A Emirates trabalha com seguradoras para lançar um seguro de viagem, em meio às restrições e exclusões de cobertura causadas pelo conflito no Golfo
A Emirates está trabalhando com seguradoras para criar um produto de seguro de viagem destinado a passageiros que voam para ou fazem conexão em Dubai.
A informação foi divulgada por Tim Clark, presidente da companhia aérea, em entrevista ao Financial Times publicada na última quinta-feira (11). A iniciativa busca reduzir os impactos das restrições impostas por diversos governos ao tráfego aéreo no Golfo e preencher lacunas de cobertura que afetam viajantes desde o início do atual conflito no Oriente Médio.
Segundo o executivo, o novo seguro terá preço considerado acessível e incluirá garantias para o retorno dos passageiros aos seus países de origem, independentemente de o voo de volta ser operado pela Emirates ou por outra companhia aérea.
Restrições no Golfo
Mais de três meses após o início do conflito regional, diversos países mantêm recomendações para que seus cidadãos evitem viagens ao Golfo. Essas orientações têm impacto direto sobre o mercado de seguros de viagem, uma vez que a maioria das apólices convencionais considera os alertas governamentais como eventos conhecidos, acionando exclusões relacionadas a guerra e conflitos armados.
Na prática, muitos passageiros descobrem apenas no momento de uma eventual solicitação de indenização que suas viagens não possuem cobertura para cancelamentos, interrupções ou assistência emergencial vinculados ao cenário de segurança regional.
Embora existam seguradoras especializadas em riscos elevados oferecendo proteção específica para esses destinos, as apólices costumam apresentar custos mais elevados e condições mais restritivas.
Fluxo de passageiros em conexão
Apesar das recomendações emitidas por diversos governos, o aeroporto de Dubai continua registrando fluxo significativo de passageiros em trânsito internacional.
De acordo com Tim Clark, aproximadamente 40.000 passageiros por dia realizam conexões no hub emiradense. Antes do início do conflito, esse volume era próximo de 100.000 passageiros diários.
O executivo disse ainda que algumas rotas partindo de Londres apresentam alta ocupação, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelos viajantes para obter seguros de viagem convencionais.
Custos de seguro
Além dos desafios enfrentados pelos passageiros, as companhias aéreas também registraram aumento dos custos relacionados à cobertura de riscos de guerra.
Segundo a imprensa europeia, a Emirates desembolsa cerca de US$ 100 mil por semana em prêmios adicionais para manter a cobertura de toda a sua frota operando na região.
Um executivo do mercado segurador, citado pela reportagem do Financial Times, classificou esse valor como “extraordinariamente baixo” em comparação com os custos enfrentados por outras transportadoras.
Segundo as informações divulgadas, companhias concorrentes vêm recebendo cotações entre US$ 70 mil e US$ 150 mil por voo individual para operações com pousos no Golfo.
Retomada das operações
A Emirates retomou seus serviços regulares quatro dias após o início das hostilidades e rapidamente recuperou cerca de 40% de sua capacidade operacional.
Segundo Tim Clark, Dubai permaneceu sob ameaça constante durante o período inicial do conflito. O executivo afirmou que aproximadamente 98% de quase 3.000 drones, mísseis e mísseis de cruzeiro direcionados à cidade foram interceptados pelos sistemas de defesa locais.
Durante as fases mais críticas, as aeronaves operavam em corredores aéreos restritos protegidos por aeronaves militares. Como medida adicional de segurança operacional, os voos passaram a transportar combustível suficiente para até cinco horas extras de voo, permitindo desvios caso o espaço aéreo sofresse restrições inesperadas.
Recuperação da demanda
A criação de um seguro específico para passageiros com destino ou conexão em Dubai representa uma tentativa da Emirates de reduzir uma das principais barreiras à recuperação da demanda internacional na região.
Caso seja implementado, o produto poderá oferecer cobertura em um cenário no qual grande parte das apólices tradicionais continua excluindo viagens afetadas por alertas governamentais relacionados a conflitos armados, ampliando a proteção aos passageiros e reduzindo a incerteza associada às viagens para o Golfo.
