em 1935 – Ayrton e Alaíde se distanciam apenas pela diferença de seis décadas de vida.




Em comum, ambos são nomes consolidados e incontestes no ofício da música, à parte de um mercado fonográfico não raras vezes limitado a modismos e engajamentos rasos.


De alma velha

Aos 31 anos, Ayrton Montarroyos está vocacionado a contar histórias da música brasileira que o remete a um cancioneiro à moda antiga, tal qual a sua alma, em sonoridade, “envelhecida” desde sempre. “Habitué” a interpretações que vão de Lupicínio Rodrigues, Orlando Silva e Cauby Peixoto a Tom Jobim e Vinicius de Moraes, entre outros, o artista pernambucano reside em São Paulo há algum tempo, e é por lá que ele resiste a um fazer artístico povoado de delicadezas sonoras.


Apresentado ao País pelo global The Voice, em 2015, ocasião em que ficou em segundo lugar, Montarroyos herdou da avó o gosto pelos discos de outrora. A partir de então alimentou os ouvidos com o que seria menos óbvio para a idade, com estreia em disco com o álbum “100 Anos de Gonzagão” quando interpretou “Riacho do Navio”.

Mais recentemente, somam-se aos discos de carreira o irretocável “A Lira do Povo” (Kuarup). Nele, faixas narram em melodias vivências de um Brasil que sai do Sertão para desaguar no mar e culmina num atroz contexto urbano, retratado predominantemente por canções que chegam, no máximo, aos anos de 1980.


70 anos depois…

Alaíde nem queria ser cantora, sonhava mesmo em ser professora. “Esperei 70 anos para ter o reconhecimento. Foi difícil chegar”, conta ela, em entrevista ao ao programa “Balaio”, da TV Cultura, quando abordou o quanto foi esnobada, sofrendo racismo por ser uma mulher negra da Bossa Nova, no tempo em que o movimento, um dos mais importantes da música no Brasil, veio à tona, sendo ela uma das figuras protagonistas do gênero.


Com agenda intensa, e na plenitude de voz aos 90 anos de vida, “A Dama da Bossa Nova” – uma artista “imensa”, para Montarroyos – tem percorrido palcos Brasil e mundo afora, a sós ou acompanhada. Antes do show no Recife, aliás, ela esteve no Mimo Festival, em Portugal.


SERVIÇO

Projeto Seis e Meia, com Ayrton Montarroyos e Alaíde Costa


Quando: nesta sexta-feira (10), às 18h30

Onde: Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81, Boa Vista

Ingressos a partir de R$ 75 via Sympla

Informações: (81) 9 9488-6833

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