A artista visual Bruna Emery realiza sua primeira exposição individual neste sábado (4) e dias 11 e 18 de julho, durante o Gravatá Winter Festival.
Instalada no deck do evento, a mostra “A arte sobe a serra” apresenta dez pinturas em diferentes formatos, desenvolvidas a partir de lembranças, paisagens interiorizadas e experiências vividas em distintos territórios.
Executadas em tinta a óleo e acrílica, as obras integram a fase mais recente da produção da artista, caracterizada por gestos mais livres e pela aproximação com a abstração.
Em vez de reproduzir cenários específicos, os trabalhos evocam atmosferas e elementos naturais filtrados pela memória e pela experiência pessoal. A montagem, feita sobre cavaletes, busca recriar a atmosfera de um ateliê, aproximando o público do processo criativo.
“A natureza e seus elementos sempre foram inspirações para mim, mas minha pintura não é de observação, nem traz o recorte de uma paisagem específica. Na verdade, esses trabalhos nascem de memórias afetivas e dos diálogos que estabeleço com os mais diversos territórios. As ideias vão surgindo e fluindo em obras nas quais é possível identificar alguns elementos, mas não de forma óbvia — flerto bastante com a abstração”, explica Bruna.
A exposição representa uma inflexão em sua trajetória. Os novos trabalhos sucedem as séries Confetes, marcada pelo rigor geométrico e pela construção precisa de círculos e esferas, e Casulos, conjunto de obras mais introspectivas, dominadas por uma paleta de tons sóbrios. Agora, a artista aposta em uma linguagem mais intuitiva e menos planejada.
“A série Confetes tem todo um trabalho de precisão, de exatidão para que funcione. Já a Casulos é mais fluida – fui levada naturalmente para esse desenho. As obras que trago agora são diferentes: os traços são mais livres, vão vindo num fluxo. Eu tenho claro na cabeça a paisagem, o território e os elementos que quero pintar, mas não há tanto planejamento como nas séries anteriores”, afirma.
A investigação sobre memória e pertencimento também orienta o projeto Colorindo Pernambuco, desenvolvido paralelamente à exposição.
A iniciativa propõe uma imersão em cidades do estado para transformar histórias, paisagens, cores e modos de vida em matéria-prima para novas pinturas.
O conceito parte da compreensão da arte como forma de escuta dos lugares e de seus habitantes, embora a pesquisa da artista também dialogue com experiências vividas fora de Pernambuco e do Brasil.
Caminho de volta à pintura
O contato de Bruna Emery com a criação artística começou ainda na infância, em um ambiente familiar no qual pintura e trabalhos manuais faziam parte da rotina.
Durante a adolescência, enquanto estudava em Portugal, aprofundou o interesse pelas artes ao escolher disciplinas voltadas à história da arte, cultura e design, embora tenha optado posteriormente por cursar Administração e Direito ao retornar ao Brasil.
O reencontro com a pintura aconteceu anos mais tarde, durante a gravidez do filho. Ao concluir sua primeira tela, viveu um momento simbólico: no mesmo dia em que levou o quadro para casa, nasceu a criança. A partir da pandemia, a produção artística ganhou espaço definitivo em sua rotina.
Inicialmente, Bruna dedicou-se à pintura sobre taças e objetos de vidro. As primeiras encomendas surgiram de maneira espontânea e, em pouco tempo, o trabalho se expandiu para roupas, utensílios, murais e até um automóvel, além de render convites para ministrar oficinas.
“Foi uma coisa muito espontânea. As pessoas foram me chamando e eu fui topando esses projetos. Mas, ao mesmo tempo, eu seguia com o desejo de me desafiar, de tentar novas técnicas, de criar livremente. E essas obras que vou apresentar agora são os primeiros resultados desse meu mergulho”, conta.
Experimentação permanente
A pesquisa de Bruna Emery é marcada pela constante experimentação de materiais e suportes. Lápis de cor, pastel seco, tintas acrílica e óleo convivem em um processo criativo baseado em testes, descobertas e mudanças de percurso.
Entre as principais influências assumidas pela artista estão Yayoi Kusama e Beatriz Milhazes, referências que dialogam com sua busca por uma linguagem visual própria.
“Eu sinto que estou num processo muito interessante de descobertas e experimentações. Gosto de explorar desde o lápis de cor até o pastel seco, a tinta acrílica, a óleo, a pintura sobre papel, sobre tela… Cada série é uma nova descoberta e pesquisa. Yayoi Kusama e Beatriz Milhazes são fortes referências para mim, mas a cada dia novos artistas vão chegando. Estou muito feliz de poder apresentar meu trabalho a um público maior, numa mostra em que seja possível ver e reconhecer a identidade que estou construindo”, conclui.
SERVIÇO
Exposição “A arte sobe a serra”, de Bruna Emery, no Gravatá Winter Festival
Quando: 4, 11 e 18 de julho de 2026, a partir das 17h
Onde: Rancho Colonial – BR-232, Km 89 – Gravatá-PE
Entrada gratuita
Instagram:@porbrunaemery
