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1ª Mostra Mulher Tambor homenageia Mãe Joana Cavalcante e Mãe Helena Sampaio no Recife

1ª Mostra Mulher Tambor homenageia Mãe Joana Cavalcante e Mãe Helena Sampaio no Recife


As ialorixás Mãe Joana Cavalcante e Mãe Helena Sampaio, duas das principais referências das religiões de matriz africana em Pernambuco, serão as homenageadas da primeira edição da “Mulher Tambor – O Tempo Mostra Indígenafro, Latino-Americana e Caribenha”, que ocorre nesta sexta-feira (3) e neste sábado (4), nos terreiros Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, e no Ilê Axé Oxum Deym, no Pina, no Zona Sul.


Aberta ao público e gratuita, a iniciativa foi idealizada pelo Laboratório de Intervenção Artística (Laia) para reconhecer e valorizar os saberes das mulheres de terreiro como patrimônio vivo, reunir lideranças religiosas, artistas, pesquisadoras e representantes de comunidades tradicionais em uma programação que inclui rodas de conversa, oficinas, apresentações culturais e a Feira dos Povos.


A mostra coloca em evidência o protagonismo feminino nas religiões de matriz africana, reconhecendo as mulheres de terreiro como guardiãs de memórias, musicalidades, práticas culturais e conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações.




Nos dois dias de programação, o público poderá participar de debates sobre memória sonora, criação musical, direitos culturais, equidade de gênero e enfrentamento às violências contra mulheres negras e de terreiro, além de oficinas voltadas às epistemologias afro-indígenas, aos cantos tradicionais e às musicalidades rituais.


“O conhecimento não está apenas nos livros. Ele vive no corpo, na palavra, no toque do tambor, nos modos de cuidar, cantar, vestir, celebrar e viver em comunidade. A mostra nasce do desejo de reconhecer essa sabedoria e sua centralidade na formação cultural do país. Também é um convite para refletir sobre os desafios enfrentados por mulheres negras, de terreiro e periféricas, afirmando seus direitos à cultura, à memória, à espiritualidade e à criação”, destaca a curadoria.


As homenageadas desta primeira edição construíram trajetórias marcadas pela integração entre espiritualidade, cultura, educação e atuação política.


Ialorixá do terreiro Ilê Axé Oxum Deym e líder da Nação do Maracatu Encanto do Pina, Mãe Joana Cavalcante entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a assumir o posto de Mestra de uma nação de maracatu no Brasil.


Além disso, também fundou o movimento Baque Mulher, ampliando o protagonismo feminino na cultura popular por meio da percussão e da formação de novas gerações de percussionistas.


Já Mãe Helena Sampaio, ialorixá, griot e idealizadora da Quinta-Nagô, consolidou uma trajetória dedicada à preservação do axé ao integrar espiritualidade, arte-educação e musicalidade.


A atuação dela se tornou referência no combate ao racismo e à intolerância religiosa, bem como na valorização da tradição Nagô e das expressões culturais de matriz africana em Pernambuco.


Além das homenageadas, a programação contará com a participação da Mãe-Mestra Maria da Quixaba e da Yakekerê Helaynne Sampaio Olefun, o que fortalece o diálogo entre diferentes gerações de mulheres que mantêm vivas as tradições dos povos de terreiro, além de ampliar as reflexões sobre ancestralidade, resistência e produção cultural.


Programação

A programação está estruturada em três eixos nos três turnos do dia. Pela manhã, ocorrem as rodas de conversa “Matrialidades da Música: Inaudíveis e Audíveis”, enquanto que durante a tarde, acontecem as oficinas formativas “Yorubantuquém”.


No início da noite, os pocket shows “Mães das Musicalidades Rituais”, que celebram a força artística, espiritual e simbólica das mulheres de terreiro. Nos dois dias, a Feira dos Povos reunirá empreendedoras, artesãs, artistas e coletivos culturais, com apoio da Feira das Mulheres Pretas e da PeriFeira.


O espaço será dedicado à economia do axé, promovendo o encontro entre o público e iniciativas ligadas ao artesanato, à arte indígena, à gastronomia afro-brasileira e caribenha, à literatura, à moda e ao design.


A primeira edição da Mulher Tambor foi contemplada pelo Edital Mãe Gilda de Ogum, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), voltada ao fortalecimento de ações desenvolvidas por terreiros e comunidades tradicionais de matriz africana em todo o país.


Mãe Maria Helena Sampaio

É educadora popular, ialorixá, cantora, percussionista, bailarina, griot e Mestra da Cultura Popular, reconhecida pelo Ministério da Cultura em 2013.


Com mais de 30 anos de atuação, dedica-se à preservação e difusão da cultura afro-brasileira, ao enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa e à formação de novas gerações por meio de oficinas, cursos e projetos culturais.


Mãe Joana Cavalcante é uma das duas grandes homenageadas da primeira edição da “Mulher Tambor – O Tempo Mostra Indígenafro, Latino-Americana e Caribenha”, que ocorre nesta sexta-feira (3) e neste sábado (4), nos terreiros Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos e no Ilê Axé Oxum Deym, no bairro do Pina. | Foto: Camilla Ferreira / Divulgação


Mãe Joana Cavalcante é uma das duas grandes homenageadas da primeira edição da “Mulher Tambor – O Tempo Mostra Indígenafro, Latino-Americana e Caribenha”, que ocorre nesta sexta-feira (3) e neste sábado (4), nos terreiros Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois U


Fundadora do Afoxé Oyá Tokolê Owó (antigo Afoxé Oyá Alaxé) e idealizadora da Quinta Nagô, destacou-se como intérprete da tradição nagô, integrando diversos grupos e projetos culturais, além de participar de gravações e apresentações ao lado de importantes artistas.


Também é conselheira de igualdade racial, fundadora da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco, idealizadora do projeto Irantí Atí Odí – Mímo, Memória e Fortalecimento e referência na valorização das tradições de matriz africana em Pernambuco.


Mestra Joana Cavalcante

É Yaquequerê do Ylê Axé Oxum Deym, arte-educadora, percussionista, compositora e uma das maiores referências da cultura popular pernambucana.


Foi a primeira mulher a liderar uma Nação de Maracatu de Baque Virado, à frente da Nação Encanto do Pina, tornando-se símbolo da preservação das tradições afro-brasileiras e do protagonismo das mulheres de axé.


Fundadora do Maracatu Baque Mulher, do Mazuca da Quixaba e do projeto social Encantinho do Pina, desenvolve ações de formação, inclusão social e valorização da cultura de matriz africana no Brasil e no exterior.


Uma das duas grandes homenageadas da primeira edição da Uma das duas grandes homenageadas da primeira edição da “Mulher Tambor – O Tempo Mostra Indígenafro, Latino-Americana e Caribenha”, Mãe Joana Cavalcante será reverenciada durante a programação que acontece nesta sexta-feira (3) e neste sábado (4), nos terreiros Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos, e Ilê Axé Oxum Deym, no Pina. | Foto: Camilla Ferreira / Divulgação


Reconhecida por sua atuação no combate ao racismo, ao machismo e à intolerância religiosa, recebeu diversos prêmios ao longo da carreira, entre eles o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, em 2025.


Sua trajetória une ancestralidade, arte, educação e ativismo, inspirando novas gerações de mulheres e fortalecendo a cultura popular brasileira.


Confira abaixo a programação completa:


Sexta-feira, 3 de julho

Terreiro Ilê Obá Aganjú Okoloyá

Endereço: Rua Mendes Coelho, 231, Dois Unidos – Recife/PE


  • 9h00 às 9h30 – Cerimônia de abertura com Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio e Yakekerê Helaynne Sampaio Olefun
  • 9h30 às 11h – Roda de conversa “Rufos Prescritos no Negro-Femininas”, com Mãe-Mestra Joana Cavalcante e mediação de Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio
  • 14h às 20h – Feira dos Povos
  • 14h às 16h – Oficina “Toadas do Atlântico Negro Matrifocal”, com Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio
  • 19h30 às 20h – Pocket show “Céu de Mulheres” com Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio


Sábado, 4 de julho

Terreiro Ilê Axé Oxum Deym

Endereço: Rua Oswaldo Machado, 504, Pina – Recife/PE


  • 9h às 9h30 – Abertura com Mãe-Mestra Maria Quixaba e Mãe-Mestra Joana Cavalcante
  • 9h30 às 11h – Roda de conversa “Biografias Sonoras Femininas do Tambor: Direito à Criação Musical e Percussiva”, com Mãe-Mestra Maria Helena e mediação de Mãe-Mestra Joana Cavalcante
  • 14h às 20h – Feira dos Povos
  • 14h às 16h – Oficina “Epistemologia do Tambor Natural e Cultural”, com Mãe-Mestra Joana Cavalcante
  • 19h30 às 20h – Pocket show “Trovão de Mulheres” com Mãe-Mestra Joana Cavalcante


Serviço:

Mulher Tambor – O Tempo Mostra Indígena-Afro Latino-Americana e Caribenha


  • Locais: Ilê Obá Aganjú Okoloyá e Ilê Axé Oxum Deym
  • Data: Sábado e domingo, 3 e 4 de julho
  • Horário: 9h às 20h
  • Endereços: Rua Mendes Coelho, 231, em Dois Unidos, e Rua Oswaldo Machado, 504, no Pina
  • Mais informações: Instagram
  • Entrada: Totalmente gratuita

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