O DJ e produtor cultural pernambucano Jota BoraViver está entre as atrações confirmadas da terceira edição do Festival Pernambuco Meu País.
A apresentação acontece no dia 29 de agosto, em Caruaru, quando o artista será responsável pela trilha dos intervalos do palco principal, levando ao público um repertório que combina clássicos da música nordestina com a estética da house music.
Na mesma noite, o festival também recebe shows de Paralamas do Sucesso, BaianaSystem, Gilsons e Banda Eddie, além da participação do Maracatu Nação Pernambuco, em uma programação dedicada à diversidade da produção musical e da cultura popular brasileira.
Para a estreia no evento, Jota apresenta o projeto “Tudo Vira House”, trabalho que investiga novas possibilidades para ritmos tradicionais brasileiros ao fundi-los à música eletrônica.
A proposta parte da valorização das matrizes afro-indígenas e busca ampliar o alcance dessas expressões culturais entre públicos mais jovens, sem descaracterizar suas origens.
Segundo o artista, o projeto surgiu da percepção de que parte da juventude mantém contato diário com a música eletrônica, mas pouco conhece manifestações populares brasileiras.
“O ‘Tudo Vira House’ nasceu de uma reflexão muito simples: milhares de jovens escutam música eletrônica todos os dias, mas muitos nunca tiveram contato com uma alfaia de maracatu, um coco de roda, uma ciranda ou um canto ancestral. Meu trabalho não busca substituir essas tradições, mas criar uma ponte para que elas continuem sendo conhecidas, valorizadas e transmitidas às próximas gerações.”
O repertório reúne releituras inspiradas em gêneros como frevo, maracatu, coco, ciranda, forró, manguebeat e MPB, preservando elementos característicos de cada ritmo enquanto dialoga com a linguagem da música eletrônica.
A proposta também incorpora referências às culturas afro-brasileira e indígena, transformando o espetáculo em uma experiência que alia entretenimento, pesquisa e memória.
Para Jota BoraViver, a aproximação entre esses universos musicais acontece de forma natural.
“A house music nasceu da mistura de culturas e da potência criativa de comunidades negras. Essa essência também está presente no maracatu, no coco, na ciranda e em tantas outras manifestações populares. Quando unimos esses universos, não apagamos a tradição. Pelo contrário, mostramos que ela continua viva e capaz de dialogar com o presente.”
O artista também destaca que revisitar esses repertórios significa reconhecer a trajetória de manifestações culturais que, durante décadas, enfrentaram preconceitos antes de serem incorporadas ao patrimônio cultural brasileiro.
“Os tambores que hoje emocionam multidões já foram perseguidos. Conhecer essa história é uma forma de combater a intolerância e reconhecer a importância do nosso patrimônio cultural. A música pode ser um instrumento poderoso de educação, memória e pertencimento.”
Ao definir o propósito do projeto, o DJ resume sua proposta:
“Não estamos reinventando nossa cultura. Estamos garantindo que ela continue viva. Uma tradição permanece quando encontra novas formas de tocar o coração das pessoas. Enquanto houver alguém disposto a ouvir, dançar e conhecer nossas raízes, nossa cultura continuará viva.”
A edição deste ano do Festival Pernambuco Meu País tem início em 15 julho e percorre dez municípios pernambucanos com uma programação gratuita voltada para diferentes públicos.
Além de Caruaru, o circuito passa por Pesqueira, Salgueiro, Gravatá, Arcoverde, Bezerros, Buíque, Triunfo, Taquaritinga do Norte e Riacho das Almas, reunindo shows, cortejos, ações formativas e diversas manifestações da cultura popular.
Em Caruaru, a programação será realizada entre os dias 26 e 30 de agosto.
