Documentos atribuídos à inteligência ucraniana sugerem que o programa PAK DA ainda depende de tecnologia importada e pode estar distante de um protótipo operacional
A Rússia trabalha em um bombardeiro estratégico furtivo que promete rivalizar com o B-21 Raider dos Estados Unidos, mas documentos supostamente obtidos por hackers ligados à inteligência ucraniana indicam que o programa PAK DA ainda pode enfrentar entraves industriais relevantes.
O material, divulgado por pesquisadores associados ao InformNapalm e não verificado de forma independente, sugere dependência de máquinas-ferramenta importadas e um cronograma de produção que se estenderia até 2027.
Documentos internos supostamente obtidos por hackers ligados a fontes de inteligência ucranianas indicariam que o programa russo PAK DA ainda enfrenta obstáculos industriais relevantes, apesar de ser apresentado por Moscou como o futuro bombardeiro estratégico furtivo do país.
Segundo o material atribuído à OKBM, empresa russa envolvida na cadeia aeroespacial, os arquivos incluiriam desenhos técnicos, contratos e parâmetros de produção relacionados ao PAK DA, além de itens associados ao caça furtivo Su-57. Entre os componentes citados estariam partes do sistema hidráulico e da caixa de engrenagens usados na abertura e no fechamento do compartimento interno de armas do bombardeiro.
O PAK DA é o programa russo para uma nova geração de bombardeiros estratégicos, concebido para substituir gradualmente aeronaves mais antigas, como o Tu-95, e eventualmente assumir parte das funções hoje associadas ao Tu-160. Ao contrário dos bombardeiros supersônicos tradicionais, o projeto é descrito como uma aeronave de asa voadora, com prioridade para baixa assinatura radar, grande alcance e capacidade de transportar armas nucleares e convencionais de longo alcance.
Os documentos vazados também sugeririam um cronograma de produção que se estende até 2027. Caso sejam autênticos, os registros reforçam a avaliação de que o PAK DA ainda estaria distante de uma fase operacional, possivelmente concentrado na fabricação e integração de componentes para ensaios em solo. Ou seja, distante do modelo final e do primeiro voo. Até agora, a Rússia não apresentou publicamente um protótipo completo do modelo.
Outro ponto sensível é a suposta dependência de máquinas-ferramenta CNC importadas para a fabricação de peças aeroespaciais de alta precisão. Essa limitação seria especialmente crítica em aeronaves furtivas, nas quais pequenas variações de fabricação podem comprometer o alinhamento estrutural, o acabamento de superfície e, por consequência, a redução da assinatura radar.
A leitura atribuída aos documentos também ajudaria a explicar a prioridade russa na modernização de plataformas existentes. Bombardeiros Tu-160 atualizados continuam capazes de lançar mísseis de cruzeiro a longas distâncias, sem necessidade de penetrar profundamente em zonas cobertas por defesa aérea adversária. Em um cenário de guerra prolongada na Ucrânia, essa solução tende a exigir menos risco tecnológico e financeiro, assim como menor pressão industrial quando comparado a um novo bombardeiro furtivo.
Ainda assim, a ausência de confirmação independente limita qualquer conclusão definitiva. O vazamento, se autêntico, não prova o fracasso do PAK DA, mas sugere que o programa pode estar avançando mais lentamente do que a narrativa oficial russa indicou nos últimos anos.
