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Animador brasileiro por trás de “Garfinho” de “Toy story” fala sobre novo filme da franquia

Animador brasileiro por trás de “Garfinho” de “Toy story” fala sobre novo filme da franquia


Criado a partir de um garfo plástico, massinha de modelar e um limpador de cachimbo, Forky (Garfinho) conquistou o público ao estrear em “Toy story 4”, em 2019. Sete anos depois, o personagem retorna às telas no quinto filme da franquia, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (18), novamente animado pelas mãos do brasileiro Cláudio de Oliveira.


“Como eu já tinha trabalhado com o Garfinho anteriormente e tenho uma ligação muito gostosa com o personagem, eu que pedi para o animar mais nesse filme. Também como não precisei aprender novamente como ele se movimenta ou como suas expressões são construídas, isso acabou me dando mais liberdade para brincar e ser um pouco mais criativo”, contou o animador de 47 anos ao GLOBO.


Apesar de o personagem não ter uma participação tão grande no quinto filme como teve no quarto, quando integrou o elenco principal, o paulista — que já foi mensageiro, instrutor de dança e comissário de bordo antes de trabalhar em animação — diz não se importar muito com a pouca aparição do velho colega.




“Eu não me importo com o fato de ele não ter sido um dos personagens principais; só de ele estar de volta já me satisfaz muito. Geralmente, isso não acontece com tanta facilidade, então realmente foi algo muito prazeroso para mim.”


“Forky” aparece logo no início do trailer de “Toy story 5”, em uma cena do seu casamento com a faquinha “Karen Beverly”. O momento dos votos dos noivos — ou melhor, dos talheres — dá continuidade ao encontro do casal apresentado no fim de “Toy story 4”, quando Karen é levada por Jessie ao quarto de Bonnie e apresentada à turma como o novo brinquedo da menina.


Encantado pela companheira, Forky logo se apresenta e declara: “Nós somos brinquedos, lindos brinquedos”. A frase encerra a narrativa do personagem, que passou boa parte do quarto filme acreditando não ser um brinquedo por ter sido criado a partir de materiais descartáveis e fica tentando se jogar no lixo.


“Nessa cena de quando eles se conheceram, eu animei o garfinho e meu amigo animou a faquinha. Estávamos na mesma sala e é muito legal ver os dois voltando agora em um casamento no novo filme.”


O paulista afirmou ter animado em “Toy story 5” Forky, Karen e algumas cenas de um dos personagens principais da franquia, o astronauta e patrulheiro espacial Buzz Lightyear.


Inspiração vem da vida real

Em “Toy story 5”, o novo personagem é a Lilypad, um tablet em formato de sapo e feito de borracha — como a maioria dos dispositivos infantis — que chega para disputar a atenção de Bonnie com os outros brinquedos. Apesar de ser uma obra ficcional, já que, até onde se sabe, os brinquedos não falam nem se mexem, o novo filme da Pixar coloca um pé na realidade ao trazer alertas para o excesso de telas na vida das crianças.


Diferentemente dos outros personagens não humanos, Lilypad e Forky não possuem braços nem pernas comuns, não são bonecos de pano como Woody e Jessie. Lilypad é representada apenas por uma tela quadrada com olhos, uma pequena boca e pequenas “patinhas”, enquanto Forky tem um corpo rígido formado por um garfo, pés feitos de palitos de picolé e braços de limpador de cachimbo.


A ausência de membros, que normalmente facilitam o trabalho dos animadores, tornou esses personagens um desafio à parte. O paulista contou que chegou a realizar alguns testes com Lilypad, embora não tenha sido o responsável por sua animação. Ainda assim, comparou a complexidade de animá-la ao desafio que enfrentou ao trabalhar com Forky.


“A Lilypad talvez tenha uma limitação física um pouco maior do que o garfinho por não ter um corpo, mas, por outro lado, ela tem uma ferramenta que pode ser utilizada para expressar, que é a tela. Com o Forky, por exemplo, eu tive que levá-lo para casa e fazê-lo manualmente para entender como eram os movimentos dele. No início, achávamos que ele estava se mexendo demais para um garfo. Eu gosto muito dessa brincadeira de achar a criatividade com as limitações dos personagens.”


Animadores são como os atores nesse gênero, e a inspiração para criar os movimentos dos personagens, para ele, vem da vida cotidiana e das memórias:


“Alguns colegas se inspiram em filmes e em outras animações. Eu, pessoalmente, gosto de me inspirar no que eu vejo no meu dia a dia ou em memórias que eu tenho. Acho que tem mais chance de alguém assistindo àquela cena se conectar muito mais com aquilo que é algo realmente verdadeiro e real.”


Sem IA nas animações

No primeiro filme de Toy Story, em 1995, a tecnologia já era enredo: brinquedos artesanais, como Woody, um boneco de corda, perdiam para figuras de plástico incrementadas com lasers e LEDs, como Buzz Lightyear. Embora, neste novo filme, a tecnologia deixe de ser enredo e se torne personagem principal, ela ainda não é protagonista nas animações da franquia, que continuam sendo feitas manualmente, sem Inteligência Artificial.


“Nós não utilizamos nada quanto à IA nos nossos filmes, eles ainda são manualmente animados, porque, mesmo que seja feito no computador, cada decisão criativa é feita por nós. Eu espero que tenham muitas ferramentas feitas pela IA para que a gente possa ter mais tempo para tomar as decisões criativas do nosso lado. Acho que pode ser uma ferramenta muito potente, muito interessante, mas que não tira as nossas decisões criativas”, explicou o animador


Cláudio explica que o processo de animação é demorado, tanto pelo trabalho manual envolvido, quanto pela decisão final sempre mediada com o diretor.


“A gente está tentando colocar a visão do diretor na tela, mas nós estamos também tentando ter a nossa visão e ver se aquilo se encaixa. Então, demora um pouco mais por causa disso também. Cada segundo que a gente assiste tem 24 fotos e a gente tem que tomar conta de animar cada uma delas e ainda ajustar caso precise cada movimento da boca, por exemplo, manualmente. Geralmente, acho que é mais ou menos 2 a 3 segundos animados por semana.”


Em entrevista à AFP em 2019, o paulistano contou que nunca pensou em trabalhar com animação, mas quando se mudou para os Estados Unidos para acompanhar a esposa decidiu que queria estudar e “tentar fazer algo mais artístico”.


Foi então estudar animação no Santa Monica College. Trabalhou na companhia de efeitos visuais Sony Imageworks antes de entrar no Walt Disney Animation Studios, onde participou do desenvolvimento de filmes como “Enrolados para Sempre” e “Detona Ralph”. Em 2013, entrou na Pixar, onde foi animador de grandes sucessos como “Divertida Mente”, “Carros 3”, “Coco” e “Os Incríveis 2”.

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