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Embratur promove favelas do Rio em Lisboa com documentário e espaço para empreendedores locais

Embratur promove favelas do Rio em Lisboa com documentário e espaço para empreendedores locais

27/2/2026 – “Olhar para a favela e entender que alí tem vida, tem gente e não podemos olhar com o olhar do medo. Precisamos disputar o sentido da vida daquelas pessoas”. A fala do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, iniciou um importante passo para a internacionalização do Turismo de Base Comunitária (TBC) brasileiro nas favelas no cenário global.

Nesta sexta-feira (27), durante a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a Agência fez o lançamento internacional do 20ª episódio da série Turismo Transforma, inteiramente dedicada às favelas do Rio de Janeiro (RJ). Além disso, a Embratur inovou ao contemplar agências de favelas entre os coexpositores do estande brasileiro. Com isso, empreendedores das comunidades puderam participar de reuniões com operadores estrangeiros e comercializar produtos do turismo de favelas do Rio e de outras partes do país.

Para o presidente da Embratur, o lançamento em Lisboa tem um significado especial. Segundo ele, a presença de lideranças comunitárias na BTL representa uma mudança de narrativa sobre o Rio de Janeiro e sobre as favelas brasileiras. “Eu lutei muito para que isso acontecesse. Sou do Rio de Janeiro e esse é o Rio em que eu sempre acreditei. É o Rio pelo qual dediquei minha vida a lutar, aquele que olha para a favela e enxerga vida, potência e gente. Estar em um dos maiores eventos do turismo internacional trazendo quem ressignifica a própria realidade para falar ao mundo é algo muito simbólico.”

Freixo também defendeu que o turismo em favelas seja conduzido pelos próprios moradores, rompendo com práticas exploratórias. “O turismo em favela não pode ser um safari social. Não é para olhar como o pobre vive. É para conhecer, ouvir, entender, conduzido por quem é do território. É isso que gera impacto real na economia local e muda a forma como o mundo enxerga o Brasil”, reforçou.

Favela gerando negócios

Em Lisboa, o estande da Embratur contou com a participação de lideranças comunitárias. Entre elas está Gilson “Fumaça”, nascido e criado no Santa Marta, uma das principais referências do Turismo de Base Comunitária no Brasil.

Ele ressaltou que a presença das favelas na feira representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de anos. “É uma emoção muito grande. São mais de 15 anos trabalhando com Turismo de Base Comunitária e mais de 13 anos articulando empreendedores de favelas do Rio nessa luta por visibilidade. Estar aqui, oficialmente, como morador de favela apresentando nosso próprio produto é algo que não dá para mensurar”, disse Gilson Fumaça

Para ele, o objetivo é romper estigmas históricos. “A gente está quebrando o paradigma de que ir para a favela é perigoso ou que precisa ser feito sempre por intermediários. Nosso trabalho é dar visibilidade e voz a quem desenvolve o turismo com amor, profissionalismo e compromisso com a transformação social.”

Por fim, reforçou o caráter coletivo da conquista. “A gente está aqui graças a uma construção coletiva, com apoio da Embratur e de parceiros que nos ajudaram a acessar esse espaço. É a primeira vez que conseguimos trazer a Rota Favela Brasil para uma feira internacional. É um sonho que estamos vivendo.”

Também integra a comitiva Patrícia Regina da Silva Ignacio, liderança da Cooperativa de Reflorestamento da Babilônia e Chapéu Mangueira (CoopBabilônia), organização pioneira em reflorestamento comunitário e no Turismo de Base Comunitária. Patrícia coordena o Ecoturismo local e o grupo de artesanato Favo de Mel, formado por mulheres da comunidade.

Patrícia destacou o impacto de apresentar a favela ao mercado internacional a partir da perspectiva de quem vive no território. “Eu jamais imaginei estar aqui representando a minha comunidade, representando a favela. É muito gratificante e eu sou muito agradecida pela oportunidade que nos foi dada.”

Segundo ela, o interesse do público internacional cresce quando a narrativa parte dos próprios moradores. “O turista internacional está interessado, sim, em conhecer a favela, porque está ouvindo a história contada por quem vivencia aquilo todos os dias. Aqui, podemos apresentar a realidade e mostrar como é, de fato, morar e empreender na comunidade”, finalizou Patrícia.

Lançamento internacional

Com o título “Turismo Transforma – Favelas do Rio”, a produção audiovisual lançada na BTL é composta por três episódios de 15 minutos e percorre seis comunidades cariocas: Vidigal, Rocinha, Santa Marta, Providência, Mangueira e Chapéu Mangueira. Além de apresentar destinos, a série conduzida por quem vive e transforma esses espaços diariamente mostra comunidades que produzem cultura, arte, gastronomia, memória e inovação social.

O grande diferencial desta edição é o modelo de produção. Para uma narrativa genuína, a Embratur apostou no conceito de lugar de fala: a série foi realizada por uma equipe de 15 profissionais, todos moradores das comunidades retratadas.

O lançamento se alinha à nova campanha publicitária internacional da Embratur: “Para se renovar, não há lugar como o Brasil”. O foco é atrair o viajante que busca propósito, regeneração e conexão real. Ao apresentar a gastronomia, a arte e a memória das favelas, o Brasil responde a uma demanda global por experiências responsáveis, inclusivas e sustentáveis.



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