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Daniel de Oliveira comemora reação imediata a “Coração Acelerado”

Daniel de Oliveira comemora reação imediata a “Coração Acelerado”


Depois de anos distante das novelas tradicionais, Daniel de Oliveira reencontrou em Alaorzinho um personagem capaz de devolver um prazer antigo: acompanhar a repercussão quase instantânea do público.


Em “Coração Acelerado”, novela das 19h da Globo, criada e escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, o ator vive um homem dividido entre o reencontro com um amor interrompido no passado e os conflitos provocados pelas próprias atitudes machistas.


“Você pega um Uber, um táxi, compra um negócio e sente essa resposta imediata. E eu acho que essa é a grande beleza de tudo”, valoriza Daniel, que também destaca a mistura entre drama e humor do personagem. “Ele tem uma coisa dramática, profunda, que dói, mas também é engraçado”, resume.


Na trama, Alaorzinho tenta reconstruir a ligação com Janete, personagem de Leticia Spiller, após mais de duas décadas afastados por uma armação arquitetada pela irmã dela, Zilá, vivida por Leandra Leal.


Para isso, precisa rever os comportamentos ultrapassados que teve, especialmente diante do desejo da amada de conquistar a própria liberdade e se tornar artista.


“Hoje em dia, a gente não tem mais o que entender sobre atitudes machistas. Não tem mais espaço para isso”, afirma. “Está na hora – aliás, já passou da hora – de aprender, de colocar isso em prática”, completa.




P – Como está a repercussão sobre o Alaorzinho em “Coração Acelerado”?

R – Está maravilhosa! Não poderia ser melhor. É uma novela gostosa de assistir e de fazer. E fica tudo mais fácil com esses parceiros de cena que a gente tem e o pessoal da produção e direção.


Eles deixam a gente à vontade e o texto já vem de um jeito que dá vontade de dizer aquilo, de criar em cima daquilo. São situações gostosas de passar por elas, nessa questão dos amores perdidos, das reviravoltas, está bem interessante participar e curtir essa resposta do público.


P – E as reações nas ruas?

R – Isso é doido, porque eu estava há muito tempo sem fazer novelas. Fiz “Guerreiros do Sol” e era um sucesso danado no Globoplay, mas no ar, na tevê aberta, na grade da emissora, é diferente.


E quando tem injustiça no meio, como aquela armação toda da Zilá, gera comentários. O público às vezes fala que tem de ficar com uma irmã, com a outra, é por aí.


P – Alaorzinho começou a novela com um comportamento muito machista. Você acha que ele, aos poucos, consegue desconstruir isso?

R – Hoje em dia, a gente não tem mais o que entender sobre atitudes machistas. Não tem mais espaço para isso. Por um lado, é algo que ganha força com páginas red pill, com uns babacas aí da internet, de uma geração que está mais na internet, às vezes, do que com a educação no dia a dia com os pais ou com alguém mais velho, que possa dar um Norte. Com mulheres e homens também. É preciso falar dos homens, porque a gente sempre dependeu muito das mulheres para nos educar e a gente tem de se educar também. Nós, homens.


A gente precisa entender de uma vez por todas, né? Por isso, essa violência contra a mulher, essa questão do assédio, do feminicídio, é muita coisa para as mulheres terem de ensinar aos homens sempre. Está na hora – aliás, já passou da hora – de aprender, de colocar isso em prática.


Quem é machista em uma novela tem de se estrepar mesmo, para a gente mostrar o que acontece. Alaorzinho limita os sonhos da mulher que subiu no palco para cantar e fazer o que ela quer. Um sonho, um desejo dela. Então, corta a asa dele! Deixe que ela saia pelo mundo. Tem toda uma reviravolta para a gente colocar isso, porque houve um rompimento de mais de 20 anos.


P – Você é pai de três meninos. Se preocupa com isso na criação deles?

R – Totalmente! Se eu não me preocupar, como é que fica? A internet está aí, todos com acesso à internet, com milhões de coisas que a gente sabe que eles estão vendo, fora o que a gente não sabe que eles estão vendo.


Então, o ensinamento, a ética, o respeito, ele deve ser ensinado e mostrado no dia a dia, na prática. Há muitos anos, eles cantaram uma música no carro. Eu parei e falei: “o que é isso, cara?”. Eles tinham aprendido essa música no colégio. Expliquei que não era legal e algumas coisas. Eles eram pequenos, nem sabiam direito o que estavam cantando. Mas fiz questão e isso ficou um pouco marcado para eles. Então, acho que a gente precisa adotar essa posição desde pequeno, porque eles vão ficando mais velhos e essas situações podem piorar.


P – Como funciona essa relação com a internet na sua casa?

R – Sempre teve limite. Até mesmo com a tevê. Tem coisas a que a criança não tem de assistir. Uma criança não precisa ver telejornal, por exemplo. Não precisa assistir “Big Brother”. Até mesmo para poder dormir na hora certa, dar aquela baixada de bola, acordar um pouco mais cedo.


Óbvio que não é uma redoma de vidro, de isolar do planeta, porque isso não existe. Mas é ter cuidado e saber que cada fase tem a sua exposição a alguma coisa. Hoje, quando se liga a televisão, estão falando de guerra no Irã. Um negócio muito drástico! Falei de Irã porque já morei no Iraque durante um ano, na época em que estava a Guerra Irã-Iraque.


P – O que você estava fazendo no Iraque?

R – Meu pai trabalhava na Mendes Júnior (construtora brasileira que realizou operações no Iraque). Ele ficou casado com a minha mãe sete anos. Quando se separaram, ele foi para o Iraque trabalhar. Ele era taxista, mas foi para lá. Eu estava terminando o pré-primário, pouquíssimos contatos, algumas fitas que ele gravava e mandava para o Brasil e, depois de dois anos, ele volta e a gente vai buscar ele no aeroporto.


E os dois casaram novamente, no mesmo cartório, com o mesmo juiz que fez a separação deles. E ficaram mais sete anos juntos. Nesse período, a gente foi morar no Iraque. Eu nem sabia o que era o Iraque. Pegamos um voo, fomos para a Inglaterra, chegamos em Londres, vi a neve, passamos três dias lá, onde tudo de novidade. Depois, chegamos em Bagdá, em um acampamento brasileiro chamado Sifão. Eram quatro acampamentos. Isso foi em 1984, da metade para o final da guerra.


P – Como foi a experiência?

R – Foi uma experiência rica. Eu vivia solto lá, deixávamos a casa aberta. Eu saía de bicicleta agasalhado de dia, mas dava 9h da manhã e já estava sem roupa, porque era calor. As noites eram frias, o dia era de calor. Coisa de deserto. Mas vivi várias aventuras lá, expandi muita coisa! Fiquei lá por um ano.


“Coração Acelerado” – Globo – Segunda a sábado, na faixa das 19h. Reprise alternativa na madrugada.


Em causa própria

Daniel de Oliveira teve motivos para se distanciar dos trabalhos mais longos na tevê nos últimos anos. “Eu estava afastado porque estava construindo um bar e fazendo um disco em Minas”, explica Daniel, que decidiu permanecer em Belo Horizonte durante esse período.


“Mas, agora, o Território do Galo já está consistente e eu achei que era a hora de circular um pouco, de voltar a fazer o que eu amo na vida”, afirma. Curiosamente, após “Passione”, em 2010, o ator nunca mais esteve em uma produção televisiva que chegasse a ter, por exemplo, 100 capítulos.


O mais perto disso foi em 2017, quando teve destaque em “Os Dias Eram Assim”, que somou 88 episódios e foi classificada como uma supersérie pela Globo.


O ator também celebra a estabilidade do empreendimento que inaugurou, localizado em frente ao estádio do Atlético Mineiro. “O bar abriu dia 11/11, às 13:13”, conta, sobre o espaço temático dedicado ao clube mineiro. “O aniversário oficial do Galo foi lá”, completa, orgulhoso.


Paternidade suspeita

Desde o início da novela, uma dúvida ronda o público: Agrado, personagem de Isadora Cruz, pode ser filha de Alaorzinho. Daniel acompanha a especulação com curiosidade. “Pois é, isso aí foi falado no começo da novela, havia essa pulga atrás da orelha ali de todo mundo. Então, pode ser”, despista o ator.


Em cena, ele comemora a parceria inédita com Isabelle Drummond, intérprete de Naiane, filha de Alaorzinho com Zilá na trama. “Isabelle é maravilhosa. É uma atriz espetacular”, elogia. “Ela se coloca em situações que são muito interessantes e isso fortalece o personagem dela”, avalia.


Instantâneas

# Daniel de Oliveira nasceu em Belo Horizonte (MG) e tem 48 anos.

# O ator foi casado com a atriz Vanessa Giácomo. Os dois tiveram dois filhos: Raul, hoje com 18 anos, e Moisés, de 16 anos.

# O terceiro filho de Daniel, Otto, é fruto da relação com a atriz Sophie Charlotte. O menino está com 10 anos.

# O primeiro trabalho de Daniel de Oliveira na televisão foi em 1988, em “Brida”, novela da extinta TV Manchete que não foi concluída por falência da emissora.

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