Destaque em novelas da Globo nos últimos anos, Isabel Teixeira vê o atual momento da carreira como uma reinvenção. Mesmo depois de décadas dedicadas à atuação, a atriz, que vive a vilã Pilar em “Quem Ama Cuida”, afirma que continua aprendendo e enxerga cada novo desafio na televisão como parte desse processo de renovação profissional.
“Ao mesmo tempo que estou há décadas nessa profissão, também estou chegando agora. Letícia Colin É muito simbólico você viver a vida inteira em um ofício e ela se renovar por dentro, a gente começa a apreender cada vez mais”, vibra.
Na trama de Walcyr Carrasco, Pilar é uma mulher amargurada e tem inveja do sucesso do irmão Arthur (Antônio Fagundes). Acha que, por ser mulher, nunca teve as mesmas chances que ele. Viveu da pensão do ex-marido, no passado, e mais tarde sobreviveu da mesada de Arthur. Com a morte do irmão, quer pegar para si a fortuna que ele deixou para a viúva, Adriana, papel de Letícia Colin.
A personagem ficou viúva duas vezes. Culpa a filha, Brigitte (Tatá Werneck) por ter abdicado de sua carreira e ter perdido seus melhores anos de juventude, mas não pensa isso de Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva), filhos do homem que ela considera ter sido seu grande amor.
“A Pilar acredita na justiça, mas sob o ponto de vista dela. É importante dizer que ela só consegue enxergar a si mesma. Isso define a personagem”, afirma.
Sua história com a tevê ainda é recente, mas tem encarado uma trajetória ascendente diante do vídeo. Como tem lidado com esse momento de crescimento na televisão?
Quero estar em movimento. Eu não paro de me movimentar. Sou uma aprendiz da televisão e quero continuar sendo. É muito simbólico viver a vida inteira num ofício e sentir que ele se renova por dentro. A gente começa a aprender cada vez mais.
Como assim?
A Globo me deu uma oportunidade muito importante de aprendizado. Fiz uma vilã na novela das seis, depois outra na novela das sete, vivi experiências diferentes e agora me sinto pronta, na minha maturidade teledramatúrgica, para esse desafio.
Em “Quem Ama Cuida”, você tem dividido cena com grandes nomes da tevê. Como tem sido essa troca nos bastidores?
Isso influencia muito. Eu olho para o Tony (Ramos), para o (Antônio) Fagundes, e eles estão em movimento. Esse elenco tem muita troca. A gente não aprende novela na escola, aprende vendo, observando quem está ao nosso lado. A gente tem de lidar com vocação, preciso lembrar que sou uma atriz, então, peço permissão e me firmo na estrada e entro na brincadeira, porque eles dois sabem brincar como ninguém. Está sendo muito incrível conviver com pessoas que eu tanto admiro, são duas figuras que praticamente fazem parte da nossa família.
Você engatou uma série de vilãs nas novelas nos últimos anos. Como tem sido essa construção?
Eu adoro as vilãs do Walcyr. Ele tem uma marca muito própria. São personagens com muitas camadas para explorar. “Amor à Vida”, por exemplo, é uma referência gigantesca para mim. Ele domina essa linguagem da novela das nove e é um rei da obra aberta. Me sinto pronta para viver esse desafio. Tenho, inclusive, pensado muito na Perpétua enquanto vivo a Pilar.
Por quê?
Eu assisti à Perpétua quando ainda era criança e a odiava muito a personagem. Acho que isso faz parte da função de uma grande vilã. É uma referência muito forte para mim.
A novela está no ar há dois meses. Já tem sido a resposta do público?
Escuto muito que amam odiar a Pilar. Essa é a ideia. Dependendo do autor e do estilo da novela que a gente está fazendo, essa é uma das funções da vilã: fazer o público odiá-la. Eu adoro esse termo “amar odiar” e me sinto honrada de ser tão odiada (risos). O que é, talvez, uma coisa até interessante, né? Canalizar o ódio nacional em um personagem de ficção em um momento de um Brasil que a gente pode ter muitas polaridades. Então, eu entro no carro e o motorista fala: “minha mãe está odiando você”. Eu digo: “fala para ela xingar bastante, que é pra xingar mesmo” (risos).
A Pilar acredita que está fazendo a coisa certa ou ela sabe exatamente até onde está disposta a ir para defender os próprios interesses?
Tudo é sob esse ponto de vista. Então, ela não consegue enxergar os outros e se acha vítima de todas as situações. Ao mesmo tempo, é muito estrategista: ela arma situações para realizar a justiça dela. Ela tem uma inteligência, nesse sentido, mal utilizada. Defino a Pilar assim: muito vaidosa, com uma autoestima elevadíssima, como nunca vista. Para mim, estão os pontos principais. E ela também é muito ligada à família. Diz ser, né?
“Quem Ama Cuida” – De segunda a sábado, às 21h30, na Globo.
Frio na barriga
Apesar de estar emendando novelas, Isabel Teixeira conviveu com expectativas e nervosismo na estreia de “Quem Ama Cuida”. “Eu tenho um frio na barriga inexplicável, um nervosismo. E, para mim, é muito especial a chegada do público”, afirma.
Para ela, o momento mais especial sempre foi o encontro da história com o público. Isabel sempre teve convicção do sucesso da novela das nove entre o grande público. “Acho que para quem é noveleiro, é brasileiro, essa novela vai fazer sentido”, aponta.
