A Air Transat planeja substituir sua frota de Airbus A330 entre 2029 e 2032, enquanto prepara a entrada dos A321XLR
A Air Transat prevê definir nos próximos anos sua estratégia para substituir a frota de Airbus A330, atualmente utilizada em operações de longo curso, incluindo para o Brasil.
A informação foi confirmada por Sebastián Ponce, diretor de receitas da companhia, durante entrevista ao site ch-aviation na Assembleia Geral Anual da IATA, no Rio de Janeiro. A renovação deverá ocorrer entre 2029 e 2032, período em que os aviões de fuselagem larga da companhia canadense alcançarão um estágio avançado de envelhecimento operacional.
“Em determinado momento, precisaremos substituir nossos A330. Estamos muito satisfeitos com eles porque são aeronaves antigas de baixo custo que se adaptam muito bem à nossa sazonalidade. Mas, em algum momento entre 2029 e 2032, precisaremos substituí-los”, disse Ponce.
Frota atual e planejamento estratégico
A Air Transat opera atualmente uma frota composta por oito Airbus A321-200, dezenove A321LR, treze A330-200 e dois A330-300. Os A330-200 apresentam idade média de 20,5 anos, enquanto os A330-300 possuem média de quase dezenove anos.
Apesar da necessidade futura de renovação, a companhia ainda não definiu qual modelo substituirá os widebodies. Segundo o executivo, a decisão depende da conclusão do plano estratégico corporativo e da implementação do programa de reestruturação financeira denominado Elevation Program.
Airbus A321XLR
O único pedido pendente da Air Transat envolve quatro Airbus A321XLR, com entrada em operação prevista para o final de 2027.
Segundo Ponce, o novo modelo permitirá expandir a presença da empresa em mercados transatlânticos de menor densidade, nos quais aeronaves de fuselagem larga não apresentam viabilidade econômica.
Entre os mercados avaliados estão Roma (FCO), cidades do norte da Itália, destinos da Europa Central e localidades do Norte da África.
Ganhos operacionais
Além da abertura de novos mercados, a Air Transat avalia utilizar o A321XLR para melhorar a eficiência de rotas já operadas pelo A321LR.
Um dos exemplos citados foi a ligação para Lima, no Peru, atualmente sujeita a restrições de carga útil que limitam a quantidade de assentos comercializáveis. A empresa ressalta, contudo, que o desempenho efetivo da aeronave dependerá da validação operacional em seu ambiente específico de operação.
Airbus A220 e Embraer E2
A introdução de aeronaves menores, como os Airbus A220 ou os jatos da família E2, da Embraer, não está nos planos da Air Transat no horizonte previsível.
De acordo com Ponce, a parceria estabelecida com a Porter Airlines já oferece a capacidade necessária para atender mercados regionais e cidades menores do Canadá. “O A220 ou os aviões da Embraer são excelentes ferramentas para alguns destinos na América do Norte e alguns no sul. Mas o que estamos fazendo com a Porter nos ajuda a complementar nossas frotas”, disse.
A Porter opera o Embraer E195-E2 com 132 assentos e turboélices De Havilland Canada Dash 8-Q400, permitindo ampliar a conectividade da malha da Air Transat por meio de acordos de alimentação de tráfego.
Segundo a companhia, a cooperação entre as duas empresas também contribui para reduzir os efeitos da forte sazonalidade característica do segmento de lazer. A estratégia permite alimentar voos internacionais com passageiros provenientes de mercados secundários canadenses.
Combustível caro e aumento tarifário
Apesar dos avanços obtidos com a reestruturação, a Air Transat continua enfrentando pressões relacionadas aos custos de combustível e a interrupções em parte de sua rede operacional.
Para compensar esses impactos, a companhia adotou reajustes tarifários e sobretaxas de combustível em determinados mercados, especialmente em rotas transatlânticas. Sebastián Ponce ressaltou, entretanto, que existe um limite para a transferência dos custos ao consumidor.
“Há uma espécie de teto para aquilo que o mercado consegue suportar em termos de aumento de preços”, disse Ponce.
