GRAMADO – O Brasil vive uma expansão acelerada das Indicações Geográficas (IGs) e em pouco mais de duas décadas, o país chegou a 163 registros reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), número que mais que dobrou nos últimos anos e evidencia o avanço da valorização dos produtos ligados à origem e à identidade dos territórios.
Os dados foram apresentados durante o Connection Terroirs do Brasil, realizado em Gramado (RS), e mostram como as IGs vêm ganhando espaço nas estratégias de desenvolvimento regional, turismo e fortalecimento da economia local.
Número de IGs cresce em ritmo acelerado no Brasil
Segundo representantes do Sebrae, o crescimento do setor se intensificou nos últimos anos.
Até 2019, o Brasil possuía 68 Indicações Geográficas reconhecidas. Atualmente, são 163 registros, um avanço superior a 140%.
“De 2002 a 2019, o Brasil tinha 68 Indicações Geográficas. Hoje são 163 e a perspectiva é de aproximadamente 25 novos registros por ano”, afirmou Carlos Eduardo Santiago, do Sebrae Nacional.
O crescimento reflete o aumento do interesse de produtores, associações e entidades locais em proteger produtos ligados à identidade dos territórios e transformá-los em ativos econômicos.
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Brasil ainda tem espaço para avançar
Apesar da evolução recente, o país ainda está distante de mercados mais consolidados.
Na União Europeia existem mais de 5 mil Indicações Geográficas registradas, abrangendo produtos alimentícios, bebidas, artesanato e diversos outros segmentos.
Para especialistas, o cenário mostra que o Brasil ainda possui amplo potencial de crescimento, especialmente em regiões que carregam tradições produtivas reconhecidas localmente, mas que ainda não passaram pelo processo de certificação.
Turismo ajuda a impulsionar reconhecimento dos territórios
Além da valorização econômica, as IGs têm ganhado relevância no turismo ao conectar visitantes às histórias, tradições e modos de produção de cada região.
Produtos como vinhos, cafés, queijos, doces e artesanato passaram a integrar roteiros turísticos e experiências que ajudam a fortalecer a identidade dos destinos.
Durante o Connection, representantes do Sebrae destacaram que a certificação não protege apenas um produto, mas também contribui para preservar conhecimentos, costumes e patrimônios culturais transmitidos entre gerações.
